Um olhar telescópico da Região Autónoma dos Açores, ilha de São Miguel, sobre os fenómenos astronómicos que acontecem no Universo mais próximo.
quinta-feira, março 02, 2017
Galáxias no Leão e pesquisa de supernovas
Nas nossas sessões de astronomia temos realizado algumas imagens de galáxias situadas na constelação do Leão em condições péssimas com interferência de muita poluição luminosa e do efeito da extinção atmosférica, bem visível na pouca dinâmica do sinal/ruído das imagens que resultaram de uma fraca integração de 17x40 segundos a ISO1600 com a Canon 350D modificada e dotada de um filtro CLS.
As ultimas reportam-se ao célebre tripleto do Leão com a M65 e a M66 onde nos últimos anos se têm registado algumas Supernovas como a SN2013am na M65 e a SN2016cok na M66.
Na NGC 2903 não tem surgido supernovas onde apenas se registaram a presença de cinco "supernova remnants (SNRs)" (ver https://arxiv.org/abs/0901.0642).
quarta-feira, março 01, 2017
De novo o 41P Tuttle e uma noite com Luas e Planetas
Na noite de 28 de fevereiro e antes que as nuvens tapassem todo o céu vindas de NW mantinha-se limpo o setor Este onde circulava o cometa 41 Tuttle Giacobini Kresak do qual fizemos a imagem.
O cometa apresentava-se com uma cabeleira extensa e esverdeada e nesta imagem queremos sobretudo chamar a atenção para repararem na estrela de azul intenso no canto inferior direito que são afinal duas estrelas (um falso binário) com uma separação angular de 51", nomeadamente a GSC1966:1063 de 13,4 magnitude e a outra do catálogo UCAC 2.0 STAR com 13,25 magnitude.
O mesmo se passa com outra estrela de coloração azul no canto superior direito que também são afinal duas estrelas com uma separação angular de 29", nomeadamente a GSC 1966:775 com 13,6 magnitude e uma outra do catálogo UCAC 2.0 STAR referencia 814594491 com 13,34 magnitude.
Interessante também o pormenor que o sensor CMOS consegue revelar quando os balanço de brancos e negros está devidamente calibrado e quando a estrela que escolhemos para o calibrar é uma estrela próxima da categoria do nosso Sol.
Entretanto e na vá tentativa de apanharmos o cometa 2P Encke que já se encontrava muito baixo no horizonte leste e quando a nebulosidade começava a apertar e a comprometer qualquer possibilidade de fazer boas imagens, resolvemos ver o planeta Úrano rodeado de luas, o planeta Vénus e a nossa própria Lua em "Croissant de Lune" muito fino.
Fizemos então esta composição fotográfica de modo a englobar todas as imagens.
segunda-feira, fevereiro 27, 2017
Os cometas P`s de volta
Pelas 20:00 horas locais do anoitecer de 26 fevereiro o céu apresentava-se praticamente sem nuvens e sem vento o que nos permitiu no quadrante oeste ver o cometa 2P Encke já muito baixo no horizonte e enfermando da extinção luminosa atmosférica e da poluição luminosa gerada pela cidade de Ponta Delgada.
O cometa apresentava-se com uma magnitude entre 5 e 6 com uma cauda relativamente evidente e de coloração intensa azul-esverdeada devido ao cianogénio impactado pelo vento solar.
Fizemos uma integração com a mediana de 21 imagens de 30 segundos cada com o Celestron de 8 polegadas com redutor de focal Meade f/6,3 e a Canon 350D modificada e com filtro CLS da Astronomik calibrada a 1600ISO.
As imagens foram pré-processadas com masters offset, dark e flat frames utilizando o software Íris.
O cometa apresentava-se com uma magnitude entre 5 e 6 com uma cauda relativamente evidente e de coloração intensa azul-esverdeada devido ao cianogénio impactado pelo vento solar.
Fizemos uma integração com a mediana de 21 imagens de 30 segundos cada com o Celestron de 8 polegadas com redutor de focal Meade f/6,3 e a Canon 350D modificada e com filtro CLS da Astronomik calibrada a 1600ISO.
As imagens foram pré-processadas com masters offset, dark e flat frames utilizando o software Íris.
Imagem redimensionada a 60%
Imagem reduzida a 90% do seu tamanho natural. É percetível a cauda de poeiras.
Os outros dois cometas nomeadamente o 41P Tuttle Giacobini Kresak e o 45P Honda Mrkos Pajdusakova apresentavam-se com magnitudes mais elevadas ou de menor brilho A notar nas imagens a presença de galáxias com magnitudes na ordem dos 16 e 17 para exposições relativamente curtas (integração de 15 x 45 segundos) e a extrema velocidade com que se desloca o cometa 45P com uma vasta cabeleira muito pouco brilhante.
sexta-feira, fevereiro 17, 2017
Asteróide 14 IRINA e Meteoro
From Ponta Delgada, 14 Irene is visible in the morning sky, becoming accessible at around 20:15, when it rises 24° above your eastern horizon. It will then reach its highest point in the sky at 01:26, 77° above your southern horizon. It will be lost to dawn twilight at around 06:25, 27° above your western horizon.
Na noite de 14 fevereiro enquanto seguíamos o IRINA surgiu um meteoro no mesmo quadrante.
A Lua na noite de 14 de fevereiro
quinta-feira, fevereiro 16, 2017
A evolução do cometa 45P
No espaço de mês e meio e com o periélio em 11 de fevereiro deste ano a foto mostra a evolução do cometa 45P/Honda-Mrkos-Pajdusakova: de uma situação de visibilidade que requeria a utilização de um telescópio tornou-se num objeto visível a olho-nu ou com binóculos atingindo o tamanho aparente da Lua. Cruza neste momento a constelação do Boieiro sendo visível com dificuldade por causa da presença da luminosidade da Lua nas primeiras horas da madrugada.
Cinco cometas na noite de 14 de fevereiro
2P Encke
Este cometa faz o seu 63º retorno ao periélio desde a sua
descoberta em 1786 por Mechain. A sua órbita é muito estável com aparições de
3,3 anos num ciclo alargado de 10 anos. Este ano atinge o periélio em meados de
março prevendo-se uma magnitude 6 que o torna binocularmente visível. A chuva
de meteoros conhecida por Taurídeas tem a sua origem neste cometa.
2015 V2 (Johnson)
Descoberto por Jess A Johnson com uma magnitude 17 pelo Catalina Sky Survey em 3 de novembro de 2015 poderá apresentar-se em junho deste ano com uma magnitude 6.
41P/Tuttle-Giacobini-Kresak
Horace Parnell Tuttle (Harvard College Observatory,
Cambridge, Massachusetts) descobriu este cometa em maio de 1858. Posteriormente
descoberto por Michel Giacobini em 1 de junho de 1907 e depois novamente em 24
abril de 1951 por Lubos Kresák (Skalnaté Pleso Observatory). Este cometa é
muito famoso pelos seus sobressaltos de magnitude tendo passado de 21 a 4 e
depois a 17 de magnitude em 1973. Este ano é suposto atingir as 0.14 AU (22,170,000 km) de distância
ao nosso planeta entre 27 de março e 5 de abril deste ano com uma magnitude 6 e
numa posição circumpolar.
45P/Honda-Mrkos-Pajdusakova
Descoberto por Minoru Honda em 3 de dezembro de 1948, o seu periélio foi a 31 de dezembro de 2016 e em 11 de fevereiro esteve a 0,08 UA (12,444,000 km) do nosso planeta tornando-se visível com binóculos. Presentemente encontra-se com magnitude 9 sendo difícil de ver devido á presença da Lua no mesmo quadrante do céu. No entanto é visível o desenvolvimento de uma cauda de partículas e gelo e apresenta uma dimensão aparente do tamanho da Lua ocupando toda a área do sensor cmos da Canon 350D.
315P LONEOS
Enquanto esperávamos por uma posição acima do
horizonte do 45P HMP lançámos o
telescópio na pesquisa deste cometa. Aparentemente descoberto como um asteroide
(designado na altura como2004 VR_8) por Loneos em 3
de novembro de 2004 com uma magnitude 18 foi classificado por outros como
cometa com um período de 11,2 anos. Atingiu a sua magnitude máxima de 14 agora
em janeiro de 2017 cruzando a constelação do Leão.
segunda-feira, janeiro 30, 2017
EMA - Açores
O Governo dos Açores vai criar uma estrutura de missão para gerir, administrar e coordenar todas as atividades científicas e técnicas de âmbito aeroespacial a desenvolver na região, segundo uma resolução publicada em 30-01-2017em Jornal Oficial.
http://azores.gov.pt/JO/Operations/DownloadDiplomaPDF/?pID={B1A5FB78-B1D1-4E99-94DA-9B04E1C9CF97}
Segundo a resolução, a estrutura de missão, que vai ser liderada pelo Eng. Luís Santos, visa “potenciar o desenvolvimento de investigação científica que conduza à aquisição de novos conhecimentos, produtos, processos e serviços nos domínios da sua área de intervenção”.
Engº. Luís Ramalhais dos Santos
“Promover, participar e coordenar atividades de investigação e desenvolvimento, projetos e programas científicos e tecnológicos nos seus domínios de atuação” é outro dos objetivos da iniciativa, que vai funcionar na dependência do secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Meneses.
A estrutura, designada de EMA-Espaço, pretende, também, “reforçar a colaboração, articulação e promoção entre setores relevantes da economia e da investigação” açorianas e instituições externas, para garantir que o arquipélago acolha “projetos de natureza científica internacional”.
Gui Menezes explicou que “no âmbito das reconhecidas potencialidades que a região autónoma tem para o desenvolvimento de atividades de índole aeroespacial, bem como a estratégia que o Governo [açoriano] tem há muito vindo a implementar de dotar a região de infraestruturas que possam suportar este tipo de atividades”, tem-se verificado “um crescente interesse” de várias entidades “em colaborar” nesta área.
Entre essas infraestruturas e projetos que podem trazer “uma vantagem competitiva para o desenvolvimento deste setor aeroespacial” nos Açores está a Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais, que visa o estabelecimento de quatro estações geodésicas fundamentais destinadas à realização de estudos de astronomia, geodesia e geofísica, duas das quais localizadas nas ilhas de Santa Maria e das Flores.
Acresce o observatório de investigação climática na Graciosa, ilha onde está, igualmente, a estação de monitorização e deteção de infrassons, que integra a rede da comissão preparatória da organização do tratado de proibição total de ensaios nucleares.
Gui Menezes apontou, também em Santa Maria, a “estação de rastreio de lançadores de satélites da Agência Espacial Europeia”.
Sobre potenciais projetos, o governante exemplificou com o “interesse demonstrado por algumas empresas em montar um porto espacial para o lançamento de microssatélites”, a implementação de um centro de investigação internacional nas áreas das ciências da Atmosfera e Alterações Climáticas, Energia, Espaço e Oceano, o denominado AIR Center, ou o envolvimento do Governo Regional com o Executivo nacional no âmbito do programa de apoio à localização e à vigilância no espaço.
“A exigência que estes projetos têm do ponto de vista técnico e alguma complexidade, e, também, a necessidade de envolver outras entidades regionais neste esforço, julgamos que era relevante a necessidade da criação de uma estrutura de missão”, destacou o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, adiantando que o futuro coordenador, Luís Santos, “tem sido a pessoa na região que tem estado mais envolvida nestes assuntos aeroespaciais”.
quarta-feira, janeiro 04, 2017
2017 o ano dos cometas P
Durante 2017 surgirão nos céus 3 cometas periódicos muito brilhantes, nomeadamente o 45P, o 41P e o 2P para além de outro designado por C/2015 V2 Johnson.
Logo na primeira semana de janeiro será o cometa
45P/Honda-Mrkos-Pajdusakova que se aproximará a 0,08 unidades astronómicas para
depois desaparecer a oeste e reaparecer mais brilhante no quadrante este em
fevereiro.
As imagens deste cometa foram obtidas depois do pôr de Sol
entre as 18:15 e as 18:30 h em Ponta Delgada já com o cometa muito baixo no
horizonte ofuscado pela poluição luminosa da cidade e pelo surgimento de
nevoeiro a sudoeste. É notória a sua silhueta azul esverdeada resultante da
presença de cianogénio libertado pelo impato do vento solar no cometa e a sua
cauda de poeiras.
Depois virá o cometa 2P/Encke que reaparece todos os 3,3 anos
e que atingirá o periélio a 10 de março com uma magnitude 7 tornando-se também
visível com binóculos.
Seguir-se-á o cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak que será
ainda mais brilhante a atingir uma magnitude 5 na Primavera tornando-se visível
a olho-nu.
Em maio e junho será a vez do V2 Johnson com magnitude 6.
Contudo já é visível com auxilio de telescópio, antes do sol nascer, movendo-se
entre as constelações do Boeiro e de Hércules.
Se as condições atmosféricas permitirem na devida altura
tencionamos acompanhar a evolução destes cometas, realizando imagens e
calculando a evolução das suas magnitudes e estruturas, participando na chamada
do PSI – Planetary Science Institute aos astrónomos amadores e profissionais
para uma campanha mundial de monitorização destes cometas bem como do
46P/Wirtanen em 2018.
Possível existência de duas caudas, "outburst" ou poluição luminosa ?
Imagem obtida pela integração de todas as imagens em numero de 50 feitas
ao longo de toda a sessão.
sexta-feira, setembro 23, 2016
Azores International Research Center
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segunda-feira, junho 20, 2016
Outra gigante
Outra gigante, denominada Região Ativa 2553, transita no disco solar, já na direção do limbo solar oeste. Peculiar que neste período de Minímo Solar só apareçam manchas solares gigantes (4 a 5 x o tamanho do nosso planeta).
segunda-feira, junho 13, 2016
M81 e M82
Imagens obtidas pouco antes do nevoeiro cobrir todo o céu no espaço de 10 minutos na noite de 11 junho com muita poluição luminosa à mistura.
Galáxias M81 e M82 da constelação da Ursa Maior.
Galáxias M81 e M82 da constelação da Ursa Maior.
SN2016coj na Ursa Maior
um "crop" a 100% da magem original mostrando commais clareza a Supernova 2016coj e o seu brilho azulado ligado ao nível da explosão inicial e da velocidade da expansão do material estelar (seria interessante confirmar com uma espetro!).
quinta-feira, junho 09, 2016
Novo (velho) Setup
A ccd SXL-8 de novo a trabalhar em Win95 e com uma objetiva Canon de 300mm.
Devido ao peso da cablagem com 5m de extensão entre o controlador e a ccd optou-se por uma mesa de trabalho muito portátil.
A camara ccd SXL-8 é da Starlight Xpress sendo um modelo de 1996 de porta paralela com um sensor 7,68x7,68 mm de 512x512 pixel dotada de uma Peltier que permite levar o sensor a -45ºC.
Este setup completamente portátil, anda sobre rodinhas, e é possível desloca-lo rapidamente para qualquer sítio, tendo as ligações todas feitas basta ligar à rede.
Este setup pode ser aplicado em qualquer montagem ou mesmo num tripé como mostra a imagem.
O Telrad datado também de 1996 já não funcionava por ter a eletrónica oxidada e teve que ser todo desmontado para que fosse novamente utilizado em condições.
A placa onde assenta a ccd e o Telrad é metálica e foi adquirida por 2€ no Maxmat!! Na placa existe ainda a hipótese de instalar um pequeno refrator.
Como o transformador do portátil (HP de 1998) sobreaquecia demasiado instalámos um sistema de arrefecimento de placas com ventilador de 12V (Peltier).
Primeiro teste ao setup com a recuperada ccd SXL-8 da StarlightXpress: apesar da poluição luminosa (as imagens foram feitas praticamente ao lado de um candeeiro de luz de sódio da iluminação pública) e aplicando o modo "multiexposure" e "slew and sum" de que é dotado o software da camera ccd, conseguimos ter uma imagem de Antares com a Messier 4. Ficamos a aguardar melhores condições para voltar a testar este equipamento "vintage".
Características da ccd SXL-8:
A minha primeira supernova de 2016
A Supernova SN2016cok na M66 vista na noite de 8 junho de Ponta Delgada, Açores, apresentava-se com uma magnitude visual da ordem de 16 do tipo Ia.
Integração de 20x35 s em condições de muita poluição luminosa e de atmosfera muito contaminada por partículas de fumos.
Realizado com Celestron 203mm a f/6.3 com Canon 350D modificada e filtro CLS Astronomic sem guiagem em montagem GPDX da Vixen. Software de tratamento Íris com pré-tratamento usando master flat, master dark e master-offset. Anotações com PS5.
quarta-feira, junho 01, 2016
Marte no perigeu.
A nossa imagem, obtida com um C8 a f/20 e com uma SPC900nc é comparada com a imagem produzida por um simulador, o Mars Previewer II. Apesar da grande turbulência atmosférica ainda se conseguem distinguir muitos aspetos da geografia marciana.
1 de junho: tratamento mais acurado com o RegiStax 6 e o MaximDL com a dição de duas imagens fits. Mesmo assim pouco melhorou.
segunda-feira, maio 16, 2016
sexta-feira, maio 13, 2016
Os 15 anos do OASA e a tomada de posse da Comissão Científica
No dia 11 de maio foram festejados os 15 anos de existência do OASA - Observatório Astronómico de Santana Açores com uma cerimónia aberta ao público e onde foi dado pose à Comissão Científica pela Dra. Teresa Silva.
segunda-feira, maio 09, 2016
Transito de Mercurio de 9 de maio 2016
Fase de Ingresso: 2º contato
Próximo da fase final
Setup
Fase final
Ingresso de Mercúrio no disco solar
Fase inicial
Passagem pelas RA 2542 e 2543
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