quinta-feira, outubro 02, 2008

Parabéns


Fez ontem (1 de Outubro) 50 anos !

quarta-feira, outubro 01, 2008

Sol: 2008 o ano com menos manchas solares


Acompanho a actividade solar em pormenor desde 1996, tendo produzido muitas imagens (alguns milhares)relativas ao 23º ciclo solar. Mesmo em época de minímo, não me lembro de um ano tão baixo em contagens de manchas solares como o de 2008. A Nasa dá também nota deste assunto aqui.

terça-feira, setembro 30, 2008

Ocultação


O asteróide 1726 Hoffmeister vai ocultar a estrela TYC 0616-00812-1 no dia 4 de Outubro entre as 04h12m e as 04h30m UT. Se as condições atmosféricas o permitirem talvez seja possível fazer um pequeno filme da passagem do asteróide, se bem que apesar do asteroide ter 26km de diâmetro possua uma magnitude de 16, a estrela ocultada é muito mais brilhante (10.5), não nos encontremos , na ilha de São Miguel, na posição ideal para ver o acontecimento. A duração prevista será apenas de uns escassos 2,3 segundos. Aqui deixo o mapa do evento que poderá ser seguido nas ilhas do grupo central. O grupo oriental estará fora da faixa de ocultação da estrela.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Resultados da Conferência da NASA sobre a Actividade solar



Pelos vistos a opinião da NASA identifica-se com a minha:

"How unusual is this event?

It's hard to say. We've only been monitoring solar wind since the early years of the Space Age—from the early 60s to the present," says Posner. "Over that period of time, it's unique. How the event stands out over centuries or millennia, however, is anybody's guess. We don't have data going back that far."

Veja o assunto aqui.

terça-feira, setembro 23, 2008

Problemas com o Sol ?



A NASA promove hoje pelas 12:30 EDT, uma teleconferência de imprensa sobre os dados mais relevantes da missão conjunta NASA-ESA Ulisses.
O 24º Ciclo Solar iniciou-se com uma actividade muito baixa, mais baixa que o normal. Contudo quão anormal é esta actividade, não o sabemos ao certo porque só agora, com mais enfase desde os fins do século passado, se iniciaram os estudos em pormenor da actividade global do Sol.
Apesar de tudo, hoje, por acaso,registou-se o aparecimento de um pequeno conjunto de manchas solares da classe BXI e que continuam a revelar uma polaridade inversa às do anterior ciclo, confirmando mais uma vez que entrámos definitivamente num novo ciclo. Apesar de tudo alguns apostam que o numero de manchas solares será cada vez menor, podendo levar a uma nova pequena idade do gelo - como no Maunder Minimum, que aconteceu entre 1645 e 1715. Num dos meus trabalhos sobre o Sol, nomeadamente aquele que levou à publicação de um CD-Rom sobre o 23º Ciclo Solar, apontava para essa hipótese, face à existência de muitas anormalidades nesse ciclo, e transmiti essa ideia em muitas palestras realizadas na altura. A ver vamos!
Vejam aqui um pouco deste assunto.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Nuvens noctilucentes

18 de Setembro de 2008,20:00UT, Ponta Delgada

Nuvens noctilucentes surgiram logo após o pôr-de-sol, adquirindo aspectos de cor variada, filamentosa, desde o prateado ao esbranquiçado transparente.



Semelhantes a cirros ténues, em regra azuladas ou prateadas, e às vezes entre alaranjadas e vermelhas, parecendo ser constituídas por poeira cósmica muito fina a altitudes entre os 70 e os 90km onde já não existe humidade. A sua existência é atribuída também a factores de mudanças climatéricas, nomeadamente com os níveis de CO2 e metano devido ao aquecimento global.
A esta latitude é extremamente raro surgirem este tipo de nuvens tendo o seu numero crescido muito nas regiões polares nas últimas décadas.

segunda-feira, setembro 15, 2008

1ª foto de um planeta extrasolar em 1RXS J160929.1-210524




As ópticas adaptativas do Gemini North Telescope deram já os seus frutos ao descobrirem um planeta extrasolar na estrela pretencente à constelação do Escorpião e denominada 1RXS J160929.1-210524 e com uma massa 8x a do planeta Júpiter.
Pela primeira vez obteve-se uma imagem de um planeta extrasolar. Ver notícia aqui.

5ª Conferência Europeia de Planetários Pequenos e Portáteis


5ª Conferência Europeia de Planetários Pequenos e Portáteis

9-11 Outubro 2008
3º Anúncio


A Fundação Navegar, e o Centro de Astrofísica da Universidade do
Porto, tem o prazer de anunciar a 5ª Conferência Europeia de
Planetários Pequenos e Portáteis, que terá 9 a 11 de Outubro de 2008.

Os planetários pequenos e portáteis tem um grande impacto tanto no
ensino da Astronomia, como na divulgação científica em geral. É pois,
importante discutir as diferentes e mais recentes formas de
transmitir conteúdos, de modo a criar um impacto ainda maior nas suas
audiências.

Um aspecto importante de analisar o impacto que as novas tecnologias
digitais têm neste tipo de planetários e analisar que mudanças podem
trazer às abordagens tradicionais, quais as suas possibilidades e
desafios. Com a chegada dos sistemas digitais, os planetários
pequenos e portáteis são, em muitos casos, uma combinação poderosa.
Eles possuem agora a capacidade técnica dos seus "irmãos maiores",
mas sendo mais simples e fáceis de operar e manusear.

Discutir e trocar experiências, abordar formas modernas e inovadoras
de interacção com diferentes públicos alvo, estabelecer colaborações;
são apenas alguns dos objectivos a atingir com esta conferência.
Pretende-se neste evento reunir a comunidade desta área, trocando
experiências e saberes.

Esta conferência está aberta a submissões de trabalhos por parte
daqueles que pretendam partilhar as suas experiências seu trabalho e
conhecimentos, sob o formato de poster, apresentação oral ou workshop.

Toda informação está disponível no site da Conferência:
http://ecspp2008.multimeios.pt.

Pela comissão organizadora
Doutor António Pedrosa

sexta-feira, setembro 12, 2008

Portugal no LHC

Sabiam que para além da participação de 200 cientistas portugueses outras 3 empresas portuguesas forneceram equipamentos (EFACEC, A. Silva Matos Metalomecânica de Sever do Vouga - forneceu os reservatórios de aço para o hélio; e a ACL-Indústria de Componentes)e ainda o Instituto de Soldadura e Qualidade que controlou a qualidade antes, durante e depois da montagem dos principais componentes do LHC, como os cabos supercondutores, o próprio túnel e a linha de arrefecimento por hélio ??
Pequeninos mas grandes em alma!

quarta-feira, setembro 10, 2008

Por esta hora Hawking tinha razão - Large Hadron Collider




Entrou hoje em funcionamento o Large Hadron Collider, que irá criar condições para estudar os primórdios do aparecimento do nosso Universo, recriando as condições iniciais do Big-Bang.
Tem-se colocado a questão sobre o perigo que seria o seu funcionamento criar mini buracos negros que engoliriam o nosso planeta. Aqui fica um artigo sobre o assunto do Instituto americano de Física
Poderão apreciar o "status" do acelerador neste link.

segunda-feira, setembro 08, 2008

50 Maravilhas que deve ver antes de morrer



A revista britânica "BBC Sky at Night" de Agosto publica uma lista das "50 Wonders you must see before you die".

Eis o "top ten":

1. Eclipse total do Sol.
2. Uma aurora.
3. Uma bola de fogo meteórica.
4. As galáxias cadeia de Markarian (na constelação da Virgem).
5. Um cometa brilhante.
6. Um fenómeno lunar transiente (impacto de um meteoróide na superfície lunar).
7. O Gegenschein.
8. A Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães.
9. A galáxia Bode M81.
10. Um eclipse solar anular.

Faltam-me o 6 e o 8 !

M31 - galáxia de Andrómeda



M31, 09 Ago 2008 - Rocas do Vouga
Canon 350mm, 135mm, ISO800, 1200 segundos

Os longinquos Urano e Neptuno



Neptuno
09 Ago 2008 - Rocas do Vouga
Canon 350D, ISO800, 17x60s



Urano
09 Ago 2008 - Rocas do Vouga
Canon 350D, ISO800, 17x60s

quinta-feira, setembro 04, 2008

Região do Sagitário



09.08.2008
Sanfins, Rocas do Vouga
Região do Sagitário
Canon 350D 135mm
12x90segundos



07.08.2008
Sanfins, Rocas do Vouga
Região do Sagitário
Canon 350D 135mm
3x60segundos



07.08.2008
Sanfins, Rocas do Vouga
Região do Sagitário
Canon 350D 135mm
4x60segundos

quarta-feira, setembro 03, 2008

A Lua em Agosto



No dia 4 de Agosto surpreendemos a Lua em Quarto Crescente muito próxima do horizonte oeste. Imagem obtida em Sanfins de Rocas do Vouga.

Constelação de Satélites Artificiais

Júpiter no Sagitário





Estivemos em Rocas do Vouga onde munidos com uma Canon 350D e uma lente de 135mm "apanhámos" o planeta Júpiter na constelação do Sagitário. Exposição unica de 80 segundos a 800ISO.
Vénus apresentava-se a oeste muito baixo no horizonte com a Serra do Arestal a cobrir a sua retirada.

Eclipse Parcial da Lua



No dia 16 de Agosto, apesar do mau tempo que se fez sentir no Continente Português em particular na zona onde passava férias, Praia da Barra em Ílhavo, assistimos ao eclipse parcial da Lua sob uma intensa poluição luminosa com o farol da Barra lançando os seus jactos de luz intermitente e com dezenas de pescadores na foz da barra munidos com luzes frias à cata do peixe que tardava no anzol. Aqui fica um parco registo do acontecimento.A destacar na imagem o aspecto da faixa azulada produzida pela sombra do nosso planeta na Lua, devido ao ozono existente nas altas camadas da atmosfera terrestre.

Sócio da AAAM



Em Agosto tive uma grata surpresa no meu correio: a recepção do cartão de sócio nº38 da Associação de Astrónomos Amadores da Madeira. Agora sinto-me como mais um elo de ligação entre os dois arquipélagos e espero no futuro saber corresponder a mais esta responsabilidade. À AAAM o meu muito obrigado por aceitarem a minha participação.

Artigo no Diário de Notícias



Na edição de 17 de agosto de 2008 tive a grata surpresa de ler um artigo sobre as observações internacionais de asteróides levadas a cabo pelo amigo Rui Gonçalves de Tomar e sócio antigo da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Uma Astronomia no Verão nos Açores

por

Paula Alexandra da Silva e Costa
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2002 da revista C&T da Direcção Regional da Ciência e Tecnologia)

A “Astronomia no Verão” nem sempre é uma tarefa fácil para aqueles que se propõem realizar sessões públicas a céu aberto, sobretudo numa região como os Açores e, sobretudo, quando o
Verão não é “tão” Verão assim!

Este ano (2002), o clima revelou-se muito instável e amiúde o céu ficou encoberto por longos períodos de tempo. Depois foi só ver as caras de desalento de todos aqueles que se dirigiram aos pontos de encontro para sessões de “Astronomia no Verão”. Mas, pior mesmo foi quando choveu copiosamente, obrigando a recolher a abrigos temporários com o material a tiracolo, ou impedindo até que, sequer, se pensasse em sair à rua!
Aí, foram os telefonemas de pessoas que, já conhecedoras do clima incerto da sua terra, se encheram de esperança e arriscaram perguntar se, apesar daquela chuva, pensávamos ainda vir a “fazer alguma coisa”.
E lamentamos! A Astronomia óptica é, talvez, uma das áreas mais atraentes da ciência pela sua beleza, mas requer material dispendioso e demasiado sensível e, sobretudo, um céu limpo de nuvens, poeiras, humidade e poluição luminosa. Sem estas condições reunidas, provavelmente, a única coisa que se irá conseguir será gente desiludida porque não está “a ver nada”, ainda que se lhe diga “olhe para o quadrante inferior direito”.
Ainda assim, lá se foram conseguindo alguns serões interessantes, com um ou dois já a entrarem pela madrugada. É que mesmo com condições climatéricas adversas, sempre vão aparecendo o Sol, que é continuamente uma surpresa com todas as suas manchas e erupções, e a Lua que perdura a encantar o ser humano, especialmente quando se observam os pormenores da sua superfície. E depois sobram as conversas, as revistas, as fotografias sobre o tema.

Em encontros de Astronomia não são raras as vezes que grupos de pessoas que inicialmente não se conheciam acabam a conversar animadamente sobre um assunto que as liga porque a todas se revela interessante.
Os encontros de Astronomia também têm a particularidade de se manifestarem, por vezes, não apenas divulgadores de ciência, mas também de cultura geral e popular. Na segunda semana de Agosto estivemos em Santa Maria a participar na “Semana da Juventude”. Levamos connosco aquele que é, possivelmente, um dos telescópios mais viajados desde sempre, um ETX da Meade com abertura de 90 mm e distância focal de 1250 mm. Quanto às sessões de Astronomia foram integradas num vasto programa que incluía desde poesia e uma exposição de artes plásticas até concertos, animação de rua e parapente.
Se bem que, mais uma vez devido às condições climatéricas, algumas actividades tenham sido canceladas ou adiadas, tendo as observações astronómicas estado entre as infelizes contempladas, conseguiu-se, contudo, explicar aos muitos jovens (de espírito) ali presentes como se opera com um telescópio, se lê um mapa do céu, ou se recorre às estrelas para orientação. Mas mais importante do que isso, conseguiu-se estabelecer um diálogo onde se discutiu a influência de algumas ciências exactas no desenvolvimento do raciocínio e, em última análise, da Astronomia. Houve mesmo jovens que chegaram a inquirir-nos sobre teorias correntes em Astronomia e a formular hipóteses que procuravam explicar determinados fenómenos. Correctas ou não, estas hipóteses mostraram-se extremamente válidas enquanto exercícios mentais.

Pouco tempo antes do nosso regresso antecipado a São Miguel, devido a uma virose que singrava por aquelas paragens, conseguimos, então, por breves instantes, mostrar alguns objectos de céu profundo do catálogo de Messier, M13 (um enxame globular), a dupla de Perseu, M31 (a galáxia Andrómeda), M27 (uma nebulosa planetária), bem como o Binário Mizar, na constelação da Ursa Maior e o planeta Júpiter com as suas quatro maiores luas, Io, Calisto, Ganimedes e Europa.

Três dias após o nosso regresso, iniciámos a descida para a Rocha da Relva onde decorreu outra sessão de Astronomia também menos feliz no que respeita a observações de corpos celestes, mas que, em contrapartida, se revelou uma experiência humana muito grata.
A “viagem” iniciou-se às 9:00 h, mas só por volta das 10:30 h se começava a descida propriamente dita, pois os preparativos foram complexos e demorados. O nosso “velho” ETX e respectivo tripé seguiam devidamente acomodados nos alforges do Chico e da Micá, que por sua vez era seguida pelo Jardel – três excelentes burros que constituem, para além do ser humano, o único meio de transporte que pode fazer o percurso até à Rocha da Relva. E, equipados de mochilas com os objectos pessoais, as oculares e um filtro solar seguimos, com os burros e os Amigos da Rocha da Relva, até uma casinha branca, com não mais de 16 m2 e junto da única Eurocária existente na Rocha, onde ficámos albergados, pois a subida não poderia ser empreendida durante a noite.


“Histórias de Astros com chuva”
A descida para a Rocha da Relva: o burro leva o telescópio ETX e o tripé da JMI. Na foto Paula Costa e Aníbal Raposo.

Uma vez aí, as condições climatéricas mostraram-se novamente adversas, e para além do Sol e da Lua, os únicos “corpos” observados com o telescópio foram os garajaus, um veleiro que passou na linha do horizonte e um grupo de golfinhos.
Acabaram, no entanto, por se revelar bastante úteis pois permitiram, uma vez mais evidenciar o funcionamento e as características de um telescópio.
Conseguimos ainda, a olho nu, observar alfa-Scorpius e descrever o processo turbulento que se desenrola nessa estrela.
O resto do tempo foi ocupado da forma mais agradável possível. O nosso anfitrião, Aníbal Raposo e um grupo de músicos por ele convidado, à luz de archotes, obsequiaram todos aqueles que até ali se tinham deslocado com músicas do cancioneiro popular dos Açores, de Zeca Afonso e da sua autoria. Quanto a estrelas, só mesmo essas e aquelas que quase vimos quando, no outro dia pela manhã, terminamos de subir a falésia!

Ainda em S. Miguel, foram também realizadas sessões em Água de Pau orientadas pelo associado, Paulo Pereira, que, aliás, continuará a efectuá-las ao longo do ano, integrando-as nas actividades do Clube de Astronomia da Escola e permitindo, assim, aos espacialmente mais afastados do OASA, continuar a usufruir do vasto conteúdo desta atractiva ciência.

Na Terceira, a nossa sócia, Maria João Miranda, orientou as sessões, que foram objecto de extensa cobertura jornalística naquela Ilha, e manifestou-se bastante satisfeita com o conjunto de pessoas que afluiu aos pontos de encontro. Destacou, sobretudo, a presença de famílias onde predominavam as crianças que evidenciavam a sua curiosidade em relação ao tema. As actividades desenvolvidas, a par das observações, centraram-se na análise de mapas celestes, identificação de planetas e dissertação acerca dos objectos celestes observados e os binóculos e telescópios, para além de material didáctico, foram os materiais utilizados.


AV2002 na Terceira

A nossa sócia enfatizou, ainda, o ambiente de diálogo e troca de informação que se estabeleceu entre os presentes, o interesse crescente da população terceirense nestas actividades e a intenção de as continuar a desenvolver em fases distintas do ano, faltando, para tal, apenas uma sede. A existência deste espaço permitiria a todos os interessados reunirem-se para trocar impressões, realizar observações ou pesquisa acerca de uma ciência que parece merecer um interesse crescente por parte da população e dos órgãos administrativos, não só da Região como além fronteiras.

No Corvo, com João Cardigos, o número de sessões também não foi extenso, mas o interesse e a adesão da população foram recompensadores e, depois, os astrónomos amadores Corvinos podem mesmo sentir-se “enriquecidos” pois inauguramos este Verão, com a colaboração da Câmara Municipal da Vila do Corvo, a nossa sede nessa Ilha num local sobranceiro à Vila. Esta sede, onde se pode pernoitar, está mobilada e dotada de equipamento astronómico (um dobsoniano de 12”) e aberta ao turismo científico.

Em jeito de balanço, podemos afirmar que todos os sócios e colaboradores que efectivaram a “Astronomia no Verão” pelo Arquipélago se mostraram insatisfeitos com o baixo número de sessões realizadas, mas optimistas e sensibilizados com a grande afluência de pessoas interessadas.

quinta-feira, julho 31, 2008

Memórias 5 – Sistema Solar catastrófico

Em Agosto de 1993 havia adquirido no Canadá, numa loja da Eftonscience perto de Toronto, um reflector de 8” a f/6 com uma montagem dobsoniana. Era para o tempo uma novidade tal sistema operativo para telescópios.
Comprar foi fácil comparado com a odisseia para o trazer até aos Açores. Para poder passá-lo na alfândega tive que o desmontar completamente e distribuir pelas malas, espelhos primário e secundário, focador helicoidal, Telrad, ópticas e ainda as partes em madeira da montagem dobsoniana. Restava um longo tubo que teria de ser condicionado numa não menos menor caixa de papelão preenchida com esferovite expandida, que a própria Eftonscience fez o favor de providenciar.
Quando cheguei à alfândega do aeroporto de Ponta Delgada, apresentavam-se pela frente dois esmerados funcionários da alfândega que logo, de canivete de ponta e mola em punho, se prestavam a esventrar a dita caixa. Correram-me suores frios ao pensar que o tubo poderia ser atingido, coisa que por sorte não aconteceu. Caricata foi porém a minha justificação para passar com um tubo daqueles, feito em cartão prensado: o meu filhote (quem não se condoiria com a vontade de uma criança…!), tinha-me tirado o juízo para trazer um tubo daqueles para poder-lhe construir um telescópio, e dado que um tubo de papelão com as medidas certas, não podia ser feito nos Açores, e dado que o seu valor era irrisório, pensava que não iria constituir problema na alfandega… e passou!!




Foi com este telescópio que vi o resultado do impacto do cometa P/Shoemaker-Levy 9 em Júpiter assistido pelo meu filho João Pedro, na altura com apenas a idade de 10 anos.
É da sua autoria o “sketch” aqui presente, feito em 20 de Julho de 1994 pelas 22:30 horas locais no quintal da nossa casa sita ao Bairro Económico nº 55 em Ponta Delgada.



Como na altura ainda não fazia astrofotografia, só este desenho comprova esta história.
Não é por ser meu filho, mas com toda a honestidade: dez anos e fazer um “sketch” destes…é obra !! Reparem no pormenor da Grande Mancha Vermelha e nas bandas atmosféricas e comparem este “sketch” com a fotografia do Telescópio Hubble. Mais importante ainda (sou um pai vaidoso!) reparem na assinatura e na letra tão bem feitinha. Já não se faz disto !



O tubo na sua montagem dobsoniana, logo viria a sua performance melhorada no ano seguinte com a execução de uma plataforma equatorial devidamente motorizada pela TLSystem da Califórnia. Esta plataforma feita em dexion metalizado concebido para montar estantes, viria a ter destaque na página web da TLSystem com uma fotografia. Permitia-me seguir o movimento do céu com bastante acuidade para observação visual com ocular de 5mm.
A observação dos efeitos do impacto do cometa P/Shoemaker-Levy 9 foi feita com uma ocular de 25mm, destacando-se perfeitamente 3 grandes “crateras” na atmosfera do hemisfério sul do planeta Júpiter, nomeadamente os impactos A, B e C, que de 16 a 22 de Julho de 1994 foi atingido repetidamente pelos 21 fragmentos do cometa com mais de 2 quilómetros de diâmetro.
Foi a primeira vez que se observaram colisões entre dois corpos do sistema solar com efeitos tão devastadores.


Imagem do Hubble na banda IV

quinta-feira, julho 24, 2008

Memórias 3

Nos tempos que correm tornou-se corriqueiro falar em tecnologia CCD e agora mais recentemente na tecnologia CMOS, com o aparecimento em massa de aparelhos de fotografia digital e câmaras vídeo. O grande público, o povo, passou a ter acesso a estas tecnologias a baixos preços de mercado ou a crédito (bem ou mal parado!), não fosse o século XX considerado o “Século do Povo”, em especial para o nosso país que em 25 de Abril de 1974 saía da idade média.
CCD sendo o acrónimo de Charge-Coupled Device é de forma muito resumida um fotodetector que converte luz em cargas eléctricas, tendo sido inventado em 1969 por Willard Boyle e George E. Smith dos Laboratórios Bell da AT&T. Na base deste fenómeno encontra-se o conhecido Efeito Fotoeléctrico, explicado em 1905 por Einstein, no qual os electrões são emitidos por uma placa de metal depois da absorção de energia com determinado comprimento de onda produzida por radiação electromagnética, tal como luz visível ou raios X. Este fenómeno veio comprovar a teoria dos Quanta em que a radiação electromagnética é tratada como “pacotes” de energia e não como “onda” (e=hν).
Desde tenra idade que me dedicava a leituras de índole científica, e tudo o que fosse relacionado com Física Nuclear e quântica era integralmente “devorado”. Difícil era encontrar bibliografia sobre estes assuntos. Minha Bisavó dava-me uma semanada de 10$00 que adicionada a outra semanada de meus pais em igual valor, permitia-me ir ao cinema aos sábados e comprar a literatura que no mercado livreiro ia aparecendo esporadicamente. A divulgação científica destes assuntos era esparsa e pouco consistente e dependia quase integralmente de autores estrangeiros que eram traduzidos (bem ou mal!). Aos poucos descobri que as Bibliotecas itinerantes da Gulbenkian e a Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo possuíam muitos trabalhos. Apesar da minha dificuldade em compreender determinados assuntos, nada me fazia esmorecer o entusiasmo.
O impacto destas leituras, como é lógico, faziam-me sonhar com a concepção de aparelhómetros. Ainda por cima, sendo meu pai detentor de uma oficina de electrónica e de rádio, tudo era mais fácil. Vários foram os aparelhos concebidos e executados por mim ao longo dos finais dos anos sessenta. Poderei referir um Espintariscópio, um Electroscópio de folhas de alumínio a vácuo produzido por uma corrente de água e uma Câmara de Nevoeiro para detecção de partículas alfa e de Raios Cósmicos.



O Espintariscópio, deu-me um certo gozo fazê-lo: uma simples caixa de chumbo (o contributo da canalização em chumbo da minha casa, devidamente derretida!) com resíduos radioactivos (pintura luminosa de vários relógios de pulso !!) e uma ocular feita com lentes de máquina fotográfica, permitiam-me ver o resultado do choque das partículas alfa com as moléculas do ar, produzindo cintilações, ou numa pequena placa de sulfureto de zinco, quando excitava os resíduos radioactivos com uma forte luz branca. Hoje em dia é um brinquedo educativo que muitos centros Ciência Viva utilizam.

O Electroscópio, usando uma campânula de vidro onde fazia um vácuo muito relativo, sustinha na vertical duas folhas de alumínio muito finas. As partículas alfa interagiam fortemente com o meio material das folhas de alumínio sendo facilmente absorvidas. É sabido que a interacção das partículas alfa (núcleos de hélio) com o meio faz-se essencialmente através de colisões com os electrões atómicos. Isto fazia deslocar as folhas mostrando a existência de fortes cargas eléctricas (Curva de Bragg). Uma das fontes radioactivas utilizadas por mim, era um pequeno frasco que continha 30 gramas de Nitrato de Urânio (UO2(NO3)2.6H2O). Esteve na minha posse até 1984, data em que o doei à Universidade dos Açores, por receio de poder a vir afectar o meu filho, João Pedro que entretanto havia nascido. Este frasco havia sido descoberto numa prateleira de uma farmácia da Praia da Vitória e destinava-se, ao que parece, a tratamentos “homeopáticos” !!.
Outra fonte radioactiva utilizada era uma placa metálica extraída de uma válvula gigantesca arrefecida a água e utilizado pelos grandes receptores das comunicações americanas. Nesse tempo, bastava ir a um sucateiro para ser possível encontrar materiais deste tipo e ainda outros de maior perigosidade para a saúde pública e ambiente.
Uma das experiências que gostava de fazer era irradiar uma placa fotográfica e depois revelá-la para mostrar a impressão deixada por estes materiais. Outra era irradiar pequenos insectos ou coleópteros para os ver morrer de um dia para o outro. Hoje não repetiria estas experiências !!

A Câmara de Nevoeiro era de uma concepção extremamente simples e com ela conseguia visualizar os efeitos da radiação ionizante na formação de pequenos traços deixados pelas gotículas de água.

Mas, um dos meus sonhos era poder utilizar o efeito fotoeléctrico para captar pequeníssimas quantidades de luz, quase fotão a fotão, para produzir imagens electrónicas (hoje em dia dizem-se digitais) de objectos situados na imensidão profunda do espaço. Nunca cheguei a concretizar este sonho e só há bem poucos anos consegui amealhar alguns cobres que me permitiram adquirir no Canadá (Eftonscience) um câmara ccd não arrefecida, conhecida como CWIPS e com a qual fiz a minha introdução na astrofotografia.



Marte em 18 de Março de 1997 com a ccd CWIP-S, ETX90 e barlow 2x

Hoje em dia possuo algumas câmaras ccd e outras com tecnologia CMOS, com as quais faço as minhas fotografias astronómicas sendo possível captar objectos de magnitude próxima de 18, facilmente detectando Supernovas ou pormenores de galáxias longínquas.

Um sonho que se tornou realidade.



Neste tempo, não falhava o Star Treck na TV Americana Lages Field Azores.
Só muitos anos mais tarde consegui um Celestron 8” f/10. De sonho em sonho aprendi a não desistir e a lutar.

segunda-feira, julho 21, 2008

A chegada à Lua


Ontem fez anos que a Apollo 11 foi a primeira missão tripulada a pousar na Lua, e o seu comandante — o astronauta Neil Armstrong — o primeiro ser humano a pisar no solo lunar. A frase dita por ele, ao pisar na Lua em 20 de julho de 1969, tornou-se uma das frases mais célebres do século XX:

"Este é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade"

Tinha eu 14 anos de idade, passava férias na casa de campo de meus pais no Porto Martins, ilha Terceira. Lembro-me de passar a noite na compainha de meu pai(responsável técnico na altura pela estação americana de telecomunicações dos Cinco Picos) e vizinhos, a ver a transmissão em directo pela televisão americana Lages Field Azores. Vibrei a cada passo e marcou-me a emoção de assistir ao pulo do Neil Armstrong da escada para o solo lunar.Depois foi a ansiedade de ver o módulo descolar da Lua no seu retorno ao nosso planeta.
Nunca me hei-de esquecer, quando me levantei pelas oito da manhã, depois de mal ter dormido, excitado pelo acontecimento,apressadamente fui dar a notícia a minha Bisavó Maria Palmira Pereira Porto, já com os seus 95 anos de idade, e que em resposta logo me atirou à cara: "andas a ver fitas a mais !"
No mesmo dia comentando o sucedido com um antigo pescador - o tio Zé Pereira, que enrolava pacientemente tabaco picado numa folha de milho (não morreu de cancro com 97 anos !!), - com um longo olhar de desdém para a Lua em Quarto Crescente, me disse: "oh menino, e agora que a Lua é só metade, pra onde foram parar os seus astronautas ?". Achei como mais conveniente, deixar o tio Zé Pereira ter razão no seu comentário. Tio Zé Pereira era tido como velho lobo do mar que tinha longas conversas , ao fim da tarde, com Vitorino Nemésio, sentados na "venda".

No ano seguinte construí um refractor de 80mm com um conjunto de lentes subtraídas a um velho rectroprojector. Montado num suporte alta-azimutal também da minha autoria, passaria os quase três meses de férias (as então conhecidas "férias grandes") a observar o sistema galileano e a Lua. A minha primeira observação do céu profundo foi para as Pleíades e para a galáxia de Andrómeda. "Fazer" Astronomia nesse tempo era algo de muito difícil e quase impossível de imaginar para as gerações de hoje.

Belos tempos !

quarta-feira, julho 16, 2008

Observatório Astronómico de Santana Açores



O OASA prepara-se para abrir ao público dentro em breve. Depois de realizada uma visita às suas instalações, agora renovadas, a convite da Dra. Carla e da Dra. Patrícia.
De momento aguarda-se a chegada de equipamentos novos, tais como um novo planetário digital e novos telescópios (Coronado, Celestron e TAL)destinados a programas de divulgação e de trabalho com as escolas.
A entrada para o Observatório Astronómico faz-se pelo acesso ao condominio das duas entidades (clube de tiro e OASA)com um amplo parque de estacionamento. a imagem do Google mostra exactamente o caminho e o parque situados a leste.
Mais uma vez, e dado o projecto EFTA estar a construir bairros habitacionais, lembramos da necessidade da Camara Municipal da Ribeira Grande prestar atenção às condições de iluminação pública que poderão conduzir a situações de poluição luminosa adversas à existência de um observatório astronómico. Lembramos que a zona deverá ser classificada de acordo com esta necessidade.

terça-feira, julho 08, 2008

Conjunção Lua-Saturno-Marte-Regulus

quinta-feira, julho 03, 2008

Inauguração do Observatório de Fronteira pelo Presidente da Républica




Observatório astronómico de Fronteira foi inaugurado sexta-feira (4 de Julho)


Um observatório astronómico, equipado com “tecnologia de ponta”, foi inaugurado sexta-feira em Fronteira (Portalegre), após um investimento superior a dois milhões de euros.
“O Observatório Astronómico de Fronteira, um projecto emblemático da autarquia da Ribeira Grande (Fronteira), é considerado como o mais moderno do país e aquele que possui a maior capacidade técnica para os estudiosos do sector".

Equipado com tecnologia de ponta para executar fotografias de “qualidade superior” ao espaço astral, este equipamento está inserido num projecto de implementação de um parque de ciências no concelho, que o município pretende concluir a 'curto prazo”, explicou Pedro Lancha. O observatório astronómico possui ainda, entre outras valências, uma sala de leitura, espaço para pernoita e uma biblioteca.

A Universidade de Ciências do Porto, Universidade de Évora e a Universidade Nova (Lisboa) são, numa primeira fase, algumas das entidades académicas envolvidas neste projecto. “Neste momento, o observatório já está em acção porque temos no terreno uma equipa de estudiosos a elaborar um trabalho sobre o Sol e a tentar descobrir, através de várias pesquisas, novos planetas”, acrescentou.



O município de Fronteira investiu já mais de dois milhões de euros, cerca de 75 por cento da verba disponibilizada para o projecto, que conta com o apoio de fundos europeus. “Necessitamos, neste momento, de 500 mil euros, ou seja, de 25 por cento do investimento do projecto global, para concluirmos o parque de ciências”, explicou.



Apenas uma pergunta: para quando a inauguração do Observatório Astronómico de Santana na Ribeira Grande ????

in "Ciência Hoje"

segunda-feira, junho 30, 2008

Flickr

Novo album de imagens Aqui.

quinta-feira, junho 19, 2008

João Gregório e o projecto XO

Jornal Público
12.06.2008, Teresa Firmino

Astrónomos profissionais e amadores deram as mãos para acelerar a descoberta de mais planetas extra-solares, em redor de estrelas que não o Sol.
João Gregório, de Alcabideche, é um deles.
Já tem dois planetas no currículo. E uma paixão pelo céu profundo .
Aos 47 anos, as noites favoritas de João Gregório são passadas num descampado escuro, com um manto de estrelas cintilantes por cima.
Fica horas a fio com o telescópio apontado a estes objectos imóveis, simplesmente a captar a sua luz.
Monótono, não?
"É monótono, é", concorda.
Mas João Gregório encontrou uma maneira de aguentar as noites frias de Inverno para dar largas à sua paixão: sopa, chá quente e os amigos do Atalaia, o grupo de astrónomos amadores para onde entrou em 2004. "É com esse grupo que aguento aquelas horas todas. Às vezes começo às cinco da tarde e acabo às sete da manhã do dia seguinte. É difícil estar sozinho, sem companhia...
Já tem no currículo a descoberta de dois planetas extra-solares, cuja existência foi divulgada, no final de Maio, no site ArXiv.org (onde os cientistas abrem os seus artigos, ainda não publicados nas revistas da especialidade, à discussão dos colegas). Tornou-se assim o primeiro astrónomo amador de Portugal a descobrir planetas extra-solares. Não há muitos como ele, mesmo a nível internacional.
A sua história de caçador de planetas começa a sério em Maio do ano passado, com um convite do astrónomo Peter McCullough, do Instituto
Científico do Telescópio Espacial, em Baltimore, nos Estados Unidos (ligado ao velhinho telescópio espacial Hubble e ao seu sucessor em
2013, o James Webb).
McCullough gostaria que João Gregório fizesse parte do Projecto XO, iniciado em 2003, que procura planetas extra-solares com a preciosa
colaboração dos amadores. "Fiquei muito contente. Na altura, foi um grande passo. O mundo é tão grande, Portugal tão pequeno, mas eles souberam da minha existência. Algo deu nas vistas."

Tudo começou num Natal

João Gregório já andava há algum tempo a caçar os planetas que tinham sido caçados por cientistas. Até 6 de Outubro de 1995, todos os
planetas que se sabia existirem no Universo eram os do nosso sistema solar. Naquele dia, os suíços Michel Mayor e o seu estudante de
doutoramento Didier Queloz, do Observatório Astronómico de Genebra, revelavam o que se suspeitava há muito tempo.
Na Via Láctea, em órbita da estrela Pégaso 51, a 50 anos-luz de distância da Terra, lá estava um planeta gigante feito de gases, com metade do tamanho de Júpiter. Foi descoberto de forma indirecta, através de pequenas oscilações da estrela, para trás e para a frente, sob o efeito da gravidade do planeta - chama-se método de velocidades radiais. Desde então, a lista de planetas não tem parado de crescer.
Vai agora em cerca de 280.
Até ao ano passado, João Gregório entretinha-se a "descobrir" o que outros já tinham descoberto. Apontava o telescópio para a estrela que já sabia ter um planeta em órbita e voltava a fazer medições da luz (fotometria) que denunciavam a sua presença. "Dava-me gozo fazer a fotometria desses planetas que já tinham sido detectados", conta. Foi assim que despertou a atenção de McCullough.
Agora é um dos 11 astrónomos amadores (seis nos Estados Unidos e cinco na Europa ) do Projecto XO. De Portugal é o único; os outros europeus são de Espanha, Itália e Bélgica.
Em apenas um ano no projecto já colheu frutos de ter o nome em dois artigos científicos associados a dois planetas (o XO-4b e o XO-5b),
ambos na constelação do Lince, a mais de 800 anos-luz de distância da Terra e a demorarem apenas quatro dias a completar uma órbita às suas
estrelas. "São planetas de uma classe que se chama Júpiter, porque são grandes. É por serem tão grandes que conseguimos detectá-los.
Planetas do tipo da Terra estão longe de ser fáceis de detectar."
Mesmo a astronomia não entrou na vida de João Gregório assim há tanto tempo. Mas quando entrou foi a sério. Tudo começou no Natal de 2002,
quando o filho, de dez anos, lhe pediu: "Ó pai, eu gostava de ter um telescópio", conta o caçador de planetas. "Não queria acreditar no
que estava a ouvir. Ele disse telescópio?! Era uma daquelas coisas que namorava desde a minha infância. Fui mesmo comprar o telescópio.
E, claro, não foi para ele, foi para mim e a partir daí foi o descalabro. A astronomia passou a fazer parte do meu dia-a-dia."
Ou melhor, das noites. "Durante o dia sou vendedor de cozinhas. Tenho uma loja, uma sociedade, que vende cozinhas em Alcoitão [perto de Cascais]." Foi há mais de 20 anos que se iniciou no negócio das cozinhas, depois da tropa, que foi logo a seguir ao 11.º ano de escolaridade.
Soube do tal grupo de astrónomos, que existe desde 2000, através de amigos. "Nasci para o Grupo da Atalaia no Natal de 2002. Comecei a
frequentá-lo e, em 2004, convidaram-me para fazer parte. Fiquei muito entusiasmado. A filosofia do grupo é o convívio, a amizade. Somos amadores, mas levamos isto muito a sério."

Um campo de estrelas

Têm cerca de 15 membros; a maior parte dedica-se a "fazer imagens bonitas" do céu profundo. Galáxias, nebulosas, restos de estrelas
moribundas. João Gregório também passou por essa fase na sua iniciação à astronomia. "Olhei para ver Saturno pela primeira vez, para a Lua... Fiz imagens do céu profundo, dediquei-me a cometas, a asteróides, que são coisas que mexem."
Depois começou-se a falar mais de planetas extra-solares, ou exoplanetas, e pensou: "Olha, que interessante. Dá para fazer gráficos giros. E também há o valor científico do que estamos a analisar."
Só que dos planetas extra-solares nem os mais poderosos telescópios, em terra ou no espaço, conseguem ter hoje uma imagem, como temos de
Júpiter ou Saturno - quanto mais um telescópio amador. Tudo o que João Gregório vê é um "campo de estrelas".
Nas horas em que mantém o telescópio apontado para a zona do céu onde está o candidato a planeta, limita-se a captar a luz da estrela
eventualmente orbitada por um exoplaneta. Não aponta ao acaso. Do lado de Peter McCullough, o líder do Projecto XO, começou por haver um rastreio prévio do céu com um pequeno telescópio no Havai. Saiu daí uma lista de possíveis candidatos, que é entregue aos astrónomos
amadores, tudo na maior confidencialidade. Têm então a tarefa de confirmar se é mesmo um planeta ou outra coisa.
João Gregório deve ter em mãos uns 40 candidatos a planetas.
Entregaram-lhe tabelas que indicam os dias e as horas em que existe a possibilidade de os planetas começarem a travessia à frente das
estrelas. Tal como os outros astrónomos amadores, utiliza o método dos trânsitos para os apanhar - fica à espera que um planeta faça uma
passagem à frente da estrela e lhe roube um bocadinho de brilho. Se a redução do brilho for periódica, quer dizer que pode andar por ali
alguma coisa. Um planeta? Outra estrela que se meteu à frente?
"Temos de ficar à espera. Depois, o trabalho é em casa, já não preciso de um chá quente." As imagens descarregadas directamente do telescópio para o computador portátil são processadas com software especial. O resultado é um gráfico sobre a luz da estrela. João Gregório envia-o para os Estados Unidos.
Os astrónomos profissionais entram então de novo em cena, para tirar a prova dos nove com o método das velocidades radiais. Se algum dos
candidatos passou no escrutínio até aqui, o Telescópio Hobby-Eberly, de 9,2 metros de diâmetro, no Texas, vai procurar variações
periódicas numa estrela causadas pelo efeito gravitacional de um corpo à sua volta. Se a velocidade e a posição da estrela oscilarem
periodicamente, é porque deve mesmo existir um planeta à sua volta.
Juntando os dois métodos de detecção, é possível descobrir um corpo em órbita de uma estrela, confirmar que é um planeta e até saber a
sua densidade. A técnica dos trânsitos dá uma ideia do raio do objecto a passar à frente da estrela e do tempo que leva a completar
uma órbita, mas tem limitações. Não permite dizer o que é e o que não é um planeta, porque uma estrela muito pequena e um planeta muito
grande parecem ter o mesmo tamanho. Já a técnica das velocidades radiais permite determinar a massa e dizer se é uma estrela, um planeta ou outro objecto.
"Para detectar um planeta pelo método das velocidades radiais é preciso muito tempo de telescópio. O tempo de telescópio profissional
é escasso. Mas os amadores têm muito, é por isso que somos a força bruta deste projecto", diz o português.
"Esta colaboração deu os seus frutos e, ao contrário do que se possa pensar, os amadores, com os seus telescopiozinhos pequenininhos, são
de uma importância extrema em certas áreas e conseguem aproveitar melhor as suas capacidades em prol da ciência", escreveu João
Gregório na sua página na Internet, a Astro Gregas.

A ameaça do aeroporto

Nuno Santos, um caçador profissional de planetas, um dos poucos portugueses a fazê-lo, não podia estar mais de acordo. "Acho
excelente que haja amadores capazes (e interessados) de fazer este tipo de trabalhos", diz o cientista, do Centro de Astrofísica da
Universidade do Porto, que já participou na descoberta de cerca de 80 planetas, a maioria com a equipa de Michel Mayor e Didier
Queloz. "Tal é possível na área de detecção dos trânsitos, porque o equipamento amador já é capaz de permitir uma precisão suficiente
para detectarmos exoplanetas em trânsito, sobretudo e quase apenas no caso de planetas gigantes."
O "telescopiozinho" agora utilizado por João Gregório é um Schmith-Cassegrain, de 30 centímetros de diâmetro, emprestado por um amigo.
Sempre que pode, todo o equipamento vai para a bagageira do carro e aí vai ele de Alcabideche para o local de observação. "Sou um
astrónomo de fim-de-semana. Tenho de deslocar-me 50 quilómetros, montar o equipamento todo e dar início à sessão de observação."
Onde é, afinal, esse descampado escuro? Fica perto da localidade da Atalaia, no Montijo, onde será o novo aeroporto. "Vão construir o aeroporto em cima da nossa cabeça. Vamos perder o nosso local. As opções são tenebrosas: fazer mais quilómetros para fugir das luzes da cidade." O Alto Alentejo é uma das opções, porque nada fará João Gregório desistir da caça aos planetas. "Vou continuar com toda a força."



João Gregorio
Destaque de 1ª página da entrevista ao Público
Jornal Público de 12/06/2008

segunda-feira, junho 09, 2008

Astronomia no Verão 2008



Ciência Viva no Verão

Na praia, no campo, na cidade, de dia ou de noite, faça férias com a Ciência.
Observações astronómicas, passeios científicos, visitas a faróis e a grandes obras de engenharia são algumas das actividades propostas por universidades, centros de investigação, museus, empresas, escolas e associações científicas em todo o país.

Edição de 2008 prevista de 15 de Julho a 15 de Setembro.

Consulte:
http://www.cienciaviva.pt/veraocv/

terça-feira, maio 20, 2008

Relembrando uma descoberta açoriana

Em 1999 fizemos imagens da SN1999bw que foram consideradas como "pré-descoberta" porque só trabalhámos as imagens muitos dias depois.
Aqui fica a recordação da descoberta desta Supernova.

XO-4B e XO-5B

Um astrónomo amador português (João Gregório)no espaço de uma semana participou na descoberta de dois planetas extra-solares pelo método do trânsito. Ver os papers aqui e aqui...

sexta-feira, maio 16, 2008

terça-feira, maio 13, 2008

Vou estar na Lua e a descobrir planetas

Como estou em obras e o pó de cimento é terrivel para as ópticas, cmos e ccd`s decidi ir até à Lua (virtualmente claro...). Mais uma missão da Nasa que permite enviar o nosso nome em suporte digital.
Aqui está o certificado para quem duvidar e o link.

A missão Kepler faz o mesmo, associando o nosso nome ao AIA2009.



sexta-feira, maio 09, 2008

Dia 10 de Maio - Dia da Astronomia


terça-feira, abril 29, 2008

AIA 2009 nos Açores


No intuito de divulgar o que poderá ser o Ano Internacional da Astronomia nos Açores
transcrevemos o conteúdo do site http://www.angra.uac.pt/aia2009/

Actividades nos Açores

Exposição: From Earth to the Universe
Exposição internacional de fotografias de astronomia em grande formato e de excelente qualidade para o grande público.
Pretende-se que esta exposição chegue ao maior número de pessoas possível e à maior parte das ilhas.


Workshop de formação em astronomia nos Açores
Workshop para professores dos diferentes níveis e áreas científicas com duração de 3 dias incidindo sobre: teoria, prática com telescópios, e ferramentas computacionais de astronomia apropriadas ao ensino.
Este workshop irá decorrer em data e local a anunciar mas provavelmente no final de 2008 e em Ponta Delgada.


Palestras
A organização nacional prevê a realização de diversas palestras nos Açores por profissionais de astronomia. Em breve será fornecida informação mais detalhada.
Outras palestras deverão ter lugar por iniciativa das escolas, astrónomos amadores e outros.


Concurso de Arte
Haverá um Concurso nacional de Arte nas escolas subordinada ao tema da astronomia.
Pretende-se expor os trabalhos dos alunos açorianos em diversos locais da região.


Exposição de astro-fotografia amadora
De forma a promover a astronomia feita nas escolas e por astrónomos amadores da região, assim como cativar potenciais futuros astrónomos, será promovida uma exposição que se pretende levar a várias ilhas.
Mais informação será fornecida a devido tempo.


Outras propostas
Outras actividades poderão vir a ser organizadas pela delegação regional.
Espera-se que as escolas e os astrónomos amadores participem empenhadamente em actividades no âmbito do AIA 2009.
Outras actividades não promovidas pelo AIA 2009 mas desenvolvidas por escolas, astrónomos amadores e outros, serão apoiadas pela organização nacional e pela delegação regional do AIA 2009.

terça-feira, abril 15, 2008

Os Astrónomos Amadores Açorianos citados pela DGR da Comissão Europeia

Relatório Regional dos Açores sobre Estudo da Direcção Geral da Investigação da Comissão Europeia de 5 de Julho de 2002.
Documento PDF, página 54 com fotografia de uma das actividades do Planetário na Escola Secundária de Vila Franca do Campo e com extensa referência ao trabalho desenvolvido pelos Astrónomos Amadores Açorianos (NAAPAA- Núcleo Açoriano da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores).
Projecto ERUP: conhecer melhor a posição da Investigação e do Desenvolvimento Tecnológico nas Regiões Ultraperiféricas (RUP) da Europa, de forma as integrar melhor no espaço europeu da investigação.
Trabalho desenvolvido por Louis Lengrand & Associés e pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto.

Uma recordação gratificante.

Manchas solares do 24º Ciclo



O 24º Ciclo solar iniciou-se no dia 4 de Janeiro com o surgimento de uma mancha solar magneticamente invertida. Depois disso, só no dia 23 de Março surgiam novamente um vasto grupo de manchas solares (a imagem mostra apenas dois desses grupos), onde apenas um deles, o 10987, mostrava polaridade invertida. Este facto demonstra que efectivamente o 24º Ciclo Solar teve o seu início devendo atingir o seu máximo de actividade entre 2011 e 2012.

segunda-feira, abril 14, 2008

GOVERNO ASSEGURA APOIOS À REDE DE CENTROS DE CIÊNCIA DOS AÇORES




O director regional da Ciência e Tecnologia assegurou, numa reunião esta semana em Lisboa em que participou o Ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, o apoio da Agência Ciência Viva à fase de arranque de três Centros de Ciência nos Açores.
No encontro foram definidas as bases para o estabelecimento de parcerias quer com o Pavilhão do Conhecimento, quer com outros centros da rede nacional, como será o caso imediato do Centro de Ciência Viva de Estremoz, indicou João Luísa Gaspar.O director regional acrescentou que a intervenção da Agência Ciência Viva vai fazer-se sentir ao nível da experiência adquirida na realização de eventos interactivos especialmente dirigidos para a promoção da cultura científica e tecnológica.“A produção de exposições próprias ou o aluguer de exposições internacionais são tarefas de elevada complexidade face ao rigor científico exigido e o Governo quer garantir uma oferta de qualidade que consiga mobilizar os cidadãos, em geral, e os jovens, em particular, para discussões formativas em torno de temáticas actuais”, explicou.Segundo João Luísa Gaspar, o Governo pretende que o Expolab, na Lagoa, o Observatório Astronómico, na Ribeira Grande, e o Observatório do Ambiente, em Angra do Heroísmo abram ao público, ainda no primeiro semestre deste ano.
in “Canal de Notíciais da Açores-net”
O projecto "Centros de Ciência dos Açores" integra-se na política de Ciência e Tecnologia do Governo dos Açores dirigida para o desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento e da Informação e o presente concurso, visa o desenvolvimento das seguintes actividades específicas, entre outras: i) colaborar na coordenação geral do projecto; ii) garantir o funcionamento integrado de espaços destinados à divulgação científica e tecnológica; iii) promover a gestão articulada de projectos de divulgação científica e tecnológica; iv) coordenar e dinamizar a concepção, o desenvolvimento e a implementação de conteúdos expositivos interactivos para a divulgação da ciência e a formação; v) estabelecer colaborações com outros Centros de Ciência, nacionais ou estrangeiros.2. A sede das actividades localizar-se-á na ilha de S. Miguel, Açores, Portugal, e os trabalhos poderão abranger acções em qualquer dos Centros de Ciência dos Açores, designadamente, o Expolab, na Lagoa, o Observatório Astronómico da Ribeira Grande e o Observatório do Ambiente, em Angra do Heroísmo, desenvolvendo-se sob a coordenação de um gestor de projecto a nomear por despacho.

Açores e Madeira na rota espacial europeia



Principal objectivo é a troca de experiências e investigação Governo açoriano subscreve Carta de Regiões Europeias utilizadoras de tecnologias espaciais 14H00 – O secretário regional da Habitação e Equipamentos assina, em Bruxelas, e em nome do Governo dos Açores, a escritura de constituição do projecto NEREUS – Rede Europeia das Regiões Utilizadoras de Tecnologias Espaciais.
O secretário Regional da Habitação e Equipamentos do Governo dos Açores, José Contente, vai subscrever a Carta sobre a Criação e Aplicação da Rede das Regiões Europeias Utilizadoras das Tecnologias Espaciais - NEREUS. O governante açoriano adiantou que os Açores serão, assim, "fundadores" desta rede de Regiões Europeias que já se comprometeram a criar uma associação de utilizadores de tecnologias espaciais. Esta Carta será o "primeiro passo" para a formalização da associação NEREUS, explicou José Contente, para quem a participação açoriana neste projecto prova o empenho do Arquipélago em criar um "cluster" ligado a este tipo de tecnologia.

in “Lusa”

sexta-feira, março 28, 2008

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Eclipse Lunar Total de 20 de Fevereiro



Colocámos no nosso site algumas imagens deste eclipse.
Conseguimos obter algumas imagens relativas à 2ºfase penumbral e ao início da Totalidade. Pelas 01:45 começou a chover prolongando-se esta situação durante todo o restante evento.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Novo site

Estamos em novo site.
Devido a problemas de manutenção da Astrosite mudámos para

www.astrosurf.com/azores

Por favor actualizem o nosso link.

Obrigado

J. Porto e Paula Costa