quarta-feira, julho 11, 2018

Aguardando o bom tempo


A "artilharia" montada: Takahashi 102FS f/8, iOptron CEM60, Canon 350D modificada e com filtro CLS da Astronomik, ZWO ASI224mc em Off-Axis-Guider, USB_focus v3, Telrad, Stellarmate, ... e muita paciência ...



Nuvens atrás de nuvens, autoguiagem aborta autoguiagem recomeça ...


Falar em conceitos tais como FWHM, HFD, RDN e RMS aplicados nos Açores, constitui um desafio sempre presente em qualquer sessão de observação astronómica, mesmo com o melhor dos céus ou com o anti-ciclone instalado no zénite.
Teoricamente fazer auto guiagem de forma aceitável significa ter a configuração ótica adequada e o sensor CCD/CMOS com os pixéis certos para obter a resolução certa. 

Resoluções obtidas com o "setup" 


Para além deste ponto de partida de natureza tecnologicamente único, a estratégia é sempre minimizar os efeitos da atmosfera do nosso planeta e os defeitos do sistema ótico utilizado, bem como os erros introduzidos pela mecânica de uma montagem ou as flexões do sistema de guiagem, ou ainda a deslocação do espelho principal no ato de focagem, no desvio médio daquilo que deveria ser uma imagem pontual de uma estrela (PSF – Point Spread Function ou Função de Dispersão Espacial de um Ponto Luminoso *) em relação àquilo que nos é dado detetar. Tudo porque a Ascensão Reta do eixo polar da montagem roda a 15 segundos de arco para compensar a rotação da Terra de oeste para este.

Falamos de auto guiagem, porque com os meios disponíveis hoje em dia com camaras CCD ou CMOS e ainda software adequado existente, torna-se impensável fazer guiagem manual.

Dada a performance do nosso sistema de visão, poder-se-ia considerar que ainda a melhor técnica seria o aspeto das estrelas a olho nu (suficientemente pontuais e redondas). E talvez, que para o caso dos Açores, ainda seja de considerar como a melhor técnica a utilizar!

Contudo existem várias técnicas que pretendem ultrapassar os eventuais defeitos da visão humana, oferecendo parâmetros de comparação universal. Uma é a designada FWHM (Full Width at Half Maximum ou Máximo da Metade da Largura Total). A outra é a chamada HFR ou HFD (Half Flux Radius ou Half Flux Diameter *) que aliadas à RDN (Roundness) de uma estrela permitem saber qual o erro da nossa auto guiagem.
A Roundness mais não é do que a “circularidade” da estrela, ou seja, se for igual a zero a estrela é perfeitamente redonda. Normalmente uma RDN < 0,1 não é percetível ao olho humano. Assim o trabalho da motorização na AR da montagem equatorial será tanto melhor quanto RDN = (eixo maior - eixo menor) / (eixo maior + eixo menor) < 0,1. Está claro que isto depende muito de um bom alinhamento polar.
Em termos teóricos o fator limitante será sempre o Limite de Difração (traduzido pelo Disco de Airy * e pelo Limite de Rayleigh ou Resolução Angular *) que definem o perfil da fonte luminosa a partir do seu centro em segundos de arco.



Disco de Airy central e padrão PSF (imagem do Wikipédia)



Para um telescópio com óticas perfeitas, o Disco de Airy concentra 84% da energia radiante sendo que os outros 16% estão distribuídos pelos anéis concêntricos, interessa-nos sobretudo os primeiros 84% e em especial a metade destes a meia altura (FWHM) pois representam a imagem pontual como objetivo a registar pelo sensor.



FWHM – representação gráfica (Imagem do Wikipédia)



O FWHM representa assim a metade da energia luminosa que está concentrada no núcleo central sendo que a imagem pontual de uma estrela é representada por esta menor unidade significante que é possível registar.





Sendo teoricamente o FWHM= 0,0212 * 550 / D (para a luz visível 550 nanómetros) em que D é o diâmetro do telescópio, logo, quanto maior D mais preciso é o valor de FWHM.
No entanto com a atmosfera terrestre tudo é diferente e FWHM=0,025 * lambda / r0, onde r0, conhecido por parâmetro de Fried, refere-se ao comprimento coerente da coluna de ar da atmosfera, cujo valor varia entre 5 e 20 centímetros, estando o valor normal situado nos 8 centímetros.
Agora, imagine-se um telescópio com 20 cm de abertura, FWHM poderia ter um valor de 0,58 segundos de arco. Contudo a influência da atmosfera transforma-o num telescópio de 6,5 cm (para o limite de 0,025*550/8=1,7 segundos de arco).
Considera-se o valor médio de “seeing” entre 1,5 e 2 segundos de arco.


O erro de guiagem na grande maioria do software existente é dado pelo parâmetro RMS (Root Mean Square ou Erro Médio Quadrático) que mais não é do que um valor estatístico que afere o desvio médio do valor esperado do valor observado, em que valores elevados de RMS traduzem condições de observação (“seeing”) piores.
Assumem-se normalmente os seguintes valores de RMS de acordo com as condições de observação (“seeing”):

“Seeing”
Excelente (0,5”arc)
Bom (1,0 “arc)
Médio (2,0“arc)
Pobre (3,0”arc)
Erro RMS
0,13 “arc
0,25 ”arc
0,50 “arc
0,75 “arc



Conclusão (talvez apressada!)

Por muito que nos esforcemos possuindo a melhor ótica, o sensor mais adequado e a montagem equatorial mais robusta e fiável, nunca serão meios suficientes se a turbulência atmosférica fizer das estrelas PSF`s tipo “donuts” e “batatóides”. Os nossos valores normalmente andam em média sempre acima de 1,5 segundos de arco.



Um bom exemplo de "donuts" e "batatóides"
Com a configuração já descrita e integração de 7x200s a 1600 ISO.
Suposto ser a região "Elephant Trunk"


Na melhor das hipóteses resta-nos talvez fazer uso de um ADC (Atmospheric Dispersion Corrector) sobretudo para astrofotografia planetária.

Sendo os Açores um centro permanente de formação e exportação de altas e baixas pressões com constantes frentes oclusas de todos os géneros a passarem por uma orografia que pouco ajuda a estabilidade atmosférica, será muito difícil obter condições adequadas à astrofotografia. Como muitas vezes diz o açoreano: “chove na minha rua mas não na do vizinho da rua ao lado”.

No entanto, sendo astrónomo amador, possuo a qualidade de todos os outros de não perder a esperança. Esperam-nos sessões de astrofotografia atribuladas e trabalhosas!

Continuaremos a aguardar por céus claros e límpidos!




sexta-feira, julho 06, 2018

Há 21 anos

Fez agora 21 anos que o cometa Halle-Bopp (C/1995 O1), um dos maiores cometas observados e designado de O Grande Cometa de 1997, fez a sua aparição nos céus açorianos.
Descoberto a 23 de julho de 1995 por Alan Hale e Thomas Bopp, só em janeiro de 1997 se tornaria visível a olho nu. A sua visibiliadade era de tal ordem que lembro-me perfeitamente de o ver momentos antes do nascer do Sol.



O seu aparecimento causou impactos de diversa natureza tanto no meio científico como junto à população, de tal modo que levou ao suicidio em massa de 38 seguidores da seita religiosa ovnilógica dos EUA, conhecida por Heaven`s Gate, alegando que deixavam os seus corpos para seguirem uma nave alíenigena que se escondia por detrás do cometa.

O cometa chegou a mostrar a olho nu as duas caudas iónica e de poeiras e em determinada altura a sua rotação era tão intensa que evidenciava a existência de jatos e géisers de gás que criavam ondas de choque rodeando o seu falso núcleo.




O cometa com as galáxias M31 e M34 mostrando as caudas iónica e de poeiras
Estas duas fotos foram feitas junto ao Charco da Madeira onde era possível ter um céu com 
menos poluição luminosa.


Fotografia feita com a Pentax K-1000 no Maranhão das Capelas



As imagens que aqui publico foram obtidas entre fevereiro e abril de 1997, utilizando diversos "setup`s"  disponíveis na altura e que se resumiam a um ETX90 f/13.8, um dobsoniano de 8 polegadas a f/6, a uma camera ccd CWIP-S da Sirius Instruments e a uma Pentax K-1000 com uma objetiva de 135mm. Fazer longas exposições em modo de guiagem manual era uma "obra de arte"! Foi então que decidimos fazer uma plataforma equatorial tendo encomendado a eletrónica à TL-Systems na Califórnia e onde colocávamos o dobsoniano de 8 polegadas.

Entretanto também concebíamos um Star Tracker para montar a Pentax K-1000 e cujo esquema ainda guardamos e que era operado manualmente a uma volta por minuto ... sem causar qualquer vibração com o parafuso altamente lubrificado, com a latitude do lugar conferida e alinhado o eixo polar à estrela polar.







O telescópio Newtoniano em montagem dobsoniana sobre a plataforma equatorial TL Systems e o Sky Vector 1 com um encoder de Altitude e ainda o esquema do Star Tracker com o que resta hoje em dia do aparelho (tudo isto está em condições de poder funcionar novamente!).
Notar o contra-peso e o nivelador no dobsoniano, Este último era utilizado para colocar em estação todo o sistema com a ajuda de dois encoders óticos em Altitude e em Azimute, controlados por um Sky Vector I adquirido na Eftonscience de Toronto.



O géisers e jatos de gás rodeando o falso núcleo







 Tentando mostrar a estrutura interna do cometa com o software existente na altura
por exemplo o Paint Shop Pro (PSP)







 A fotografia digital ainda não tinha feito o seu aparecimento e utilizávamos filmes muito sensíveis que custavam"os olhos da cara" como o Fuji super G plus 800



 A Internet era recente e utilizada sobretudo na área da astronomia constitui uma recordação inesquecível a partilha e publicação destas imagens em diversos "sites" da NASA e de outros onde se fazia a recolha oficial de informação sobre este acontecimento:

http://www.xtec.cat/~aparra1/astronom/hb/fot3975s.htm

https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto16.html

https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto12.html

https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto4.html

https://www2.jpl.nasa.gov/comet/images970415.html

Este seria o meu segundo cometa a ser acompanhado de forma sistemática depois de em 1996 ter seguido e fotografado o Hyakutake (C/1996 B2).


quarta-feira, julho 04, 2018

Recordar o passado

Agora que Marte se avizinha novamente do nosso planeta, deixo aqui a minha primeira imagem de Marte feita em 1997 com o auxílio da primeira CCD que comprei no Canadá, uma CWIP-S da Sirius Instruments e um ETX90 também adquirido Toronto.

Esta imagem está editada no site da MarsWatch 1996-1997

https://mars.nasa.gov/MPF/mpf/marswatch/mw031897jp.html


Em 1999 a evolução era notória. Utilizávamos outra tecnologia nomeadamente um Meade Maksutov-Cassegrain LX50 e uma ccd SXL8.


As últimas imagens reportam-se a este século e dizem respeito aos anos de 2001 e 2005.
As de 2001 mostram uma tempestade de poeira que envolveu todo o planeta tal como a deste ano.
Notar a diferença no espaço de 15 dias. A ccd utilizada foi uma StarlightXpress MX7c.



Como recordação aqui ficam duas imagens do "setup" totalmente portátil utilizado para acompanhar a atividade solar na banda do espetro visível desde 1997. Este daria origem à publicação de um CD sobre o 23º Ciclo Solar.



A Camara CWIP-S era montada diretamente no porta oculares do ETX90 e ligava a um video gravador VHS onde eram armazenadas as imagens em cassete de fita magnética que posteriormente eram recolhidas e processadas em computador.
Estas imagens foram tiradas pelo Pedro Ré, então em visita aos Açores.



sexta-feira, junho 22, 2018

Experiências a NE

Com intensa poluição luminosa (arraial do Espírito Santo) e com uma neblina teimosa em altitude
fizemos alguma imagens das Nebulosas Pacman e Íris afetadas pela extinção luminosa da sua posição muito baixa no horizonte NE. O HMR (half flux radius) nunca esteve abaixo de 2,5.
A auto-guiagem foi levada a cabo pela ASI224MC em OAG enquanto a aquisição das imagens com a Canon 350D modificada e com filtro CLS anti-poluição luminosa, a 1600iso e com exposições de 200 a 150 segundos cada. A montagem equatorial foi a iOptron CEM60 com o auxiliar Skysafari e suportando um Takahashi 102FS f/8.
As imagens foram pré-processdas com o software Íris utilizando master darks, offeset e flat e ainda a função cosme2 para retirar pixeis defeituosos e raios cósmicos.

 Nebulosa Pacman com 12 x 150 s


Nebulosa Íris, 12 x 150 s


O equipamento em ação


quarta-feira, junho 20, 2018

astrometry.net





A publicação desta imagem da M4, que por si só não tem qualquer valor por ser apenas uma exposição resultante da integração de 4x30 segundos, sob uma poluição luminosa intensa de um candeeiro de iluminação pública de lâmpada de sódio situado em frente de uma janela, tem de relevância uma curta história que me deixou espantado com a função de Alinhamento do Polar Assistant Tool do EKOS e do novo mundo astrometry.net.

Não tendo colocado em estação a montagem iOptron CEM60 através do procedimento normal dado que estava dentro de um quarto com janela virada a sul e sem qualquer possibilidade de ver a polar, optei por direcionar manualmente a montagem para a estrela Antares e depois utilizar pela primeira vez o alinhamento disponibilizado pela plataforma EKOS fazendo uso de astrometry.net on-line para apontar para a Messier 4.
Ao pedir a M4 a iOptron colocou no campo de visão uma zona estelar diferente. Depois de acionar o comando “Capture & Solve” e após alguns segundos de análise da imagem pelo astrometry.net, fiz “Slew to Target” com resposta imediata da montagem que centrou a 100% a M4, para meu grande espanto de tamanha eficácia.

Conclusão: o procedimento fastidioso de colocação em estação e de alinhamento com 1, 2 e 3 estrelas passou à história.

A astrometry.net aliada ao processo simples de auto-guiagem e de focagem do EKOS constitui uma ferramenta da maior utilidade para o astrónomo amador poupando-lhe tempo e paciência que agora poderá dedicar a explorar o céu.


M4, 19.06.2018, 4x30s, Canon 350D, 1600iso, J. Porto

segunda-feira, junho 18, 2018

Oficialmente INDI user


Cometa Giacobini Zinner em 17 junho 2018



Aquela manchinha no centro da imagem é o Cometa Periódico Giacobini-Zinner na constelação do Cisne. Imagem única de 350 segundos. Cometa na origem da "chuva de estrelas" Draconideas em Outubro e ainda das Giacobinideas. Possui um núcleo estimado de 2 km e apresenta no momento magnitude próxima de 12. Passa a 147 milhões de km.
Na segunda imagem é possível ver o trajecto do cometa no período de cerca de 30 minutos.



quarta-feira, junho 13, 2018

Automação robótica de equipamento de observação astronómica: um caso IoT




Em 2018 a aquisição de uma montagem equatorial alemã iOptron CEM60 dotada de um Hub USB com fornecimento de energia 12volts fez-me pensar em automatizar a sua operação bem como todos os dispositivos conectados à mesma, nomeadamente as camaras CMOS/CCD de aquisição de imagens e de guiagem, assim como o sistema de focagem e um simulador do céu/planetário tipo SkySafari ou o Kstars.

  
  
A montagem e o tripé (antes e depois)

Surgiram na altura duas ofertas no mercado, com características de grande portabilidade e de crescimento modular e ainda de baixo custo. Uma de origem koweitiana (designada por StellarMate IoT), outra de iniciativa francesa (AstroPiBox) tinham por base a placa Rasberry Pi 3, que entretanto ganhava popularidade e se expandia em aplicações de toda a ordem, chegando a Estação Espacial Internacional a estar dotada de dois RB Pi para software concebido pelas escolas.



A nossa opção centrou-se no IoT (Internet of Things) StellarMate dado apresentar-se com integração de meios e software (firmware) nomeadamente o conjunto Kstars/Ekos/INDI sob qualquer plataforma Windows/Linux/OSX/Android.



Kstars é um simulador do céu, tipo planetário, com origem na iniciativa KDE-edu enquanto o Ekos constitui um ambiente de controlo integrado que permite a gestão de um conjunto de operações desde a aquisição de imagens e de guiagem até ao controlo de qualquer dispositivo de utilização astronómica (camaras cmos/ccd, rodas de filtros, sistemas de focagem, montagens, desembaciadores, Flip-Flat, espetrógrafos, óticas adaptativas, estações meteo, GPS, observatórios, astrometria de precisão, alinhamento polar, operação robótica à distância, etc).
INDI constitui a coluna vertebral de todo o sistema porque é um servidor que assegura a comunicação kstars/Ekos com os “drives” de todos os periféricos em simultâneo.
O RB Pi3 da StellarMate inclui já um micro-cartão SD de 16GB de classe 10 com todo o software. Acionámo-lo a partir de um Tablet Android ASUS de 10 polegadas e configurámos o StellarMate e a iOptron CEM60 com toda a cablagem USB, redutores de voltagem e amperagem e ainda adaptadores porta-série RJ4/DB9/USB necessários para a sua operação eficaz.
Quisemos dotar a montagem iOptron CEM60, possuidora de um sistema inovador de balanceamento denominado  “Center Balanced Equatorial Mount”, com a possibilidade de alternar com a instalação de diversas óticas como um Celestron 203mm ou uma Takahashi 102FS ou ainda um refrator 66/400. Para tal tivemos que aplicar na montagem um suporte que acondicionasse o StellarMate bem como outro equipamento que descreveremos mais adiante.

Sistema mecânico de suporte ao Rasberry Pi3 e redutores de voltagem



Esquema geral definitivo do fluxo de dados e dos circuitos elétricos (com o C8 como ótica)



Como equipamento de aquisição de imagens tínhamos a velha Canon 350D desfiltrada, com sensor CMOS de resolução 3464 x 2309 píxeis e 6,41 microns de pixel pitch, e, à qual foi necessário adaptar um cabo a ligar a bateria de lítio a um redutor de 12 volts fornecidos pelo painel DEC da montagem iOptron convertendo-os para 7,6 volts e 2 amperes através de duas fichas macho/fêmea de 5,5/2,1. Usando solda e ferro de soldar e depois de identificadas a polaridade dos fios foi fácil conceber esta ligação. Tivemos a preocupação de arranjarmos um redutor de voltagem que se situasse entre os 7 e 8 volts e fornecesse os 2 amperes para não “fritar” a bateria da Canon.
A Astrolink 4 Mini possuía um redutor deste género devidamente protegido e destinado a camaras DSLR.
 

A Canon 350D agregada a um OAG juntamente com a ZWO ASI224mc como camara de guiagem

Da Canon 350D fizemos uma ligação ao DSUSB da Shoestring com a Canon em Bulb e M Mode (jack macho de 2.5mm tipo E3), ligando depois diretamente o gadget DSUSB através do seu próprio cabo USB 2.0 ao painel DEC da iOptron.
Experimentámos o QuickRemote desenhado por Christian Buil sem sucesso, enquanto o interface usb-eos para exposições longas (acima de 30 segundos) comercializado pela PierreAstro funcionava perfeitamente com a adição de mais um cabo USB entre a Canon e o DEC da iOptron para transmissão das imagens.

No painel polar da iOptron CEM60 fazíamos sair um cabo USB B/ USB A ligando ao StellarMate fazendo assim a comunicação de dados entre os dois. Ainda ao painel polar fornecíamos energia 12 volts 6 amperes com um transformador.



A camara de guiagem ZWO ASI224mc montada num OAG (Off-Axis-Guider) ligava diretamente a sua porta ST4 à porta “Guide” na própria montagem, enquanto o cabo USB B da ASI ligava a uma porta USB do painel DEC da iOptron CEM60.


  
  




No StellarMate ligavam diretamente os cabos USB A do motor de focagem, USB_Focus_V3, e da própria montagem iOptron com cabos adaptadores RS232/RJ4/DB9/USB A, dado que tanto a montagem como o focador tinham fornecimento de energia independentes não sobrecarregando o StellarMate. Ao StellarMate era fornecida energia 5V 2,5 amperes a partir dos 12 volts do painel DEC da iOptron através de um redutor de voltagem e com cabo micro-USB.



    

Aspeto das ligações ao StellarMate e ligação RJ4/DB9/USB da montagem iOptron


Aspeto do painel DEC da iOptron com saídas para a Canon, ZWO, voltagens para Canon e StellarMate


Ao sistema de focagem USB_Focus_V3 adaptámos um conjunto de placas metálicas adquiridas na AKI e que, com alguns parafusos e anilhas de aperto, dispúnhamo-lo de forma apropriada a permitir ao motor poder fazer a focagem sem stress mecânico.




Sistema de focagem instalado permanentemente no DEC da ioptron permitindo alternar com diferentes óticas.



Em termos de potência elétrica instalada, tivemos o cuidado de ter um conjunto devidamente balanceado de modo a que tanto o fluxo de dados como as amperagens estivessem distribuídas devidamente e não causassem obstáculos operacionais:

iOptron paínel polar – 12V 5Amp / Transformador – 12V 6Amp
USB_Focus_V3 – 8V 1,5Amp com o seu transformador próprio
StellarMate – 5V 2,5Amp / Redutor Voltagem – 5V 3Amp
Canon 350D – 7 a 8V 2Amp / Astrolink 4 Mini – 7,6V 3 a 4Amp
ZWO ASI224mc – 5V 1,5Amp



Reguladores de voltagem para a Canon350D e para o StellarMate


  
 

Tranformadores para o painel polar da iOptron e montagem iOptron CEM60 e ainda para o sistema de focagem USB_Focus_V3



Resolução de problemas adicionais de facilitação operacional do sistema:

Adaptação de uma pesada “dolly” de modo a encurtá-la para poder andar nos corredores de acesso ao exterior e balanceamento do contra-peso dado que com a instalação das camaras, do sistema de focagem e de um TelRad o eixo AR ficava ligeiramente desequilibrado a oeste. Inventámos um contra-peso adicional instalado no próprio contrapeso da montagem iOptron aproveitando uma rosca existente.
Criámos também um dispositivo para produção de Flats convertendo um monitor de computador e ainda instalámos uma camara robótica para monitorização da operação da montagem bem como um monitor de voltagem.


Adaptação da “dolly”


Contra-peso adicional


Dispositivo para Flats

  

Camara robótica WiFi e imagem produzida pela mesma



Monitor de voltagem do StellarMate




Kstars/Ekos/INDI – a coluna vertebral


INDI Web Manager mostrando a atribuição definitiva de portas-série de comunicação RS232 para a montagem iOptron CEM60 e para o USB_Focus_V3



Alguns parâmetros de controlo Ekos da montagem



Autoguiagem com o Ekos com alinhamento polar e correção apenas a duas estrelas



A aquisição de imagens com a Canon 350D (Nebulosa do Haltere)



SkySafari controlando a montagem e mostrando o FOV do sensor cmos





As configurações óticas C8 f/6.3 e doTakahashi 102FS f/8




As resoluções obtidas em segundos de arco por pixel para as duas óticas com OAG.
Os sensores CMOS da Canon 350D e da ZWO ASI224mc permitem obter valores rácio idênticos de 1:0,59




 

Os dois sistemas em funcionamento na mesma montagem equatorial alemã



Em conclusão:

A utilização integrada de um simulador do céu (Kstars) a partir do qual se tem acesso ao controlo automatizado de todos os dispositivos numa única página como o faz o Ekos, utilizando a “INDI Library” através do ubuntu 15.10, constitui um bem precioso e inestimável que se reflete na operacionalidade simples e amplamente portátil do conjunto com um Tablet/Smartphone via rede WiFi ou pela criação de um Hotspot pelo próprio Rasberry Pi 3 (neste caso comercialmente designado StellarMate). O seu valor acresce ao estar dotado também com um cartão micro SD com 16GB que permite guardar as imagens adquiridas para posterior processamento ou já com o pré-processamento feito ou permitindo a utilização de outros simuladores do céu como o SkySafari ou o Stellarium  (referidos como dispositivos Auxiliares pelo Ekos).
Indi Library possui um Forum de apoio aos utentes e atualizações frequentes abarcando cada vez mais dispositivos a controlar. Jasem Mutlaq é o seu mentor e obreiro principal.




Outras expansões possíveis

A instalação de um outro IoT, denominado AstroLink 4.0 Mini permite ainda adicionar outros dispositivos como cintas desembaciadoras ou mesmo abdicar do transformador do focador USB_Focus_V3 abastecendo-o dos 8 volts necessários ao seu funcionamento através de uma saída de voltagem regulável.
O software do AstroLink 4.0 Mini permite parametrizar e gerir as saídas de voltagem tornando-as permanentes bem como ainda controlar motores de passo.

  



Como utilizador INDI (@fonsecaporto) quero deixar aqui um agradecimento caloroso ao sempre disponível Jasem Mutlaq, gestor da INDI Library, lançador do IoT StellarMate e astrónomo amador conhecedor das dificuldades práticas com as quais se defrontam diariamente todos os astrónomos amadores. Devo-lhe o seu esclarecimento pertinente a situações mais obscuras de algumas configurações. Também a ele se deve o seu empenho na atualização permanente e constante de todo o firmware




Imagem do twitter do Jasem Mutlaq com fotos do sistema



Nebulosa do anel: integração 11x300s, C8 f/6,3, Canon 350D 1600iso



Messier 27 a nebulosa do Haltere. Exposição de 30 minutos com guiagem feita com ASI224mc e ZWO off-axis-guide. Imagens adquiridas por Canon 350D com montagem equatorial iOptron CEM60 e Plataforma Ekos/INDI. Refrator Takahashi 102fs a f/8. Controlo WiFi com Skysafari.
Condições meteo razoaveis com muita poluição luminosa de uma arraial do Espírito Santo local