segunda-feira, março 20, 2017

O 41P TGK em 20 março





Pelas 20:30 horas locais em Ponta Delgada, no início da noite de 20 de março  as condições atmosféricas melhoraram significativamente tornando possível a aquisição de 20 imagens de 45 segundos cada que depois de integradas com a ajuda do software Iris deu-nos o resultado aqui apresentado e que nos mostra que o cometa 41P Tuttle Giacobini Kresak se prepara para mostrar uma cauda de poeiras que se inicia no falso núcleo ainda muito brilhante rodeado de uma extensa cabeleira esverdeada devido à presença do carbono diatómico ionizado pelo vento solar.

 
Imagem do 41P TGK centrada no campo estelar e mostrando o percurso do cometa entre as 20:07 e as 20:34 horas locais. Integração de 20x40s com Canon 350D modificada e dotada de filtro CLS Astronomik num Celestron 203mm a f/6,3 e montagem Vixen GPDX sem guiagem.
Processamento com software Íris aplicando Masters Dark, Flat e Offset.

terça-feira, março 14, 2017

Cometa 41P Tuttle Giacobini Krezak


O 41P TGK fará a sua aproximação máxima ao nosso planeta no dia 13 de abril para uma distância de 1.04 UA, sendo que será a sua maior aproximação à Terra no espaço de mais de um século, podendo atingir nessa altura um brilho que o torne visível a olho-nu ou de binóculos. Neste momento transita na área da constelação da Ursa Maior junto à estrela Tania Borealis ou Lambda Ursae Majoris  que facilita a sua localização.

A presença da Lua cheia tornou mais difícil a aquisição de boas imagens



As imagens foram obtidas com a integração de 14x40s com
C8 a f/6,3 e Canon 350D modificada e com filtro CLS Astronomik
sem guiagem numa montagem Vixen GP-DX.

 Integração de 27x40s processada com o MaximDL
Notar a cauda de poeiras que começa a crescer

 A imagem do 41P TGK "star center" foi feita ao serão do dia 13.03.2017
 Cometa 41P TGK: "comet center" tornando visível uma vasta
cabeleira e uma cauda de poeiras. Nota a coloração esverdeada do C2.

Imagem relacionada
A Ursa Maior com a identificação da estrela Tania Borealis.

quinta-feira, março 02, 2017

Galáxias no Leão e pesquisa de supernovas


Nas nossas sessões de astronomia temos realizado algumas imagens de galáxias situadas na constelação do Leão em condições péssimas com interferência de muita poluição luminosa e do efeito da extinção atmosférica, bem visível na pouca dinâmica do sinal/ruído das imagens que resultaram de uma fraca integração de 17x40 segundos a ISO1600 com a Canon 350D modificada e dotada de um filtro CLS.
As ultimas reportam-se ao célebre tripleto do Leão com a M65 e a M66 onde nos últimos anos se têm registado algumas Supernovas como a SN2013am na M65 e a SN2016cok na M66.
Na NGC 2903 não tem surgido supernovas onde apenas se registaram a presença de cinco "supernova remnants (SNRs)" (ver https://arxiv.org/abs/0901.0642).


quarta-feira, março 01, 2017

De novo o 41P Tuttle e uma noite com Luas e Planetas


Na noite de 28 de fevereiro e antes que as nuvens tapassem todo o céu vindas de NW mantinha-se limpo o setor Este onde circulava o cometa 41 Tuttle Giacobini Kresak do qual fizemos a imagem.
O cometa apresentava-se com uma cabeleira extensa e esverdeada e nesta imagem queremos sobretudo chamar a atenção para repararem na estrela de azul intenso no canto inferior direito que são afinal duas estrelas (um falso binário) com uma separação angular de 51", nomeadamente a GSC1966:1063 de 13,4 magnitude e a outra do catálogo UCAC 2.0 STAR com 13,25 magnitude.
O mesmo se passa com outra estrela de coloração azul no canto superior direito que também são afinal duas estrelas com uma separação angular de 29", nomeadamente a GSC 1966:775 com 13,6 magnitude e uma outra do catálogo UCAC 2.0 STAR referencia 814594491 com 13,34 magnitude.

Interessante também o pormenor que o sensor CMOS consegue revelar quando os balanço de brancos e negros está devidamente calibrado e quando a estrela que escolhemos para o calibrar é uma estrela próxima da categoria do nosso Sol.

Entretanto e na vá tentativa de apanharmos o cometa 2P Encke que já se encontrava muito baixo no horizonte leste e quando a nebulosidade começava a apertar e a comprometer qualquer possibilidade de fazer boas imagens, resolvemos ver o planeta Úrano rodeado de luas, o planeta Vénus e a nossa própria Lua em "Croissant de Lune"  muito fino.
Fizemos então esta composição fotográfica de modo a englobar todas as imagens.


segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Os cometas P`s de volta

Pelas 20:00 horas locais do anoitecer de 26 fevereiro o céu apresentava-se praticamente sem nuvens e sem vento o que nos permitiu no quadrante oeste ver o cometa 2P Encke já muito baixo no horizonte e enfermando da extinção luminosa atmosférica e da poluição luminosa gerada pela cidade de Ponta Delgada.
O cometa apresentava-se com uma magnitude entre 5 e 6 com uma cauda relativamente evidente e de coloração intensa azul-esverdeada devido ao cianogénio impactado pelo vento solar.

Fizemos uma integração com a mediana de 21 imagens de 30 segundos cada com o Celestron de 8 polegadas com redutor de focal Meade f/6,3 e a Canon 350D modificada e com filtro CLS da Astronomik calibrada a 1600ISO.
As imagens foram pré-processadas com masters offset, dark e flat frames utilizando o software Íris.

Imagem redimensionada a 60%


Imagem reduzida a 90% do seu tamanho natural. É percetível a cauda de poeiras.
Os outros dois cometas nomeadamente o 41P Tuttle Giacobini Kresak e o 45P Honda Mrkos Pajdusakova apresentavam-se com magnitudes mais elevadas ou de menor brilho A notar nas imagens a presença de galáxias com magnitudes na ordem dos 16 e 17 para exposições relativamente curtas (integração de 15 x 45 segundos) e a extrema velocidade com que se desloca o cometa 45P com uma vasta cabeleira muito pouco brilhante.




sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Asteróide 14 IRINA e Meteoro

            
From Ponta Delgada, 14 Irene is visible in the morning sky, becoming accessible at around 20:15, when it rises 24° above your eastern horizon. It will then reach its highest point in the sky at 01:26, 77° above your southern horizon. It will be lost to dawn twilight at around 06:25, 27° above your western horizon.
 
 
 Na noite de 14 fevereiro enquanto seguíamos o IRINA surgiu um meteoro no mesmo quadrante.


A Lua na noite de 14 de fevereiro

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

A evolução do cometa 45P

 
No espaço de mês e meio e com o periélio em 11 de fevereiro deste ano a foto mostra a evolução do cometa 45P/Honda-Mrkos-Pajdusakova: de uma situação de visibilidade que requeria a utilização de um telescópio tornou-se num objeto visível a olho-nu ou com binóculos atingindo o tamanho aparente da Lua. Cruza neste momento a constelação do Boieiro sendo visível com dificuldade por causa da presença da luminosidade da Lua nas primeiras horas da madrugada.

Cinco cometas na noite de 14 de fevereiro

 

2P Encke
Este cometa faz o seu 63º retorno ao periélio desde a sua descoberta em 1786 por Mechain. A sua órbita é muito estável com aparições de 3,3 anos num ciclo alargado de 10 anos. Este ano atinge o periélio em meados de março prevendo-se uma magnitude 6 que o torna binocularmente visível. A chuva de meteoros conhecida por Taurídeas tem a sua origem neste cometa.

2015 V2 (Johnson)

Descoberto por Jess A Johnson com uma magnitude 17 pelo Catalina Sky Survey em 3 de novembro de 2015 poderá apresentar-se em junho deste ano com uma magnitude 6.
 
 
 
41P/Tuttle-Giacobini-Kresak
 Horace Parnell Tuttle (Harvard College Observatory, Cambridge, Massachusetts) descobriu este cometa em maio de 1858. Posteriormente descoberto por Michel Giacobini em 1 de junho de 1907 e depois novamente em 24 abril de 1951 por Lubos Kresák (Skalnaté Pleso Observatory). Este cometa é muito famoso pelos seus sobressaltos de magnitude tendo passado de 21 a 4 e depois a 17 de magnitude em 1973. Este ano é suposto atingir as 0.14 AU (22,170,000 km) de distância ao nosso planeta entre 27 de março e 5 de abril deste ano com uma magnitude 6 e numa posição circumpolar.

 

 
45P/Honda-Mrkos-Pajdusakova

Descoberto por Minoru Honda em 3 de dezembro de 1948, o seu periélio foi a 31 de dezembro de 2016 e em 11 de fevereiro esteve a 0,08 UA (12,444,000 km) do nosso planeta tornando-se visível com binóculos. Presentemente encontra-se com magnitude 9 sendo difícil de ver devido á presença da Lua no mesmo quadrante do céu. No entanto é visível o desenvolvimento de uma cauda de partículas e gelo e apresenta uma dimensão aparente do tamanho da Lua ocupando toda a área do sensor cmos da Canon 350D.

 
 
 
 
315P LONEOS
 

Enquanto esperávamos por uma posição acima do horizonte do 45P HMP  lançámos o telescópio na pesquisa deste cometa. Aparentemente descoberto como um asteroide (designado na altura como2004 VR_8) por Loneos em 3 de novembro de 2004 com uma magnitude 18 foi classificado por outros como cometa  com um período de 11,2 anos. Atingiu a sua magnitude máxima de 14 agora em janeiro de 2017 cruzando a constelação do Leão.

 
 

segunda-feira, janeiro 30, 2017

EMA - Açores



O Governo dos Açores vai criar uma estrutura de missão para gerir, administrar e coordenar todas as atividades científicas e técnicas de âmbito aeroespacial a desenvolver na região, segundo uma resolução publicada em 30-01-2017em Jornal Oficial.

http://azores.gov.pt/JO/Operations/DownloadDiplomaPDF/?pID={B1A5FB78-B1D1-4E99-94DA-9B04E1C9CF97}

Segundo a resolução, a estrutura de missão, que vai ser liderada pelo Eng. Luís Santos, visa “potenciar o desenvolvimento de investigação científica que conduza à aquisição de novos conhecimentos, produtos, processos e serviços nos domínios da sua área de intervenção”.

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Engº. Luís Ramalhais dos Santos


“Promover, participar e coordenar atividades de investigação e desenvolvimento, projetos e programas científicos e tecnológicos nos seus domínios de atuação” é outro dos objetivos da iniciativa, que vai funcionar na dependência do secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Meneses.
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A estrutura, designada de EMA-Espaço, pretende, também, “reforçar a colaboração, articulação e promoção entre setores relevantes da economia e da investigação” açorianas e instituições externas, para garantir que o arquipélago acolha “projetos de natureza científica internacional”.
Gui Menezes explicou que “no âmbito das reconhecidas potencialidades que a região autónoma tem para o desenvolvimento de atividades de índole aeroespacial, bem como a estratégia que o Governo [açoriano] tem há muito vindo a implementar de dotar a região de infraestruturas que possam suportar este tipo de atividades”, tem-se verificado “um crescente interesse” de várias entidades “em colaborar” nesta área.
Entre essas infraestruturas e projetos que podem trazer “uma vantagem competitiva para o desenvolvimento deste setor aeroespacial” nos Açores está a Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais, que visa o estabelecimento de quatro estações geodésicas fundamentais destinadas à realização de estudos de astronomia, geodesia e geofísica, duas das quais localizadas nas ilhas de Santa Maria e das Flores.

Acresce o observatório de investigação climática na Graciosa, ilha onde está, igualmente, a estação de monitorização e deteção de infrassons, que integra a rede da comissão preparatória da organização do tratado de proibição total de ensaios nucleares.
Gui Menezes apontou, também em Santa Maria, a “estação de rastreio de lançadores de satélites da Agência Espacial Europeia”.

Resultado de imagem para Aeroespacial açores

Sobre potenciais projetos, o governante exemplificou com o “interesse demonstrado por algumas empresas em montar um porto espacial para o lançamento de microssatélites”, a implementação de um centro de investigação internacional nas áreas das ciências da Atmosfera e Alterações Climáticas, Energia, Espaço e Oceano, o denominado AIR Center, ou o envolvimento do Governo Regional com o Executivo nacional no âmbito do programa de apoio à localização e à vigilância no espaço.
“A exigência que estes projetos têm do ponto de vista técnico e alguma complexidade, e, também, a necessidade de envolver outras entidades regionais neste esforço, julgamos que era relevante a necessidade da criação de uma estrutura de missão”, destacou o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, adiantando que o futuro coordenador, Luís Santos, “tem sido a pessoa na região que tem estado mais envolvida nestes assuntos aeroespaciais”.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

2017 o ano dos cometas P


Durante 2017 surgirão nos céus 3 cometas periódicos muito brilhantes, nomeadamente o 45P, o 41P e o 2P para além de outro designado por C/2015 V2 Johnson.

Logo na primeira semana de janeiro será o cometa 45P/Honda-Mrkos-Pajdusakova que se aproximará a 0,08 unidades astronómicas para depois desaparecer a oeste e reaparecer mais brilhante no quadrante este em fevereiro.

As imagens deste cometa foram obtidas depois do pôr de Sol entre as 18:15 e as 18:30 h em Ponta Delgada já com o cometa muito baixo no horizonte ofuscado pela poluição luminosa da cidade e pelo surgimento de nevoeiro a sudoeste. É notória a sua silhueta azul esverdeada resultante da presença de cianogénio libertado pelo impato do vento solar no cometa e a sua cauda de poeiras.

 


Depois virá o cometa 2P/Encke que reaparece todos os 3,3 anos e que atingirá o periélio a 10 de março com uma magnitude 7 tornando-se também visível com binóculos.

Seguir-se-á o cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresak que será ainda mais brilhante a atingir uma magnitude 5 na Primavera tornando-se visível a olho-nu.

Em maio e junho será a vez do V2 Johnson com magnitude 6. Contudo já é visível com auxilio de telescópio, antes do sol nascer, movendo-se entre as constelações do Boeiro e de Hércules.



Se as condições atmosféricas permitirem na devida altura tencionamos acompanhar a evolução destes cometas, realizando imagens e calculando a evolução das suas magnitudes e estruturas, participando na chamada do PSI – Planetary Science Institute aos astrónomos amadores e profissionais para uma campanha mundial de monitorização destes cometas bem como do 46P/Wirtanen em 2018.

 
Possível existência de duas caudas, "outburst" ou poluição luminosa ?
 Imagem obtida pela integração de todas as imagens em numero de 50 feitas
ao longo de toda a sessão.
 
 
 

sexta-feira, setembro 23, 2016

Azores International Research Center



Azores International Research Center pode estar formalmente constituído em 2017, afirma Brito e Abreu.
O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou, em Bruxelas, que o Azores International Research Center “deve estar formalmente constituído no decorrer de 2017”, acrescentando que se prevê que tenha "um figurino jurídico semelhante a outros centros de investigação internacionais, como o CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) ou o INL (Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia)”.
 
Fausto Brito e Abreu falava à margem do 6.º workshop ‘Atlantic Interactions: Knowledge, Climate Change, Space and Oceans’, organizado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia para debater a agenda do futuro Azores International Research (AIR) Center.
 
Este centro de investigação internacional sobre o espaço, as alterações climáticas e o oceano terá, para além da dimensão científica, “uma dimensão de negócios muito importante em várias áreas, como por exemplo, o espaço”, frisou o Secretário Regional. 
 
“Há várias empresas interessadas em utilizar os Açores como uma plataforma de lançamento de microssatélites”, adiantou, defendendo que poderá vir a existir na Região “um pequeno ecossistema de empresas ligadas ao espaço que criem sinergias entre si”.
 
As empresas presentes neste workshop “mostraram interesse em participar nos investimentos do AIR Center”, afirmou Brito e Abreu, lembrando que este centro investigação “beneficiará das infraestruturas existentes” no arquipélago.
 
Segundo o governante, o Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, bem como vários representantes das direções gerais do Mar, do Mercado Interno, Indústria e Empreendedorismo da Comissão Europeia “mostraram grande entusiasmo pela ideia a instalação de um centro com estas caraterísticas nos Açores”.
 
Fausto Brito e Abreu enalteceu o "extraordinário trabalho que o Ministro da Ciência, Manuel Heitor, e o Presidente da FCT, Paulo Ferrão, têm desenvolvido" na agregação de apoios internacionais para a criação do AIR Center, "incluindo parceiros do Atlântico Sul, como o Brasil e África do Sul".
 
GaCS/GM

 

segunda-feira, junho 20, 2016

Outra gigante

Outra gigante, denominada Região Ativa 2553, transita no disco solar, já na direção do limbo solar oeste. Peculiar que neste período de Minímo Solar só apareçam manchas solares gigantes (4 a 5 x o tamanho do nosso planeta).

sábado, junho 18, 2016

Um OVNI e as bombas nucleares de Harkavy


                            

    Dou início a esta história referindo dois assuntos que em nada parecendo relacionados, estão como mais adiante se verificará, a dar consistência ao assunto de um propalado evento OVNI recheado de contatos com seres supostamente extra-terrestres e, a outro assunto também muitas vezes falado e escrito mas nunca comprovado, da existência de ogivas nucleares em território português. Ou seja, uma mistura francamente explosiva!

Robert Harkavy, da Universidade do estado de Pensilvânia, especialista em controlo de armamento e política internacional, no seu trabalho “strategic basing and the Great Power, 1200-200” (1), que retoma argumentos de um seu trabalho anterior datado de 1989, “Bases Abroad: The Global Foreing Military Presence”, escreve o seguinte: “... Some 32 nuclear depth bombs were stored at Lajes in the Azores for wartime operations”.

Fazendo corpo principal desta história, revela ainda o Diário Insular de 17 de Dezembro de 2011, e passo a transcrever, “Um caso exótico, ocorrido em 1968, conta-se também entre os indícios de manuseamento de armas perigosas. Trata-se de um trabalhador português da base das Lajes que numa noite disse ter visto um OVNI - Objeto Voador Não Identificado, em cima de uma pequena elevação que desde esse dia e até hoje ficou com a parte superior improdutiva e árida. O homem foi rapidamente transplantado para os EUA, mantendo a história do OVNI, incluindo seres extraterrestres que se terão manifestado. “Apenas vi que os homens tinham uma viseira com um pouco de vidro e que a cor do fato era uma cor de chumbo. Assim que acendi o foco para eles, aquilo moveu-se muito rapidamente, tendo emitido na minha direção uma projeção de luz muito forte, que tive de tapar a cara. Logo a seguir senti uma coisa estranha, como que uma poeira. Caí e não me recordo de mais nada”, descreveu o homem após ter sido socorrido no Hospital de Angra do Heroísmo. A verdade é que o conhecido “Pico Careca” nunca foi, que saibamos, estudado por autoridades científicas portuguesas, pelo que nada se sabe, pelo menos publicamente, sobre eventuais vestígios deixados pela provável nave alienígena e pelos seus estranhos ocupantes. Oficialmente, o homem terá tido o azar de ser surpreendido por um balão meteorológico que terá chocado com cabos de alta tensão, vindo a explodir. O principal buraco desta tese oficial é que à altura não havia cabos de alta tensão na zona, mas apenas cabos telefónicos. 
E o Diário Insular terminava a notícia reiterando que "Até hoje, nenhuma destas histórias foi investigada ao ponto de ser possível descartar a sua eventual ligação ao manuseio de armamento."

Também a publicação “OVNI’s EM ANÁLISE” da “PUFOI – Portuguese UFO Investigation (http://www.pufoi.com), 2008 Bubok Publishing S.L., 2ª edicão,  Impresso em Espanha por Bubok, relata mais uma vez este acontecimento da seguinte forma: - Ilha Terceira, Açores – 31 de Janeiro de 1968: O guarda das instalações militares “Azores Air Station”, Serafim Sebastião, observou quatro ocupantes de um objeto voador não identificado, que, a baixa altitude, sobrevoou o seu posto de vigilância. O objeto era de forma oval, com brilho metálico, e culminava numa espécie de torre de vidro, com pequena balaustrada. Devia ter cerca de 6 metros de comprimento e 3 de altura. Ao apontar o foco luminoso da sua lanterna na direção do artefacto voador, foi envolvido por uma espécie de nuvem de poeira, tendo o objeto desaparecido, enquanto ele perdia os sentidos.”

B-1B aterrando nas Lajes em 1994

Desde essa data que se ouvia falar deste assunto “à boca pequena”, como era próprio em tempos de “guerra fria” e de vigilância pidesca, em reuniões restritas de família, concluindo-se sempre que nada do que se contava sucedera, fosse lá o que fosse que misteriosamente tivesse acontecido naquela noite.
De facto essa noite de Janeiro de 1968 ficaria na nossa memória, bem como na memória do Serafim Vieira Sebastião (com quem tive oportunidade de falar muitos anos depois).
Sabe-se que pela madrugada desse dia último de janeiro, uma família terceirense era acordada por toques inusitados e insistentes de campainha (ao tempo eram escassos os telefones privados). A dona da casa levantara-se e rapidamente fora averiguar os motivos para tal inopinada chamada noturna. Abrira a porta a militares americanos, deslocados numa viatura militar e que pediam, com a maior urgência, para falar com o marido, que prontamente informado logo os atendera. Vestindo-se rapidamente, partira de imediato para a denominada “Estação dos Cinco Picos” alegando à família a existência de uma avaria grave “nos emissores” que teriam de ser prontamente reparados.

Passado que foi este acontecimento, muito tempo depois, e só depois da imprensa local ter divulgado da forma que aqui demos conhecimento, que um OVNI teria aparecido no centro da ilha junto aos “paióis dos americanos”, designação pela qual eram conhecidas algumas instalações americanas tipo “bunkers” subterrâneos, ficámos finalmente a saber que a deslocação tão urgente como precipitada naquela madrugada à estação de comunicações dos “Cinco Picos”, teria sido motivada pelo tal alegado fenómeno OVNI.



Uma inspeção nos anos 70 de um alto graduado militar à “Estação dos Cinco Picos”,
 centro de comunicações de alta tecnologia, cuja estrutura constituía uma autêntica caixa de Faraday que anulava qualquer interferência radio elétrica exterior. No seu interior o nível de rádio frequência era tão elevado que as lâmpadas fluorescentes mantinham-se acesas sem necessidade de estarem ligadas à corrente elétrica.






Pelo que soubemos, anos mais tarde, afinal nunca teria havido OVNI.



O Serafim Vieira Sebastião fora apanhado desprevenido numa ação surpresa de manutenção e prevenção de alta segurança planeada e executada pela USAF (United States Air Force) aos seus “paióis” e instalações próximas (Estação dos Cinco Picos), tendo deslocado para a zona algumas viaturas, entra as quais uma de combate a incêndios dos seus próprios bombeiros, sem que o pobre homem, a exercer funções de guarda nessa noite, tivesse sido informado com antecedência desta atividade.
Na realidade a descrição do Serafim Sebastião, é fidedigna. Na situação de guarda responsável pela segurança das instalações, e sujeito a um evento tão fora do comum e estranho quanto possível de imaginar àquela hora da madrugada, deverá ter tido uma ataque súbito de tensão arterial induzindo a desmaio subsequente, que posteriormente levou a uma interpretação errónea dos fatos, e assim, em vez de bombeiros viu “homens tinham uma viseira com um pouco de vidro e que a cor do fato era uma cor de chumbo” e que em vez de uma viatura dos bombeiros viu que “o objeto era de forma oval, com brilho metálico, e culminava numa espécie de torre de vidro, com pequena balaustrada”.
A esta descrição adiciona ainda no seu relato o fato de ter sentido uma “poeira” que o envolveu e que mais não era do que pó químico de combate a incêndios que por pura brincadeira lhe haviam atirado para cima. Aliás e mais tarde, por remorsos dos efeitos que esta brincadeira tivera no guarda Serafim, foi-lhe oferecida uma viagem aos EUA para visitar a família, a quem transmitiu sempre a sua versão dos acontecimentos. Naquele tempo os OVNIS estavam na moda.

De facto, pouco depois dessa data, a Navy dos EUA, deixaria de utilizar esses “paióis”, por razões de estratégia militar e sobretudo devido a este antecedente ter sido tão noticiado nos órgãos de comunicação social portugueses. Supostamente deslocaria as ogivas nucleares ali guardadas, e referidas por  Robert Harkavy, para uma zona situada muito próxima da própria Base das Lajes, onde estariam muito mais perto das pistas onde aterravam os B52, os B1-A e B1-B.



A entrada para a “Estação dos Cinco Picos” em 2013
depois de desativadas pelos norte-americanos todas as instalações ali anteriormente existentes e que incluíam uma central elétrica com 3 grandes unidades geradoras capazes na altura  de fornecerem energia para toda a ilha.






Estes aviões de longo curso faziam parte da geoestratégia de dissuasão militar, enquanto os P3C Orions, que residiam e operavam na Base das Lajes, serviam á data apenas para detetar submarinos e barcos-fábrica de pesca soviéticos ao largo dos Açores, fazendo o lançamento sistemático de milhares de sonares no oceano atlântico norte (Tactical Support Center - TSC/Antisubmarine Warfare Operations Center - ASWOC).

E assim nasceu mais uma história sobre OVNIS que ao tempo sempre serviam para encobrir ou desviar atenções de atividades relacionadas com a “Guerra Fria”.

(1) http://img.rtp.pt/mcm/pdf/840/84048a68b8df843f71c53c161fef5f071.pdf
 

segunda-feira, junho 13, 2016

M81 e M82

 
Imagens obtidas pouco antes do nevoeiro cobrir todo o céu no espaço de 10 minutos na noite de 11 junho com muita poluição luminosa à mistura.
Galáxias M81 e M82 da constelação da Ursa Maior.


SN2016coj na Ursa Maior

 
Mais uma supernova do tipo Ia que explodiu na galáxia NGC4521 situada a cerca de 75 milhões anos-luz. Segundo análises espetrais a velocidade de deslocação do material estelar ejetado para o espaço em redor foi feito à velocidade de 14000 km por segundo. Esta galáxia onde se situa a SN2016coj está na constelação do Dragão muito perto da Ursa Maior e é visível com um telescópio de 8 polegadas dando a ideia de que a galáxia possui dois núcleos, tal a explosão que correspondeu à energia emitida por um bilião de sóis!!

 
um "crop" a 100% da magem original mostrando commais clareza a Supernova 2016coj e o seu brilho azulado ligado ao nível da explosão inicial e da velocidade da expansão do material estelar (seria interessante confirmar com uma espetro!).

quinta-feira, junho 09, 2016

Novo (velho) Setup

 
A ccd SXL-8 de novo a trabalhar em Win95 e com uma objetiva Canon de 300mm.
Devido ao peso da cablagem com 5m de extensão entre o controlador e a ccd optou-se por uma mesa de trabalho muito portátil.
A camara ccd SXL-8 é da Starlight Xpress sendo um modelo de 1996 de porta paralela com um sensor 7,68x7,68 mm de 512x512 pixel dotada de uma Peltier que permite levar o sensor a -45ºC.
 

Este setup completamente portátil, anda sobre rodinhas, e é possível desloca-lo rapidamente para qualquer sítio, tendo as ligações todas feitas basta ligar à rede.

 
Este setup pode ser aplicado em qualquer montagem ou mesmo num tripé como mostra a imagem.
O Telrad datado também de 1996 já não funcionava por ter a eletrónica oxidada e teve que ser todo desmontado para que fosse novamente utilizado em condições.
A placa onde assenta a ccd e o Telrad é metálica e foi adquirida por 2€ no Maxmat!! Na placa existe ainda a hipótese de instalar um pequeno refrator.


Como o transformador do portátil (HP de 1998) sobreaquecia demasiado instalámos um sistema de arrefecimento de placas com ventilador de 12V (Peltier).


Primeiro teste ao setup com a recuperada ccd SXL-8 da StarlightXpress: apesar da poluição luminosa (as imagens foram feitas praticamente ao lado de um candeeiro de luz de sódio da iluminação pública) e aplicando o modo "multiexposure" e "slew and sum" de que é dotado o software da camera ccd, conseguimos ter uma imagem de Antares com a Messier 4. Ficamos a aguardar melhores condições para voltar a testar este equipamento "vintage".



Características da ccd SXL-8:

  • Pixel data: 512 x 512, 15uM square.     
  • Array size: 7.68 x 7.68mm active area (10.8mm diagonal).     
  • Antiblooming: Overflow drain system capable of handling up to 200 lux illumination without blooming.     
  • Full well depth: 150,000 electrons.     
  • Dark current: Approx. 1 electron per sec at -30C.           
  • Quantum efficiency: Typically 30% at 530nM.     
  • Readout noise: Typically 20 electrons at -20C with correlated double sampling.     
  • Window Material: Double sided anti-reflection coated crown glass.     
  • Camera cable: 5 metres standard.    









  • A minha primeira supernova de 2016

     
    A Supernova SN2016cok na M66 vista na noite de 8 junho de Ponta Delgada, Açores, apresentava-se com uma magnitude visual da ordem de 16 do tipo Ia.
    Integração de 20x35 s em condições de muita poluição luminosa e de atmosfera muito contaminada por partículas de fumos.
    Realizado com Celestron 203mm a f/6.3 com Canon 350D modificada e filtro CLS Astronomic sem guiagem em montagem GPDX da Vixen. Software de tratamento Íris com pré-tratamento usando master flat, master dark e master-offset. Anotações com PS5.

    quarta-feira, junho 01, 2016

    Marte no perigeu.

     
    Finalmente as nuvens permitiram fazer algumas imagens do planeta um dia depois de ter atingido o seu perigeu que só voltará a acontecer daqui a dois anos e 2 meses.
    A nossa imagem, obtida com um C8 a f/20 e com uma SPC900nc é comparada com a imagem produzida por um simulador, o Mars Previewer II. Apesar da grande turbulência atmosférica ainda se conseguem distinguir muitos aspetos da geografia marciana.

     
    1 de junho: tratamento mais acurado com o RegiStax 6 e o MaximDL com a dição de duas imagens fits. Mesmo assim pouco melhorou.

    segunda-feira, maio 16, 2016