quinta-feira, outubro 16, 2008

O cometa Holmes visto pelo Spitzer



Só agora foram divulgadas imagens do cometa Holmes visto pelo telescópio espacial da Nasa, o Spitzer, cuja habilidade é poder "ver" no espectro infravermelho. As suas imagens colocaram em evidência a existência de jactos de pequenas partículas de silica que parecem ser o resultado de uma explosão verificada no cometa, tal como a provocada no cometa Tempel 1 pela missão Stardust ou ainda pelo "outburst" co cometa Hale-Bopp em 1995 (acompanhámos ambos).
Interessante se compararmos a imagem do Spitzer com aquelas obtidas por nós, depois de devidamente tratadas com filtors de gradientes rotativos e que mostravam também os "streamers" ou jactos em torno do cometa com uma orientação exactamente consonante com a do vento solar.
Aqui ficam as imagens:






Mais informação aqui.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Observatório Astronómico da Ribeira Grande promove actividades de divulgação científica



“O Centro de Ciência da Ribeira Grande tem de se assumir como um espaço de excelência para a difusão da cultura científica na área da Astronomia, constituindo-se como parceiro da rede de instituições do Sistema Científico e Tecnológico Regional que contribuem para a consolidação da Sociedade do Conhecimento”. A afirmação foi feita por João Luís Gaspar durante uma visita àquela infra-estrutura com Ricardo Silva, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande no dia 14 deste mês.

Grupo degenera em tipo Bxo



O grupo de manchas solares que surgiram ultimamente, designadas globalmente por Região Activa 1005, numa classe moderadamente complexa e bipolar do tipo Dao, acabou por se reduzir a uma classe também bipolar mas aberta (Bxo), devendo nos próximos dias descomplexificar-se mais. A imagem aqui reproduzida foi feita hoje, entre muitas nuvens baixas e humidade com temperaturas que fazem lembrar os célebres "nevoeiros de S. João".

segunda-feira, outubro 13, 2008

O 1º Grupo de Manchas Solares significativas do 24º Ciclo



Da base da dados do NOAA`s Space Weather Prediction Center (SWPC) poder-se-á apreciar o quão diminuta tem sido a actividade do dínamo solar. Repare sobretudo na quebra abrupta verificada em Outubro de 2005, como se algo se tivesse modificado repentinamente no interior do Sol (inversão da polaridade ?). Apesar deste sobressalto de hoje, com este primeiro grupo significativo de manchas solares, o CS24 continua muito baixo.

OASA abre as portas ao público



O OASA - Observatório Astronómico de Santana Açores, abre finalmente as suas portas ao público esta semana, sob a alçada da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia e com novos equipamentos, tais como um planetário digital e um telescópio Celestron de 200mm e ainda um telescópio solar.



O objectivo, segundo O DRCT, será dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo antigo Núcleo Açoriano da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores.
Este pequeno núcleo (mas grande de alma !) contava nos seus registos com mais de 200 associados, núcleos em todas as ilhas (incluindo o Corvo onde até possuía sede própria!) e um extenso trabalho abrangendo sobretudo todas as escolas secundárias e EB2,3 do arquipélago com mais de 65000 entradas no Planetário tendo ainda percorrido todas as escolas secundárias do arquipélago da Madeira a convite do Governo Regional da Madeira.

Auguramos muitas felicidades à nova equipe do OASA e da DRCT e um profícuo trabalho de encontro às necessidades e aspirações da juventude açoriana.Como o fizémos antes, poderão agora contar com o nosso empenho e colaboração.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Planetários Europeus reúnem-se novamente em Espinho



Trocar experiências entre responsáveis de vários planetários é objectivo da 5.ª Conferência Europeia de Planetários Pequenos e Portáteis que hoje começou no Centro Multimeios de Espinho,e da qual já havíamos dado notícia aqui, numa organização em parceria com o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto.


Durante dois dias (9 e 10 de Outubro),pretende-se que os participantes fiquem a par dos novos desenvolvimentos que permitem melhorar os funcionamento dos “pequenos” planetários e, ao mesmo tempo, que fiquem a conhecer os seus congéneres internacionais. Há presenças de Espanha, Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Suécia e também dos Açores através da presença da Dra. Patrícia do Observatório Astronómico de Santana.
O encontro deverá terminar no sábado.

Entretanto, de fonte fidedigna, soubemos que o Observatório Astronómico de Santana conta com um novo planetário que deverá percorrer novamente todas as escolas dos Açores. Este planetério conta com nova tecnologia digital e um novo sistema de projecção de video e imagens.

A mesma fonte garantiu-nos que o Observatório abrirá ao público na próxima terça-feira, dia 14 de Outubro, estando previstas sessões de apresentação junto aos Conselhos Executivos das Escolas Secundárias de São Miguel.
Aguardamos com espectativa este novo arranque.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Precisão de cálculo

Chamava-se 8TA9D69 e foi o primeiro asteróide a ser descoberto com previsões de alto risco de impacto na Terra. E assim foi...a entrada na atmosfera terrestre desagregou-o, pois possuia um diâmetro de 2m, e aconteceu sobre o Sudão eram 02h45m45s. Só foi visto por um voo da KLM que cruzava na altura os céus.
Este asteroide foi descoberto a 6 de Outubro pelo Observatório do Monte Lemon com uma magnitude de cerca de 30.5.
Aqui fica um set de imagens (18x30s) do astrónomo amador François Kugel obtidas a 6 deste mês.



Ligações importantes:
http://www.minorplanets.org/OLS/2008_TC3/

quarta-feira, outubro 01, 2008

Sol: 2008 o ano com menos manchas solares


Acompanho a actividade solar em pormenor desde 1996, tendo produzido muitas imagens (alguns milhares)relativas ao 23º ciclo solar. Mesmo em época de minímo, não me lembro de um ano tão baixo em contagens de manchas solares como o de 2008. A Nasa dá também nota deste assunto aqui.

terça-feira, setembro 30, 2008

Ocultação


O asteróide 1726 Hoffmeister vai ocultar a estrela TYC 0616-00812-1 no dia 4 de Outubro entre as 04h12m e as 04h30m UT. Se as condições atmosféricas o permitirem talvez seja possível fazer um pequeno filme da passagem do asteróide, se bem que apesar do asteroide ter 26km de diâmetro possua uma magnitude de 16, a estrela ocultada é muito mais brilhante (10.5), não nos encontremos , na ilha de São Miguel, na posição ideal para ver o acontecimento. A duração prevista será apenas de uns escassos 2,3 segundos. Aqui deixo o mapa do evento que poderá ser seguido nas ilhas do grupo central. O grupo oriental estará fora da faixa de ocultação da estrela.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Resultados da Conferência da NASA sobre a Actividade solar



Pelos vistos a opinião da NASA identifica-se com a minha:

"How unusual is this event?

It's hard to say. We've only been monitoring solar wind since the early years of the Space Age—from the early 60s to the present," says Posner. "Over that period of time, it's unique. How the event stands out over centuries or millennia, however, is anybody's guess. We don't have data going back that far."

Veja o assunto aqui.

terça-feira, setembro 23, 2008

Problemas com o Sol ?



A NASA promove hoje pelas 12:30 EDT, uma teleconferência de imprensa sobre os dados mais relevantes da missão conjunta NASA-ESA Ulisses.
O 24º Ciclo Solar iniciou-se com uma actividade muito baixa, mais baixa que o normal. Contudo quão anormal é esta actividade, não o sabemos ao certo porque só agora, com mais enfase desde os fins do século passado, se iniciaram os estudos em pormenor da actividade global do Sol.
Apesar de tudo, hoje, por acaso,registou-se o aparecimento de um pequeno conjunto de manchas solares da classe BXI e que continuam a revelar uma polaridade inversa às do anterior ciclo, confirmando mais uma vez que entrámos definitivamente num novo ciclo. Apesar de tudo alguns apostam que o numero de manchas solares será cada vez menor, podendo levar a uma nova pequena idade do gelo - como no Maunder Minimum, que aconteceu entre 1645 e 1715. Num dos meus trabalhos sobre o Sol, nomeadamente aquele que levou à publicação de um CD-Rom sobre o 23º Ciclo Solar, apontava para essa hipótese, face à existência de muitas anormalidades nesse ciclo, e transmiti essa ideia em muitas palestras realizadas na altura. A ver vamos!
Vejam aqui um pouco deste assunto.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Memórias das novas tecnologias dos anos 40 do século XX

A primeira Emissora de Rádio dos Açores
LBS –Local Broadcast Service


A primeira estação emissora de rádio nos Açores foi a LBS, acrónimo de Local Broadcast Service e data de fins dos anos quarenta (pós-guerra). Só muitos anos mais tarde haveria a Força Aérea Portuguesa na base das Lajes de emitir com a sua própria estação.
A LBS, sedeada na Base das Lajes numa “barraca” redonda metálica do exército americano, no tempo em que os Americanos haviam acabado de se instalar na ilha Terceira, foi concebida e construída por João Fernando Goulart Bettencourt Pereira Porto e pelo engenheiro da RCA, Mr. Cavallini. Na altura o exército norte americano contratava directamente os técnicos da RCA e West Company para instalarem os equipamentos comercializados por estas. João Porto haveria mais tarde de pertencer ao Esquadrão de Sistemas de Informação pelo qual passariam muitos informes da Guerra Fria e que serão motivo de outras memórias aqui neste blog.
Meu pai acabaria por fazer 40 anos de serviço a cargo do Exército e da Marinha dos Estados Unidos da América como atesta o documento assinado por Donald A. Rigg e aqui reproduzido do Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América do Norte, para além daqueles anos ainda passados ao serviço dos ingleses durante a 2ª Guerra Mundial.
A “barraca” onde funcionava o emissor de rádio, situava-se na Base das Lajes perto do local onde hoje estão instalados os Correios e o célebre hipermercado americano, conhecido popularmente na ilha Terceira por “Piécse”, e estava dotada de um pequeno recinto com um palco onde havia um piano para transmissões em directo.
Esta primeira estação radiofónica contava com uma emissor de 20 watts cedido pela Marinha Americana e podia ser ouvida em toda a ilha Terceira e ainda na costa norte de São Miguel na banda AM. A banda FM não existia na altura! Para além da divulgação de música gravada em discos muito pesados de vinil compacto e grosso de 33 rotações, tinha o encargo de transmitir as missas dominicais em número de três, a judaica, a cristã e a protestante, num altar que rodava 3 vezes de acordo com o público religioso.
Para além disso tinha mais duas linhas aéreas directas com um microfone dedicado em cada uma para transmissão de outros eventos tais como jogos de salão e bailes.
Conta quem sabe e o fez, que o cristal deste emissor foi burilado à mão empregando pasta de dentes até ter a espessura necessária para emitir em determinada frequência. Contudo com a dissipação de calor produzido pelo aparelho a frequência tornava-se por vezes errática, acabando por interferir com uma outra de um emissor também americano localizada na cidade da Horta, ilha do Faial e por esse motivo motivando esporadicamente protestos de natureza “técnica”.



A imagem mostra o rádiotécnico português, João Fernando Goulart Bettencourt Pereira Porto, meu pai, responsável pela operação da estação, e o respectivo emissor de 20 watts em manutenção.



Jornal "A União" nos anos 60.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Nuvens noctilucentes

18 de Setembro de 2008,20:00UT, Ponta Delgada

Nuvens noctilucentes surgiram logo após o pôr-de-sol, adquirindo aspectos de cor variada, filamentosa, desde o prateado ao esbranquiçado transparente.



Semelhantes a cirros ténues, em regra azuladas ou prateadas, e às vezes entre alaranjadas e vermelhas, parecendo ser constituídas por poeira cósmica muito fina a altitudes entre os 70 e os 90km onde já não existe humidade. A sua existência é atribuída também a factores de mudanças climatéricas, nomeadamente com os níveis de CO2 e metano devido ao aquecimento global.
A esta latitude é extremamente raro surgirem este tipo de nuvens tendo o seu numero crescido muito nas regiões polares nas últimas décadas.

segunda-feira, setembro 15, 2008

1ª foto de um planeta extrasolar em 1RXS J160929.1-210524




As ópticas adaptativas do Gemini North Telescope deram já os seus frutos ao descobrirem um planeta extrasolar na estrela pretencente à constelação do Escorpião e denominada 1RXS J160929.1-210524 e com uma massa 8x a do planeta Júpiter.
Pela primeira vez obteve-se uma imagem de um planeta extrasolar. Ver notícia aqui.

5ª Conferência Europeia de Planetários Pequenos e Portáteis


5ª Conferência Europeia de Planetários Pequenos e Portáteis

9-11 Outubro 2008
3º Anúncio


A Fundação Navegar, e o Centro de Astrofísica da Universidade do
Porto, tem o prazer de anunciar a 5ª Conferência Europeia de
Planetários Pequenos e Portáteis, que terá 9 a 11 de Outubro de 2008.

Os planetários pequenos e portáteis tem um grande impacto tanto no
ensino da Astronomia, como na divulgação científica em geral. É pois,
importante discutir as diferentes e mais recentes formas de
transmitir conteúdos, de modo a criar um impacto ainda maior nas suas
audiências.

Um aspecto importante de analisar o impacto que as novas tecnologias
digitais têm neste tipo de planetários e analisar que mudanças podem
trazer às abordagens tradicionais, quais as suas possibilidades e
desafios. Com a chegada dos sistemas digitais, os planetários
pequenos e portáteis são, em muitos casos, uma combinação poderosa.
Eles possuem agora a capacidade técnica dos seus "irmãos maiores",
mas sendo mais simples e fáceis de operar e manusear.

Discutir e trocar experiências, abordar formas modernas e inovadoras
de interacção com diferentes públicos alvo, estabelecer colaborações;
são apenas alguns dos objectivos a atingir com esta conferência.
Pretende-se neste evento reunir a comunidade desta área, trocando
experiências e saberes.

Esta conferência está aberta a submissões de trabalhos por parte
daqueles que pretendam partilhar as suas experiências seu trabalho e
conhecimentos, sob o formato de poster, apresentação oral ou workshop.

Toda informação está disponível no site da Conferência:
http://ecspp2008.multimeios.pt.

Pela comissão organizadora
Doutor António Pedrosa

sexta-feira, setembro 12, 2008

Portugal no LHC

Sabiam que para além da participação de 200 cientistas portugueses outras 3 empresas portuguesas forneceram equipamentos (EFACEC, A. Silva Matos Metalomecânica de Sever do Vouga - forneceu os reservatórios de aço para o hélio; e a ACL-Indústria de Componentes)e ainda o Instituto de Soldadura e Qualidade que controlou a qualidade antes, durante e depois da montagem dos principais componentes do LHC, como os cabos supercondutores, o próprio túnel e a linha de arrefecimento por hélio ??
Pequeninos mas grandes em alma!

quarta-feira, setembro 10, 2008

Por esta hora Hawking tinha razão - Large Hadron Collider




Entrou hoje em funcionamento o Large Hadron Collider, que irá criar condições para estudar os primórdios do aparecimento do nosso Universo, recriando as condições iniciais do Big-Bang.
Tem-se colocado a questão sobre o perigo que seria o seu funcionamento criar mini buracos negros que engoliriam o nosso planeta. Aqui fica um artigo sobre o assunto do Instituto americano de Física
Poderão apreciar o "status" do acelerador neste link.

segunda-feira, setembro 08, 2008

50 Maravilhas que deve ver antes de morrer



A revista britânica "BBC Sky at Night" de Agosto publica uma lista das "50 Wonders you must see before you die".

Eis o "top ten":

1. Eclipse total do Sol.
2. Uma aurora.
3. Uma bola de fogo meteórica.
4. As galáxias cadeia de Markarian (na constelação da Virgem).
5. Um cometa brilhante.
6. Um fenómeno lunar transiente (impacto de um meteoróide na superfície lunar).
7. O Gegenschein.
8. A Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães.
9. A galáxia Bode M81.
10. Um eclipse solar anular.

Faltam-me o 6 e o 8 !

M31 - galáxia de Andrómeda



M31, 09 Ago 2008 - Rocas do Vouga
Canon 350mm, 135mm, ISO800, 1200 segundos

Os longinquos Urano e Neptuno



Neptuno
09 Ago 2008 - Rocas do Vouga
Canon 350D, ISO800, 17x60s



Urano
09 Ago 2008 - Rocas do Vouga
Canon 350D, ISO800, 17x60s

quinta-feira, setembro 04, 2008

Região do Sagitário



09.08.2008
Sanfins, Rocas do Vouga
Região do Sagitário
Canon 350D 135mm
12x90segundos



07.08.2008
Sanfins, Rocas do Vouga
Região do Sagitário
Canon 350D 135mm
3x60segundos



07.08.2008
Sanfins, Rocas do Vouga
Região do Sagitário
Canon 350D 135mm
4x60segundos

quarta-feira, setembro 03, 2008

A Lua em Agosto



No dia 4 de Agosto surpreendemos a Lua em Quarto Crescente muito próxima do horizonte oeste. Imagem obtida em Sanfins de Rocas do Vouga.

Constelação de Satélites Artificiais

Júpiter no Sagitário





Estivemos em Rocas do Vouga onde munidos com uma Canon 350D e uma lente de 135mm "apanhámos" o planeta Júpiter na constelação do Sagitário. Exposição unica de 80 segundos a 800ISO.
Vénus apresentava-se a oeste muito baixo no horizonte com a Serra do Arestal a cobrir a sua retirada.

Eclipse Parcial da Lua



No dia 16 de Agosto, apesar do mau tempo que se fez sentir no Continente Português em particular na zona onde passava férias, Praia da Barra em Ílhavo, assistimos ao eclipse parcial da Lua sob uma intensa poluição luminosa com o farol da Barra lançando os seus jactos de luz intermitente e com dezenas de pescadores na foz da barra munidos com luzes frias à cata do peixe que tardava no anzol. Aqui fica um parco registo do acontecimento.A destacar na imagem o aspecto da faixa azulada produzida pela sombra do nosso planeta na Lua, devido ao ozono existente nas altas camadas da atmosfera terrestre.

Sócio da AAAM



Em Agosto tive uma grata surpresa no meu correio: a recepção do cartão de sócio nº38 da Associação de Astrónomos Amadores da Madeira. Agora sinto-me como mais um elo de ligação entre os dois arquipélagos e espero no futuro saber corresponder a mais esta responsabilidade. À AAAM o meu muito obrigado por aceitarem a minha participação.

Artigo no Diário de Notícias



Na edição de 17 de agosto de 2008 tive a grata surpresa de ler um artigo sobre as observações internacionais de asteróides levadas a cabo pelo amigo Rui Gonçalves de Tomar e sócio antigo da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Uma Astronomia no Verão nos Açores

por

Paula Alexandra da Silva e Costa
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2002 da revista C&T da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia)

A “Astronomia no Verão” nem sempre é uma tarefa fácil para aqueles que se propõem realizar sessões públicas a céu aberto, sobretudo numa região como os Açores e, sobretudo, quando o
Verão não é “tão” Verão assim!

Este ano (2002), o clima revelou-se muito instável e amiúde o céu ficou encoberto por longos períodos de tempo. Depois foi só ver as caras de desalento de todos aqueles que se dirigiram aos pontos de encontro para sessões de “Astronomia no Verão”. Mas, pior mesmo foi quando choveu copiosamente, obrigando a recolher a abrigos temporários com o material a tiracolo, ou impedindo até que, sequer, se pensasse em sair à rua!
Aí, foram os telefonemas de pessoas que, já conhecedoras do clima incerto da sua terra, se encheram de esperança e arriscaram perguntar se, apesar daquela chuva, pensávamos ainda vir a “fazer alguma coisa”.
E lamentamos! A Astronomia óptica é, talvez, uma das áreas mais atraentes da ciência pela sua beleza, mas requer material dispendioso e demasiado sensível e, sobretudo, um céu limpo de nuvens, poeiras, humidade e poluição luminosa. Sem estas condições reunidas, provavelmente, a única coisa que se irá conseguir será gente desiludida porque não está “a ver nada”, ainda que se lhe diga “olhe para o quadrante inferior direito”.
Ainda assim, lá se foram conseguindo alguns serões interessantes, com um ou dois já a entrarem pela madrugada. É que mesmo com condições climatéricas adversas, sempre vão aparecendo o Sol, que é continuamente uma surpresa com todas as suas manchas e erupções, e a Lua que perdura a encantar o ser humano, especialmente quando se observam os pormenores da sua superfície. E depois sobram as conversas, as revistas, as fotografias sobre o tema.

Em encontros de Astronomia não são raras as vezes que grupos de pessoas que inicialmente não se conheciam acabam a conversar animadamente sobre um assunto que as liga porque a todas se revela interessante.
Os encontros de Astronomia também têm a particularidade de se manifestarem, por vezes, não apenas divulgadores de ciência, mas também de cultura geral e popular. Na segunda semana de Agosto estivemos em Santa Maria a participar na “Semana da Juventude”. Levamos connosco aquele que é, possivelmente, um dos telescópios mais viajados desde sempre, um ETX da Meade com abertura de 90 mm e distância focal de 1250 mm. Quanto às sessões de Astronomia foram integradas num vasto programa que incluía desde poesia e uma exposição de artes plásticas até concertos, animação de rua e parapente.
Se bem que, mais uma vez devido às condições climatéricas, algumas actividades tenham sido canceladas ou adiadas, tendo as observações astronómicas estado entre as infelizes contempladas, conseguiu-se, contudo, explicar aos muitos jovens (de espírito) ali presentes como se opera com um telescópio, se lê um mapa do céu, ou se recorre às estrelas para orientação. Mas mais importante do que isso, conseguiu-se estabelecer um diálogo onde se discutiu a influência de algumas ciências exactas no desenvolvimento do raciocínio e, em última análise, da Astronomia. Houve mesmo jovens que chegaram a inquirir-nos sobre teorias correntes em Astronomia e a formular hipóteses que procuravam explicar determinados fenómenos. Correctas ou não, estas hipóteses mostraram-se extremamente válidas enquanto exercícios mentais.

Pouco tempo antes do nosso regresso antecipado a São Miguel, devido a uma virose que singrava por aquelas paragens, conseguimos, então, por breves instantes, mostrar alguns objectos de céu profundo do catálogo de Messier, M13 (um enxame globular), a dupla de Perseu, M31 (a galáxia Andrómeda), M27 (uma nebulosa planetária), bem como o Binário Mizar, na constelação da Ursa Maior e o planeta Júpiter com as suas quatro maiores luas, Io, Calisto, Ganimedes e Europa.

Três dias após o nosso regresso, iniciámos a descida para a Rocha da Relva onde decorreu outra sessão de Astronomia também menos feliz no que respeita a observações de corpos celestes, mas que, em contrapartida, se revelou uma experiência humana muito grata.
A “viagem” iniciou-se às 9:00 h, mas só por volta das 10:30 h se começava a descida propriamente dita, pois os preparativos foram complexos e demorados. O nosso “velho” ETX e respectivo tripé seguiam devidamente acomodados nos alforges do Chico e da Micá, que por sua vez era seguida pelo Jardel – três excelentes burros que constituem, para além do ser humano, o único meio de transporte que pode fazer o percurso até à Rocha da Relva. E, equipados de mochilas com os objectos pessoais, as oculares e um filtro solar seguimos, com os burros e os Amigos da Rocha da Relva, até uma casinha branca, com não mais de 16 m2 e junto da única Eurocária existente na Rocha, onde ficámos albergados, pois a subida não poderia ser empreendida durante a noite.


“Histórias de Astros com chuva”
A descida para a Rocha da Relva: o burro leva o telescópio ETX e o tripé da JMI. Na foto Paula Costa e Aníbal Raposo.

Uma vez aí, as condições climatéricas mostraram-se novamente adversas, e para além do Sol e da Lua, os únicos “corpos” observados com o telescópio foram os garajaus, um veleiro que passou na linha do horizonte e um grupo de golfinhos.
Acabaram, no entanto, por se revelar bastante úteis pois permitiram, uma vez mais evidenciar o funcionamento e as características de um telescópio.
Conseguimos ainda, a olho nu, observar alfa-Scorpius e descrever o processo turbulento que se desenrola nessa estrela.
O resto do tempo foi ocupado da forma mais agradável possível. O nosso anfitrião, Aníbal Raposo e um grupo de músicos por ele convidado, à luz de archotes, obsequiaram todos aqueles que até ali se tinham deslocado com músicas do cancioneiro popular dos Açores, de Zeca Afonso e da sua autoria. Quanto a estrelas, só mesmo essas e aquelas que quase vimos quando, no outro dia pela manhã, terminamos de subir a falésia!

Ainda em S. Miguel, foram também realizadas sessões em Água de Pau orientadas pelo associado, Paulo Pereira, que, aliás, continuará a efectuá-las ao longo do ano, integrando-as nas actividades do Clube de Astronomia da Escola e permitindo, assim, aos espacialmente mais afastados do OASA, continuar a usufruir do vasto conteúdo desta atractiva ciência.

Na Terceira, a nossa sócia, Maria João Miranda, orientou as sessões, que foram objecto de extensa cobertura jornalística naquela Ilha, e manifestou-se bastante satisfeita com o conjunto de pessoas que afluiu aos pontos de encontro. Destacou, sobretudo, a presença de famílias onde predominavam as crianças que evidenciavam a sua curiosidade em relação ao tema. As actividades desenvolvidas, a par das observações, centraram-se na análise de mapas celestes, identificação de planetas e dissertação acerca dos objectos celestes observados e os binóculos e telescópios, para além de material didáctico, foram os materiais utilizados.


AV2002 na Terceira

A nossa sócia enfatizou, ainda, o ambiente de diálogo e troca de informação que se estabeleceu entre os presentes, o interesse crescente da população terceirense nestas actividades e a intenção de as continuar a desenvolver em fases distintas do ano, faltando, para tal, apenas uma sede. A existência deste espaço permitiria a todos os interessados reunirem-se para trocar impressões, realizar observações ou pesquisa acerca de uma ciência que parece merecer um interesse crescente por parte da população e dos órgãos administrativos, não só da Região como além fronteiras.

No Corvo, com João Cardigos, o número de sessões também não foi extenso, mas o interesse e a adesão da população foram recompensadores e, depois, os astrónomos amadores Corvinos podem mesmo sentir-se “enriquecidos” pois inauguramos este Verão, com a colaboração da Câmara Municipal da Vila do Corvo, a nossa sede nessa Ilha num local sobranceiro à Vila. Esta sede, onde se pode pernoitar, está mobilada e dotada de equipamento astronómico (um dobsoniano de 12”) e aberta ao turismo científico.

Em jeito de balanço, podemos afirmar que todos os sócios e colaboradores que efectivaram a “Astronomia no Verão” pelo Arquipélago se mostraram insatisfeitos com o baixo número de sessões realizadas, mas optimistas e sensibilizados com a grande afluência de pessoas interessadas.

quinta-feira, julho 31, 2008

Memórias 5 – Sistema Solar catastrófico

Em Agosto de 1993 havia adquirido no Canadá, numa loja da Eftonscience perto de Toronto, um reflector de 8” a f/6 com uma montagem dobsoniana. Era para o tempo uma novidade tal sistema operativo para telescópios.
Comprar foi fácil comparado com a odisseia para o trazer até aos Açores. Para poder passá-lo na alfândega tive que o desmontar completamente e distribuir pelas malas, espelhos primário e secundário, focador helicoidal, Telrad, ópticas e ainda as partes em madeira da montagem dobsoniana. Restava um longo tubo que teria de ser condicionado numa não menos menor caixa de papelão preenchida com esferovite expandida, que a própria Eftonscience fez o favor de providenciar.
Quando cheguei à alfândega do aeroporto de Ponta Delgada, apresentavam-se pela frente dois esmerados funcionários da alfândega que logo, de canivete de ponta e mola em punho, se prestavam a esventrar a dita caixa. Correram-me suores frios ao pensar que o tubo poderia ser atingido, coisa que por sorte não aconteceu. Caricata foi porém a minha justificação para passar com um tubo daqueles, feito em cartão prensado: o meu filhote (quem não se condoiria com a vontade de uma criança…!), tinha-me tirado o juízo para trazer um tubo daqueles para poder-lhe construir um telescópio, e dado que um tubo de papelão com as medidas certas, não podia ser feito nos Açores, e dado que o seu valor era irrisório, pensava que não iria constituir problema na alfandega… e passou!!




Foi com este telescópio que vi o resultado do impacto do cometa P/Shoemaker-Levy 9 em Júpiter assistido pelo meu filho João Pedro, na altura com apenas a idade de 10 anos.
É da sua autoria o “sketch” aqui presente, feito em 20 de Julho de 1994 pelas 22:30 horas locais no quintal da nossa casa sita ao Bairro Económico nº 55 em Ponta Delgada.



Como na altura ainda não fazia astrofotografia, só este desenho comprova esta história.
Não é por ser meu filho, mas com toda a honestidade: dez anos e fazer um “sketch” destes…é obra !! Reparem no pormenor da Grande Mancha Vermelha e nas bandas atmosféricas e comparem este “sketch” com a fotografia do Telescópio Hubble. Mais importante ainda (sou um pai vaidoso!) reparem na assinatura e na letra tão bem feitinha. Já não se faz disto !



O tubo na sua montagem dobsoniana, logo viria a sua performance melhorada no ano seguinte com a execução de uma plataforma equatorial devidamente motorizada pela TLSystem da Califórnia. Esta plataforma feita em dexion metalizado concebido para montar estantes, viria a ter destaque na página web da TLSystem com uma fotografia. Permitia-me seguir o movimento do céu com bastante acuidade para observação visual com ocular de 5mm.
A observação dos efeitos do impacto do cometa P/Shoemaker-Levy 9 foi feita com uma ocular de 25mm, destacando-se perfeitamente 3 grandes “crateras” na atmosfera do hemisfério sul do planeta Júpiter, nomeadamente os impactos A, B e C, que de 16 a 22 de Julho de 1994 foi atingido repetidamente pelos 21 fragmentos do cometa com mais de 2 quilómetros de diâmetro.
Foi a primeira vez que se observaram colisões entre dois corpos do sistema solar com efeitos tão devastadores.


Imagem do Hubble na banda IV

terça-feira, julho 29, 2008

Memórias 4 - Balões e OVNIs




Decorria o ano de 1970. Eu e o Jorge Pimentel Melo tínhamos um “laboratório” no sótão da casa de uma tia dele, situada na Rua dos Canos Verdes em Angra do Heroísmo, com uma aprazível vista sobre a baía. O nosso “laboratório”, um autêntico laboratório de físico-química, supria clandestinamente as suas necessidades na farmácia do tio (a Farmácia Pimentel na Rua da Sé), que nos fornecia quase todos os produtos químicos e alguns utensílios. Digo “quase todos” porque o laboratório do velho Liceu na Ladeira de São Francisco, também era um recurso frequente.
O “laboratório”, como nos era familiar, tinha três grandes janelas de guilhotina que davam para a rua e mais duas que situadas nas traseiras, davam par o quintal do imóvel. Tínhamos por nossa conta quatro grandes quartos, um dos quais era o “laboratório” devidamente acautelado e fechado à chave. Era ali que reproduzíamos todas as experiências que os livros de química do 6º e 7º anos do Liceu nos aconselhavam a fazer. E outras experiencias, das quais as mais perigosas tiveram a haver com a produção de produtos altamente explosivos (dinamite, pólvora e cocktails Molotov ).
Os outros quartos eram reservados para experiências de maior dimensão fisíca e um deles para as nossas jogatinas de xadrez com o célebre Leôncio, figura típica de Angra, de inteligência acutilante que ganhava qualquer partida de xadrez com os mais afamados jogadores da praça de Angra e que tinha por particularidade o facto de nunca calçar peúgas e usar um cordel a amarrar as calças muito puídas. Normalmente atraíamos o velho Leôncio, de longas barbas brancas que impunham respeito e eram mais próprias de um filósofo, com umas queijadas de feijão (as suas preferidas) feitas com esmero pelo Jorge Melo e umas garrafinhas surripiadas de vinho abafado da lavra de meu pai do Porto Martins.
Foi num desses quartos que erigimos o nosso primeiro (e último balão!) de papel a ar quente.
Tínhamos planeado, construir um balão logo no início do ano, para que durante as Festas de São João (as Sanjoaninhas) de Angra do Heroísmo fosse lançado.
O balão, feito com papel de jornal e cola de farinha – grude, possuía uma estrutura leve de verga que o sustinha elevado quando necessário. Passámos praticamente meio ano em colagens e demos-lho por pronto mesmo a tempo de ser lançado na data prevista.
Como o tecto do sótão se desdobrava em duas abas, sendo muito alto ao centro, onde passava a trave mestra, era-nos permitido ensaiar o balão. A fonte de ar quente, nada mais era que uma lata grande cheia de desperdício com petróleo, que ateado aguentava uns bons quinze minutos a arder, permitindo o balão elevar-se rapidamente, dada a sua estrutura leve.
Era a nossa primeira experiência nesta temática do uso da atmosfera e das suas propriedades físicas dinâmicas, que nos preenchia o imaginário e, para tal tínhamos que ter sucesso, pois o investimento em tempo e algum dinheiro (que era escasso na altura) não iriam permitir repetir a experiência com aquela dimensão (o balão tinha 3,5 metros de altura com um diâmetro de 1,5 metros).
Assim, cronometrada toda a operação de lançamento, combustível necessário e estudadas a fundo as melhores previsões meteorológicas disponíveis, optámos por fazer o seu lançamento no dia “maior” das Festas da Cidade, isto é, na noite do cortejo da rainha das festas.
Aproveitando o escuro da noite, deslocamo-nos para os cerrados situados junto ao Posto Meteorológico, onde havia suficiente espaço aberto para a nossa experiência.
Ao lançarmos o balão, por mais incrível que pareça, o vento mudou, e eis senão quando vimos o nosso portentoso e bojudo balão, quão avantesma fantasmagórico luminoso subindo nos céus em direcção à cidade de Angra.
Angustiados, temíamos que o balão por qualquer razão viesse a cair em cima de alguma habitação, incendiando-a ou provocando estragos de monta. Felizmente, nenhum dos nossos piores receios viu-se concretizado. O balão atravessou na diagonal toda a cidade de Angra indo provavelmente cair no mar.
O mais interessante de toda esta história, foi no dia seguinte termos sabido que corria a notícia de que Angra havia sido sobrevoada por um OVNI !! Soube da notícia no café-pastelaria Athanásio, onde se juntava sempre um grupo célebre de comentadores do dia-a-dia

quinta-feira, julho 24, 2008

Memórias 3

Nos tempos que correm tornou-se corriqueiro falar em tecnologia CCD e agora mais recentemente na tecnologia CMOS, com o aparecimento em massa de aparelhos de fotografia digital e câmaras vídeo. O grande público, o povo, passou a ter acesso a estas tecnologias a baixos preços de mercado ou a crédito (bem ou mal parado!), não fosse o século XX considerado o “Século do Povo”, em especial para o nosso país que em 25 de Abril de 1974 saía da idade média.
CCD sendo o acrónimo de Charge-Coupled Device é de forma muito resumida um fotodetector que converte luz em cargas eléctricas, tendo sido inventado em 1969 por Willard Boyle e George E. Smith dos Laboratórios Bell da AT&T. Na base deste fenómeno encontra-se o conhecido Efeito Fotoeléctrico, explicado em 1905 por Einstein, no qual os electrões são emitidos por uma placa de metal depois da absorção de energia com determinado comprimento de onda produzida por radiação electromagnética, tal como luz visível ou raios X. Este fenómeno veio comprovar a teoria dos Quanta em que a radiação electromagnética é tratada como “pacotes” de energia e não como “onda” (e=hν).
Desde tenra idade que me dedicava a leituras de índole científica, e tudo o que fosse relacionado com Física Nuclear e quântica era integralmente “devorado”. Difícil era encontrar bibliografia sobre estes assuntos. Minha Bisavó dava-me uma semanada de 10$00 que adicionada a outra semanada de meus pais em igual valor, permitia-me ir ao cinema aos sábados e comprar a literatura que no mercado livreiro ia aparecendo esporadicamente. A divulgação científica destes assuntos era esparsa e pouco consistente e dependia quase integralmente de autores estrangeiros que eram traduzidos (bem ou mal!). Aos poucos descobri que as Bibliotecas itinerantes da Gulbenkian e a Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo possuíam muitos trabalhos. Apesar da minha dificuldade em compreender determinados assuntos, nada me fazia esmorecer o entusiasmo.
O impacto destas leituras, como é lógico, faziam-me sonhar com a concepção de aparelhómetros. Ainda por cima, sendo meu pai detentor de uma oficina de electrónica e de rádio, tudo era mais fácil. Vários foram os aparelhos concebidos e executados por mim ao longo dos finais dos anos sessenta. Poderei referir um Espintariscópio, um Electroscópio de folhas de alumínio a vácuo produzido por uma corrente de água e uma Câmara de Nevoeiro para detecção de partículas alfa e de Raios Cósmicos.



O Espintariscópio, deu-me um certo gozo fazê-lo: uma simples caixa de chumbo (o contributo da canalização em chumbo da minha casa, devidamente derretida!) com resíduos radioactivos (pintura luminosa de vários relógios de pulso !!) e uma ocular feita com lentes de máquina fotográfica, permitiam-me ver o resultado do choque das partículas alfa com as moléculas do ar, produzindo cintilações, ou numa pequena placa de sulfureto de zinco, quando excitava os resíduos radioactivos com uma forte luz branca. Hoje em dia é um brinquedo educativo que muitos centros Ciência Viva utilizam.

O Electroscópio, usando uma campânula de vidro onde fazia um vácuo muito relativo, sustinha na vertical duas folhas de alumínio muito finas. As partículas alfa interagiam fortemente com o meio material das folhas de alumínio sendo facilmente absorvidas. É sabido que a interacção das partículas alfa (núcleos de hélio) com o meio faz-se essencialmente através de colisões com os electrões atómicos. Isto fazia deslocar as folhas mostrando a existência de fortes cargas eléctricas (Curva de Bragg). Uma das fontes radioactivas utilizadas por mim, era um pequeno frasco que continha 30 gramas de Nitrato de Urânio (UO2(NO3)2.6H2O). Esteve na minha posse até 1984, data em que o doei à Universidade dos Açores, por receio de poder a vir afectar o meu filho, João Pedro que entretanto havia nascido. Este frasco havia sido descoberto numa prateleira de uma farmácia da Praia da Vitória e destinava-se, ao que parece, a tratamentos “homeopáticos” !!.
Outra fonte radioactiva utilizada era uma placa metálica extraída de uma válvula gigantesca arrefecida a água e utilizado pelos grandes receptores das comunicações americanas. Nesse tempo, bastava ir a um sucateiro para ser possível encontrar materiais deste tipo e ainda outros de maior perigosidade para a saúde pública e ambiente.
Uma das experiências que gostava de fazer era irradiar uma placa fotográfica e depois revelá-la para mostrar a impressão deixada por estes materiais. Outra era irradiar pequenos insectos ou coleópteros para os ver morrer de um dia para o outro. Hoje não repetiria estas experiências !!

A Câmara de Nevoeiro era de uma concepção extremamente simples e com ela conseguia visualizar os efeitos da radiação ionizante na formação de pequenos traços deixados pelas gotículas de água.

Mas, um dos meus sonhos era poder utilizar o efeito fotoeléctrico para captar pequeníssimas quantidades de luz, quase fotão a fotão, para produzir imagens electrónicas (hoje em dia dizem-se digitais) de objectos situados na imensidão profunda do espaço. Nunca cheguei a concretizar este sonho e só há bem poucos anos consegui amealhar alguns cobres que me permitiram adquirir no Canadá (Eftonscience) um câmara ccd não arrefecida, conhecida como CWIPS e com a qual fiz a minha introdução na astrofotografia.



Marte em 18 de Março de 1997 com a ccd CWIP-S, ETX90 e barlow 2x

Hoje em dia possuo algumas câmaras ccd e outras com tecnologia CMOS, com as quais faço as minhas fotografias astronómicas sendo possível captar objectos de magnitude próxima de 18, facilmente detectando Supernovas ou pormenores de galáxias longínquas.

Um sonho que se tornou realidade.



Neste tempo, não falhava o Star Treck na TV Americana Lages Field Azores.
Só muitos anos mais tarde consegui um Celestron 8” f/10. De sonho em sonho aprendi a não desistir e a lutar.