http://atlanticsatelliteprogramme.org/
Um olhar telescópico da Região Autónoma dos Açores, ilha de São Miguel, sobre os fenómenos astronómicos que acontecem no Universo mais próximo.
terça-feira, setembro 25, 2018
quinta-feira, setembro 06, 2018
quarta-feira, agosto 01, 2018
Marte mais próximo da Terra
Pelas 22:00 horas locais e com o planeta Marte muito baixo no horizonte e com a presença de ondulações térmicas dos telhados das casas depois de um dia quente e ainda na presença de um candeeiro de iluminação pública de sódio e de dentro do meu escritório virado a sul, ou seja na presença de todas as variáveis indesejadas para fazer astrofotografia planetária, conseguimos "dar à luz" esta imagem de Marte no seu perigeu.
Imagens de Marte foram publicadas em 02 agosto 2018 em artigos de Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, em alguns jornais regionais:
http://www.postal.pt/2018/08/o-ceu-de-agosto-de-2018/
https://elvasnews.pt/o-ceu-de-agosto-de-2018/
http://www.avozdoalgarve.pt/detalhe.php?id=32453
https://www.noticiasdonordeste.pt/2018/08/o-ceu-de-agosto-de-2018.html
Imagens de Marte foram publicadas em 02 agosto 2018 em artigos de Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, em alguns jornais regionais:
http://www.postal.pt/2018/08/o-ceu-de-agosto-de-2018/
sexta-feira, julho 27, 2018
Eclipse Lunar de 27 julho 2018 em Ponta Delgada
Em pesquisa de Phobos e Deimos apenas detetámos estrelas de magnitude 9,5 e 10,5 porque as luas estavam muito próximas do planeta.
quinta-feira, julho 26, 2018
A Lua em véspera do eclipse
Takahashi 102FS, redutor focal 0,50, ZWO ASI224MC e iOptron CEM60
Ponta Delgada, Fajã de Baixo em 27 julho 2018 por J. Porto
terça-feira, julho 24, 2018
Marte e Saturno em 24 julho 2018
Marte em 24 julho à meia noite e 9 minutos UT, debaixo de uma tempestade de poeira e com a turbulência atmosférica sobre a nossa região não permite ver pormenores na sua superfície. Em todo o caso ainda dá para distinguir o Valles Marine e a Terra Sirenum.
Imagem resultado de um AVI com 1220 frames processados pelo RegiStax.
Celestron 203mm a f/25.
Estas imagens foram processadas com filtros do RegiStax menos agressivos.
Obtidas em momentos diferentes em 24 julho 2018: 00:09 e 23:29 UT. A ultima é resultado do "stacking" de 1266 frames com um "seeing" paupérrimo devido à extinção atmosférica dado o planeta se situar muito perto do horizonte e por outro lado porque a turbulência atmosférica era muito grande.
A imagem de Saturno deve-se ao tratamento de uma filme AVI com apenas 300 frames em condições muito adversas com a Lua situada no mesmo quadrante e um "seeing" péssimo.
O mosaico com os dois planetas foi obtido de dois outros AVIs com 1068 (Saturno) e 2148 (Marte) frames e também processados com o RegiStax 5
O dispositivo utilizado para obter os AVIs: Barlow Televue 2,5X e ZWO ASI224mc com Flip-Mirror e ocular 25 mm em parfocal e com retículo luminoso da True Technology.
Software de aquisição das imagens SharpCap 3.1.
quarta-feira, julho 11, 2018
Aguardando o bom tempo
A "artilharia" montada: Takahashi 102FS f/8, iOptron CEM60, Canon 350D modificada e com filtro CLS da Astronomik, ZWO ASI224mc em Off-Axis-Guider, USB_focus v3, Telrad, Stellarmate, ... e muita paciência ...
Nuvens atrás de nuvens, autoguiagem aborta autoguiagem recomeça ...
Falar
em conceitos tais como FWHM, HFD, RDN e RMS aplicados nos Açores, constitui um
desafio sempre presente em qualquer sessão de observação astronómica, mesmo com
o melhor dos céus ou com o anti-ciclone instalado no zénite.
Teoricamente
fazer auto guiagem de forma aceitável
significa ter a configuração ótica adequada e o sensor CCD/CMOS com os pixéis
certos para obter a resolução certa.
Para além deste ponto de partida de natureza tecnologicamente único, a estratégia é sempre minimizar os efeitos da atmosfera do nosso planeta e os defeitos do sistema ótico utilizado, bem como os erros introduzidos pela mecânica de uma montagem ou as flexões do sistema de guiagem, ou ainda a deslocação do espelho principal no ato de focagem, no desvio médio daquilo que deveria ser uma imagem pontual de uma estrela (PSF – Point Spread Function ou Função de Dispersão Espacial de um Ponto Luminoso *) em relação àquilo que nos é dado detetar. Tudo porque a Ascensão Reta do eixo polar da montagem roda a 15 segundos de arco para compensar a rotação da Terra de oeste para este.
Resoluções obtidas com o "setup"
Para além deste ponto de partida de natureza tecnologicamente único, a estratégia é sempre minimizar os efeitos da atmosfera do nosso planeta e os defeitos do sistema ótico utilizado, bem como os erros introduzidos pela mecânica de uma montagem ou as flexões do sistema de guiagem, ou ainda a deslocação do espelho principal no ato de focagem, no desvio médio daquilo que deveria ser uma imagem pontual de uma estrela (PSF – Point Spread Function ou Função de Dispersão Espacial de um Ponto Luminoso *) em relação àquilo que nos é dado detetar. Tudo porque a Ascensão Reta do eixo polar da montagem roda a 15 segundos de arco para compensar a rotação da Terra de oeste para este.
Falamos
de auto guiagem, porque com os meios disponíveis hoje em dia com camaras CCD ou
CMOS e ainda software adequado existente, torna-se impensável fazer guiagem
manual.
Dada
a performance do nosso sistema de visão, poder-se-ia considerar que ainda a
melhor técnica seria o aspeto das estrelas a olho nu (suficientemente pontuais
e redondas). E talvez, que para o caso dos Açores, ainda seja de considerar
como a melhor técnica a utilizar!
Contudo
existem várias técnicas que pretendem ultrapassar os eventuais defeitos da
visão humana, oferecendo parâmetros de comparação universal. Uma é a designada FWHM (Full Width at Half Maximum ou Máximo
da Metade da Largura Total). A outra é a chamada HFR ou HFD (Half Flux Radius ou Half Flux Diameter *) que aliadas à
RDN (Roundness) de uma estrela
permitem saber qual o erro da nossa auto guiagem.
A
Roundness mais não é do que a “circularidade” da estrela, ou seja, se for igual
a zero a estrela é perfeitamente redonda. Normalmente uma RDN < 0,1 não é
percetível ao olho humano. Assim o trabalho da motorização na AR da montagem
equatorial será tanto melhor quanto RDN = (eixo maior - eixo menor) / (eixo
maior + eixo menor) < 0,1. Está claro que isto depende muito de um bom
alinhamento polar.
Em
termos teóricos o fator limitante será sempre o Limite de Difração (traduzido pelo Disco de Airy * e pelo Limite
de Rayleigh ou Resolução Angular *) que definem o perfil da fonte luminosa
a partir do seu centro em segundos de arco.
Disco
de Airy central e padrão PSF (imagem do Wikipédia)
Para
um telescópio com óticas perfeitas, o Disco de Airy concentra 84% da energia
radiante sendo que os outros 16% estão distribuídos pelos anéis concêntricos,
interessa-nos sobretudo os primeiros 84% e em especial a metade destes a meia
altura (FWHM) pois representam a imagem pontual como objetivo a registar pelo
sensor.
FWHM –
representação gráfica (Imagem do Wikipédia)
O
FWHM representa assim a metade da energia luminosa que está concentrada no
núcleo central sendo que a imagem pontual de uma estrela é representada por
esta menor unidade significante que é possível registar.
Sendo
teoricamente o FWHM= 0,0212 * 550 / D (para a luz visível 550 nanómetros) em
que D é o diâmetro do telescópio, logo, quanto maior D mais preciso é o valor de
FWHM.
No
entanto com a atmosfera terrestre tudo é diferente e FWHM=0,025 * lambda / r0,
onde r0, conhecido por parâmetro de
Fried, refere-se ao comprimento coerente da coluna de ar da atmosfera, cujo
valor varia entre 5 e 20 centímetros, estando o valor normal situado nos 8
centímetros.
Agora,
imagine-se um telescópio com 20 cm de abertura, FWHM poderia ter um valor de
0,58 segundos de arco. Contudo a influência da atmosfera transforma-o num
telescópio de 6,5 cm (para o limite de 0,025*550/8=1,7 segundos de arco).
Considera-se
o valor médio de “seeing” entre 1,5
e 2 segundos de arco.
O
erro de guiagem na grande maioria do software existente é dado pelo parâmetro RMS (Root Mean Square ou Erro Médio
Quadrático) que mais não é do que um valor estatístico que afere o desvio
médio do valor esperado do valor observado, em que valores elevados de RMS
traduzem condições de observação (“seeing”) piores.
Assumem-se
normalmente os seguintes valores de RMS de acordo com as condições de
observação (“seeing”):
“Seeing”
|
Excelente (0,5”arc)
|
Bom (1,0 “arc)
|
Médio (2,0“arc)
|
Pobre (3,0”arc)
|
Erro RMS
|
0,13 “arc
|
0,25 ”arc
|
0,50 “arc
|
0,75 “arc
|
Conclusão (talvez apressada!)
Por muito que nos esforcemos possuindo a
melhor ótica, o sensor mais adequado e a montagem equatorial mais robusta e
fiável, nunca serão meios suficientes se a turbulência atmosférica fizer das
estrelas PSF`s tipo “donuts” e “batatóides”. Os nossos valores normalmente
andam em média sempre acima de 1,5 segundos de arco.
Um bom exemplo de "donuts" e "batatóides"
Com a configuração já descrita e integração de 7x200s a 1600 ISO.
Suposto ser a região "Elephant Trunk"
Na melhor das hipóteses resta-nos talvez
fazer uso de um ADC (Atmospheric Dispersion Corrector) sobretudo para
astrofotografia planetária.
Sendo os Açores um centro permanente de
formação e exportação de altas e baixas pressões com constantes frentes oclusas
de todos os géneros a passarem por uma orografia que pouco ajuda a estabilidade
atmosférica, será muito difícil obter condições adequadas à astrofotografia. Como
muitas vezes diz o açoreano: “chove na minha rua mas não na do vizinho da rua
ao lado”.
No entanto, sendo astrónomo amador,
possuo a qualidade de todos os outros de não perder a esperança. Esperam-nos
sessões de astrofotografia atribuladas e trabalhosas!
Continuaremos a aguardar por céus claros
e límpidos!
sexta-feira, julho 06, 2018
Há 21 anos
Fez agora 21 anos que o cometa Halle-Bopp (C/1995 O1), um dos maiores cometas observados e designado de O Grande Cometa de 1997, fez a sua aparição nos céus açorianos.
Descoberto a 23 de julho de 1995 por Alan Hale e Thomas Bopp, só em janeiro de 1997 se tornaria visível a olho nu. A sua visibiliadade era de tal ordem que lembro-me perfeitamente de o ver momentos antes do nascer do Sol.
O seu aparecimento causou impactos de diversa natureza tanto no meio científico como junto à população, de tal modo que levou ao suicidio em massa de 38 seguidores da seita religiosa ovnilógica dos EUA, conhecida por Heaven`s Gate, alegando que deixavam os seus corpos para seguirem uma nave alíenigena que se escondia por detrás do cometa.
O cometa chegou a mostrar a olho nu as duas caudas iónica e de poeiras e em determinada altura a sua rotação era tão intensa que evidenciava a existência de jatos e géisers de gás que criavam ondas de choque rodeando o seu falso núcleo.
O cometa com as galáxias M31 e M34 mostrando as caudas iónica e de poeiras
Estas duas fotos foram feitas junto ao Charco da Madeira onde era possível ter um céu com
menos poluição luminosa.
Fotografia feita com a Pentax K-1000 no Maranhão das Capelas
As imagens que aqui publico foram obtidas entre fevereiro e abril de 1997, utilizando diversos "setup`s" disponíveis na altura e que se resumiam a um ETX90 f/13.8, um dobsoniano de 8 polegadas a f/6, a uma camera ccd CWIP-S da Sirius Instruments e a uma Pentax K-1000 com uma objetiva de 135mm. Fazer longas exposições em modo de guiagem manual era uma "obra de arte"! Foi então que decidimos fazer uma plataforma equatorial tendo encomendado a eletrónica à TL-Systems na Califórnia e onde colocávamos o dobsoniano de 8 polegadas.
Entretanto também concebíamos um Star Tracker para montar a Pentax K-1000 e cujo esquema ainda guardamos e que era operado manualmente a uma volta por minuto ... sem causar qualquer vibração com o parafuso altamente lubrificado, com a latitude do lugar conferida e alinhado o eixo polar à estrela polar.
Entretanto também concebíamos um Star Tracker para montar a Pentax K-1000 e cujo esquema ainda guardamos e que era operado manualmente a uma volta por minuto ... sem causar qualquer vibração com o parafuso altamente lubrificado, com a latitude do lugar conferida e alinhado o eixo polar à estrela polar.
O telescópio Newtoniano em montagem dobsoniana sobre a plataforma equatorial TL Systems e o Sky Vector 1 com um encoder de Altitude e ainda o esquema do Star Tracker com o que resta hoje em dia do aparelho (tudo isto está em condições de poder funcionar novamente!).
Notar o contra-peso e o nivelador no dobsoniano, Este último era utilizado para colocar em estação todo o sistema com a ajuda de dois encoders óticos em Altitude e em Azimute, controlados por um Sky Vector I adquirido na Eftonscience de Toronto.
O géisers e jatos de gás rodeando o falso núcleo
Tentando mostrar a estrutura interna do cometa com o software existente na altura
por exemplo o Paint Shop Pro (PSP)
A fotografia digital ainda não tinha feito o seu aparecimento e utilizávamos filmes muito sensíveis que custavam"os olhos da cara" como o Fuji super G plus 800
A Internet era recente e utilizada sobretudo na área da astronomia constitui uma recordação inesquecível a partilha e publicação destas imagens em diversos "sites" da NASA e de outros onde se fazia a recolha oficial de informação sobre este acontecimento:
http://www.xtec.cat/~aparra1/astronom/hb/fot3975s.htm
https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto16.html
https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto12.html
https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto4.html
https://www2.jpl.nasa.gov/comet/images970415.html
Este seria o meu segundo cometa a ser acompanhado de forma sistemática depois de em 1996 ter seguido e fotografado o Hyakutake (C/1996 B2).
quarta-feira, julho 04, 2018
Recordar o passado
Agora que Marte se avizinha novamente do nosso planeta, deixo aqui a minha primeira imagem de Marte feita em 1997 com o auxílio da primeira CCD que comprei no Canadá, uma CWIP-S da Sirius Instruments e um ETX90 também adquirido Toronto.
Esta imagem está editada no site da MarsWatch 1996-1997
https://mars.nasa.gov/MPF/mpf/marswatch/mw031897jp.html
Em 1999 a evolução era notória. Utilizávamos outra tecnologia nomeadamente um Meade Maksutov-Cassegrain LX50 e uma ccd SXL8.
Como recordação aqui ficam duas imagens do "setup" totalmente portátil utilizado para acompanhar a atividade solar na banda do espetro visível desde 1997. Este daria origem à publicação de um CD sobre o 23º Ciclo Solar.
A Camara CWIP-S era montada diretamente no porta oculares do ETX90 e ligava a um video gravador VHS onde eram armazenadas as imagens em cassete de fita magnética que posteriormente eram recolhidas e processadas em computador.
Estas imagens foram tiradas pelo Pedro Ré, então em visita aos Açores.
Esta imagem está editada no site da MarsWatch 1996-1997
https://mars.nasa.gov/MPF/mpf/marswatch/mw031897jp.html
Em 1999 a evolução era notória. Utilizávamos outra tecnologia nomeadamente um Meade Maksutov-Cassegrain LX50 e uma ccd SXL8.
As últimas imagens reportam-se a este século e dizem respeito aos anos de 2001 e 2005.
As de 2001 mostram uma tempestade de poeira que envolveu todo o planeta tal como a deste ano.
Notar a diferença no espaço de 15 dias. A ccd utilizada foi uma StarlightXpress MX7c.
A Camara CWIP-S era montada diretamente no porta oculares do ETX90 e ligava a um video gravador VHS onde eram armazenadas as imagens em cassete de fita magnética que posteriormente eram recolhidas e processadas em computador.
Estas imagens foram tiradas pelo Pedro Ré, então em visita aos Açores.
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