sábado, junho 18, 2016

Um OVNI e as bombas nucleares de Harkavy


                            

    Dou início a esta história referindo dois assuntos que em nada parecendo relacionados, estão como mais adiante se verificará, a dar consistência ao assunto de um propalado evento OVNI recheado de contatos com seres supostamente extra-terrestres e, a outro assunto também muitas vezes falado e escrito mas nunca comprovado, da existência de ogivas nucleares em território português. Ou seja, uma mistura francamente explosiva!

Robert Harkavy, da Universidade do estado de Pensilvânia, especialista em controlo de armamento e política internacional, no seu trabalho “strategic basing and the Great Power, 1200-200” (1), que retoma argumentos de um seu trabalho anterior datado de 1989, “Bases Abroad: The Global Foreing Military Presence”, escreve o seguinte: “... Some 32 nuclear depth bombs were stored at Lajes in the Azores for wartime operations”.

Fazendo corpo principal desta história, revela ainda o Diário Insular de 17 de Dezembro de 2011, e passo a transcrever, “Um caso exótico, ocorrido em 1968, conta-se também entre os indícios de manuseamento de armas perigosas. Trata-se de um trabalhador português da base das Lajes que numa noite disse ter visto um OVNI - Objeto Voador Não Identificado, em cima de uma pequena elevação que desde esse dia e até hoje ficou com a parte superior improdutiva e árida. O homem foi rapidamente transplantado para os EUA, mantendo a história do OVNI, incluindo seres extraterrestres que se terão manifestado. “Apenas vi que os homens tinham uma viseira com um pouco de vidro e que a cor do fato era uma cor de chumbo. Assim que acendi o foco para eles, aquilo moveu-se muito rapidamente, tendo emitido na minha direção uma projeção de luz muito forte, que tive de tapar a cara. Logo a seguir senti uma coisa estranha, como que uma poeira. Caí e não me recordo de mais nada”, descreveu o homem após ter sido socorrido no Hospital de Angra do Heroísmo. A verdade é que o conhecido “Pico Careca” nunca foi, que saibamos, estudado por autoridades científicas portuguesas, pelo que nada se sabe, pelo menos publicamente, sobre eventuais vestígios deixados pela provável nave alienígena e pelos seus estranhos ocupantes. Oficialmente, o homem terá tido o azar de ser surpreendido por um balão meteorológico que terá chocado com cabos de alta tensão, vindo a explodir. O principal buraco desta tese oficial é que à altura não havia cabos de alta tensão na zona, mas apenas cabos telefónicos. 
E o Diário Insular terminava a notícia reiterando que "Até hoje, nenhuma destas histórias foi investigada ao ponto de ser possível descartar a sua eventual ligação ao manuseio de armamento."

Também a publicação “OVNI’s EM ANÁLISE” da “PUFOI – Portuguese UFO Investigation (http://www.pufoi.com), 2008 Bubok Publishing S.L., 2ª edicão,  Impresso em Espanha por Bubok, relata mais uma vez este acontecimento da seguinte forma: - Ilha Terceira, Açores – 31 de Janeiro de 1968: O guarda das instalações militares “Azores Air Station”, Serafim Sebastião, observou quatro ocupantes de um objeto voador não identificado, que, a baixa altitude, sobrevoou o seu posto de vigilância. O objeto era de forma oval, com brilho metálico, e culminava numa espécie de torre de vidro, com pequena balaustrada. Devia ter cerca de 6 metros de comprimento e 3 de altura. Ao apontar o foco luminoso da sua lanterna na direção do artefacto voador, foi envolvido por uma espécie de nuvem de poeira, tendo o objeto desaparecido, enquanto ele perdia os sentidos.”

B-1B aterrando nas Lajes em 1994

Desde essa data que se ouvia falar deste assunto “à boca pequena”, como era próprio em tempos de “guerra fria” e de vigilância pidesca, em reuniões restritas de família, concluindo-se sempre que nada do que se contava sucedera, fosse lá o que fosse que misteriosamente tivesse acontecido naquela noite.
De facto essa noite de Janeiro de 1968 ficaria na nossa memória, bem como na memória do Serafim Vieira Sebastião (com quem tive oportunidade de falar muitos anos depois).
Sabe-se que pela madrugada desse dia último de janeiro, uma família terceirense era acordada por toques inusitados e insistentes de campainha (ao tempo eram escassos os telefones privados). A dona da casa levantara-se e rapidamente fora averiguar os motivos para tal inopinada chamada noturna. Abrira a porta a militares americanos, deslocados numa viatura militar e que pediam, com a maior urgência, para falar com o marido, que prontamente informado logo os atendera. Vestindo-se rapidamente, partira de imediato para a denominada “Estação dos Cinco Picos” alegando à família a existência de uma avaria grave “nos emissores” que teriam de ser prontamente reparados.

Passado que foi este acontecimento, muito tempo depois, e só depois da imprensa local ter divulgado da forma que aqui demos conhecimento, que um OVNI teria aparecido no centro da ilha junto aos “paióis dos americanos”, designação pela qual eram conhecidas algumas instalações americanas tipo “bunkers” subterrâneos, ficámos finalmente a saber que a deslocação tão urgente como precipitada naquela madrugada à estação de comunicações dos “Cinco Picos”, teria sido motivada pelo tal alegado fenómeno OVNI.



Uma inspeção nos anos 70 de um alto graduado militar à “Estação dos Cinco Picos”,
 centro de comunicações de alta tecnologia, cuja estrutura constituía uma autêntica caixa de Faraday que anulava qualquer interferência radio elétrica exterior. No seu interior o nível de rádio frequência era tão elevado que as lâmpadas fluorescentes mantinham-se acesas sem necessidade de estarem ligadas à corrente elétrica.






Pelo que soubemos, anos mais tarde, afinal nunca teria havido OVNI.



O Serafim Vieira Sebastião fora apanhado desprevenido numa ação surpresa de manutenção e prevenção de alta segurança planeada e executada pela USAF (United States Air Force) aos seus “paióis” e instalações próximas (Estação dos Cinco Picos), tendo deslocado para a zona algumas viaturas, entra as quais uma de combate a incêndios dos seus próprios bombeiros, sem que o pobre homem, a exercer funções de guarda nessa noite, tivesse sido informado com antecedência desta atividade.
Na realidade a descrição do Serafim Sebastião, é fidedigna. Na situação de guarda responsável pela segurança das instalações, e sujeito a um evento tão fora do comum e estranho quanto possível de imaginar àquela hora da madrugada, deverá ter tido uma ataque súbito de tensão arterial induzindo a desmaio subsequente, que posteriormente levou a uma interpretação errónea dos fatos, e assim, em vez de bombeiros viu “homens tinham uma viseira com um pouco de vidro e que a cor do fato era uma cor de chumbo” e que em vez de uma viatura dos bombeiros viu que “o objeto era de forma oval, com brilho metálico, e culminava numa espécie de torre de vidro, com pequena balaustrada”.
A esta descrição adiciona ainda no seu relato o fato de ter sentido uma “poeira” que o envolveu e que mais não era do que pó químico de combate a incêndios que por pura brincadeira lhe haviam atirado para cima. Aliás e mais tarde, por remorsos dos efeitos que esta brincadeira tivera no guarda Serafim, foi-lhe oferecida uma viagem aos EUA para visitar a família, a quem transmitiu sempre a sua versão dos acontecimentos. Naquele tempo os OVNIS estavam na moda.

De facto, pouco depois dessa data, a Navy dos EUA, deixaria de utilizar esses “paióis”, por razões de estratégia militar e sobretudo devido a este antecedente ter sido tão noticiado nos órgãos de comunicação social portugueses. Supostamente deslocaria as ogivas nucleares ali guardadas, e referidas por  Robert Harkavy, para uma zona situada muito próxima da própria Base das Lajes, onde estariam muito mais perto das pistas onde aterravam os B52, os B1-A e B1-B.



A entrada para a “Estação dos Cinco Picos” em 2013
depois de desativadas pelos norte-americanos todas as instalações ali anteriormente existentes e que incluíam uma central elétrica com 3 grandes unidades geradoras capazes na altura  de fornecerem energia para toda a ilha.






Estes aviões de longo curso faziam parte da geoestratégia de dissuasão militar, enquanto os P3C Orions, que residiam e operavam na Base das Lajes, serviam á data apenas para detetar submarinos e barcos-fábrica de pesca soviéticos ao largo dos Açores, fazendo o lançamento sistemático de milhares de sonares no oceano atlântico norte (Tactical Support Center - TSC/Antisubmarine Warfare Operations Center - ASWOC).

E assim nasceu mais uma história sobre OVNIS que ao tempo sempre serviam para encobrir ou desviar atenções de atividades relacionadas com a “Guerra Fria”.

(1) http://img.rtp.pt/mcm/pdf/840/84048a68b8df843f71c53c161fef5f071.pdf
 

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