terça-feira, outubro 30, 2018

Homenagem a um Astrónomo Amador Açoriano do século XIX




A Câmara Municipal de Ponta Delgada vai homenagear, a 2 de novembro, o astrónomo açoriano João de Moraes Pereira.


A 2 de novembro, às 18h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, terá lugar uma conferência sobre a vida e a obra de João de Moraes Pereira, pelo Professor Doutor Vitor Bonifácio, do Departamento de Física da Universidade de Aveiro.

Às 19h15, proceder-se-á ao ao descerramento de placa evocativa na casa onde nasceu João de Moraes Pereira, na Rua dos Mercadores, nº32, freguesia de São Sebastião.




A homenagem da maior autarquia de Ponta Delgada a mais um dos seus ilustres, proposta pela Comissão Municipal de Toponímia e Distinções Honoríficas e aprovada em reunião de Câmara, surge, precisamente, para perpetuar mais uma figura insular que se destacou no mundo.

Saliente-se que o movimento da astronomia amadora atual tem as suas origens nas últimas décadas do século XIX. Portugal não ficou de fora no que respeita aos desenvolvimentos internacionais e, atualmente, é conhecido um número reduzido de amadores nacionais ativos entre os anos de 1880 e de1910, entre os quais se salienta o astrónomo açoriano João de Moraes Pereira (1855-1908).

A astronomia amadora foi realizada na ausência de obrigações contratuais e, por vezes, de estruturas formais, mas caracteriza esta comunidade e conhece, em particular, as motivações, trabalhos desenvolvidos e redes de interação dos seus membros. Um trabalho demasiado complexo, uma vez que eram escassas as informações disponíveis.

Parte da biblioteca de João de Moraes Pereira, recentemente descoberta, permite documentar algumas das questões em aberto sobre a sua atividade astronómica possibilitando, desta forma, um melhor conhecimento sobre a sua vida e obra.


Algumas imagens da Homenagem







segunda-feira, outubro 22, 2018

Nasa Space Apps Challenge Azores 2018


Foto da cerimónia de encerramento deste evento realizado de 19 a 21 de outubro. O júri do Nasa Space Apps Challenge Azores apurou duas equipas para a última fase global do concurso mundial com os projetos creativos Carbonocracy e Samu the Robot and the Solar System. A terceira equipa vencedora ENTA X recebeu uma menção honrosa com um projeto criativo sobre Space Debris.

terça-feira, setembro 25, 2018

Porto Espacial de Santa Maria


http://atlanticsatelliteprogramme.org/

quinta-feira, setembro 06, 2018

Desfile de planetas

Local: Sanfins,  Rocas do Vouga


quarta-feira, agosto 01, 2018

Marte mais próximo da Terra



Pelas 22:00 horas locais e com o planeta Marte muito baixo no horizonte e com a presença de ondulações térmicas dos telhados das casas depois de um dia quente e ainda na presença de um candeeiro de iluminação pública de sódio e de dentro do meu escritório virado a sul, ou seja na presença de todas as variáveis indesejadas para fazer astrofotografia planetária, conseguimos "dar à luz" esta imagem de Marte no seu perigeu.

Imagens de Marte foram publicadas em 02 agosto 2018 em artigos de Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, em alguns jornais regionais:

http://www.postal.pt/2018/08/o-ceu-de-agosto-de-2018/


https://elvasnews.pt/o-ceu-de-agosto-de-2018/


http://www.avozdoalgarve.pt/detalhe.php?id=32453


https://www.noticiasdonordeste.pt/2018/08/o-ceu-de-agosto-de-2018.html

sexta-feira, julho 27, 2018

Eclipse Lunar de 27 julho 2018 em Ponta Delgada







Em pesquisa de Phobos e Deimos apenas detetámos estrelas de magnitude 9,5 e 10,5 porque as luas estavam muito próximas do planeta.





quinta-feira, julho 26, 2018

A Lua em véspera do eclipse

Takahashi 102FS, redutor focal 0,50, ZWO ASI224MC e iOptron CEM60
Ponta Delgada, Fajã de Baixo em 27 julho 2018 por J. Porto

terça-feira, julho 24, 2018

Marte e Saturno em 24 julho 2018



Marte em 24 julho à meia noite e 9 minutos UT, debaixo de uma tempestade de poeira e com a turbulência atmosférica sobre a nossa região não permite ver pormenores na sua superfície. Em todo o caso ainda dá para distinguir o Valles Marine e a Terra Sirenum.
Imagem resultado de um AVI com 1220 frames processados pelo RegiStax.
Celestron 203mm a f/25.




Estas imagens foram processadas com filtros do RegiStax menos agressivos.

Obtidas em momentos diferentes em 24 julho 2018: 00:09 e 23:29 UT. A ultima é resultado do "stacking" de 1266 frames com um "seeing" paupérrimo devido à extinção atmosférica dado o planeta se situar muito perto do horizonte e por outro lado porque a turbulência atmosférica era muito grande.





A imagem de Saturno deve-se ao tratamento de uma filme AVI com apenas 300 frames em condições muito adversas com a Lua situada no mesmo quadrante e um "seeing" péssimo.




O mosaico com os dois planetas foi obtido de dois outros AVIs com 1068 (Saturno) e 2148 (Marte) frames e também processados com o RegiStax 5



O dispositivo utilizado para obter os AVIs: Barlow Televue 2,5X e ZWO ASI224mc com Flip-Mirror e ocular 25 mm em parfocal e com retículo luminoso da True Technology.
Software de aquisição das imagens SharpCap 3.1.





quarta-feira, julho 11, 2018

Aguardando o bom tempo


A "artilharia" montada: Takahashi 102FS f/8, iOptron CEM60, Canon 350D modificada e com filtro CLS da Astronomik, ZWO ASI224mc em Off-Axis-Guider, USB_focus v3, Telrad, Stellarmate, ... e muita paciência ...



Nuvens atrás de nuvens, autoguiagem aborta autoguiagem recomeça ...


Falar em conceitos tais como FWHM, HFD, RDN e RMS aplicados nos Açores, constitui um desafio sempre presente em qualquer sessão de observação astronómica, mesmo com o melhor dos céus ou com o anti-ciclone instalado no zénite.
Teoricamente fazer auto guiagem de forma aceitável significa ter a configuração ótica adequada e o sensor CCD/CMOS com os pixéis certos para obter a resolução certa. 

Resoluções obtidas com o "setup" 


Para além deste ponto de partida de natureza tecnologicamente único, a estratégia é sempre minimizar os efeitos da atmosfera do nosso planeta e os defeitos do sistema ótico utilizado, bem como os erros introduzidos pela mecânica de uma montagem ou as flexões do sistema de guiagem, ou ainda a deslocação do espelho principal no ato de focagem, no desvio médio daquilo que deveria ser uma imagem pontual de uma estrela (PSF – Point Spread Function ou Função de Dispersão Espacial de um Ponto Luminoso *) em relação àquilo que nos é dado detetar. Tudo porque a Ascensão Reta do eixo polar da montagem roda a 15 segundos de arco para compensar a rotação da Terra de oeste para este.

Falamos de auto guiagem, porque com os meios disponíveis hoje em dia com camaras CCD ou CMOS e ainda software adequado existente, torna-se impensável fazer guiagem manual.

Dada a performance do nosso sistema de visão, poder-se-ia considerar que ainda a melhor técnica seria o aspeto das estrelas a olho nu (suficientemente pontuais e redondas). E talvez, que para o caso dos Açores, ainda seja de considerar como a melhor técnica a utilizar!

Contudo existem várias técnicas que pretendem ultrapassar os eventuais defeitos da visão humana, oferecendo parâmetros de comparação universal. Uma é a designada FWHM (Full Width at Half Maximum ou Máximo da Metade da Largura Total). A outra é a chamada HFR ou HFD (Half Flux Radius ou Half Flux Diameter *) que aliadas à RDN (Roundness) de uma estrela permitem saber qual o erro da nossa auto guiagem.
A Roundness mais não é do que a “circularidade” da estrela, ou seja, se for igual a zero a estrela é perfeitamente redonda. Normalmente uma RDN < 0,1 não é percetível ao olho humano. Assim o trabalho da motorização na AR da montagem equatorial será tanto melhor quanto RDN = (eixo maior - eixo menor) / (eixo maior + eixo menor) < 0,1. Está claro que isto depende muito de um bom alinhamento polar.
Em termos teóricos o fator limitante será sempre o Limite de Difração (traduzido pelo Disco de Airy * e pelo Limite de Rayleigh ou Resolução Angular *) que definem o perfil da fonte luminosa a partir do seu centro em segundos de arco.



Disco de Airy central e padrão PSF (imagem do Wikipédia)



Para um telescópio com óticas perfeitas, o Disco de Airy concentra 84% da energia radiante sendo que os outros 16% estão distribuídos pelos anéis concêntricos, interessa-nos sobretudo os primeiros 84% e em especial a metade destes a meia altura (FWHM) pois representam a imagem pontual como objetivo a registar pelo sensor.



FWHM – representação gráfica (Imagem do Wikipédia)



O FWHM representa assim a metade da energia luminosa que está concentrada no núcleo central sendo que a imagem pontual de uma estrela é representada por esta menor unidade significante que é possível registar.





Sendo teoricamente o FWHM= 0,0212 * 550 / D (para a luz visível 550 nanómetros) em que D é o diâmetro do telescópio, logo, quanto maior D mais preciso é o valor de FWHM.
No entanto com a atmosfera terrestre tudo é diferente e FWHM=0,025 * lambda / r0, onde r0, conhecido por parâmetro de Fried, refere-se ao comprimento coerente da coluna de ar da atmosfera, cujo valor varia entre 5 e 20 centímetros, estando o valor normal situado nos 8 centímetros.
Agora, imagine-se um telescópio com 20 cm de abertura, FWHM poderia ter um valor de 0,58 segundos de arco. Contudo a influência da atmosfera transforma-o num telescópio de 6,5 cm (para o limite de 0,025*550/8=1,7 segundos de arco).
Considera-se o valor médio de “seeing” entre 1,5 e 2 segundos de arco.


O erro de guiagem na grande maioria do software existente é dado pelo parâmetro RMS (Root Mean Square ou Erro Médio Quadrático) que mais não é do que um valor estatístico que afere o desvio médio do valor esperado do valor observado, em que valores elevados de RMS traduzem condições de observação (“seeing”) piores.
Assumem-se normalmente os seguintes valores de RMS de acordo com as condições de observação (“seeing”):

“Seeing”
Excelente (0,5”arc)
Bom (1,0 “arc)
Médio (2,0“arc)
Pobre (3,0”arc)
Erro RMS
0,13 “arc
0,25 ”arc
0,50 “arc
0,75 “arc



Conclusão (talvez apressada!)

Por muito que nos esforcemos possuindo a melhor ótica, o sensor mais adequado e a montagem equatorial mais robusta e fiável, nunca serão meios suficientes se a turbulência atmosférica fizer das estrelas PSF`s tipo “donuts” e “batatóides”. Os nossos valores normalmente andam em média sempre acima de 1,5 segundos de arco.



Um bom exemplo de "donuts" e "batatóides"
Com a configuração já descrita e integração de 7x200s a 1600 ISO.
Suposto ser a região "Elephant Trunk"


Na melhor das hipóteses resta-nos talvez fazer uso de um ADC (Atmospheric Dispersion Corrector) sobretudo para astrofotografia planetária.

Sendo os Açores um centro permanente de formação e exportação de altas e baixas pressões com constantes frentes oclusas de todos os géneros a passarem por uma orografia que pouco ajuda a estabilidade atmosférica, será muito difícil obter condições adequadas à astrofotografia. Como muitas vezes diz o açoreano: “chove na minha rua mas não na do vizinho da rua ao lado”.

No entanto, sendo astrónomo amador, possuo a qualidade de todos os outros de não perder a esperança. Esperam-nos sessões de astrofotografia atribuladas e trabalhosas!

Continuaremos a aguardar por céus claros e límpidos!




sexta-feira, julho 06, 2018

Há 21 anos

Fez agora 21 anos que o cometa Halle-Bopp (C/1995 O1), um dos maiores cometas observados e designado de O Grande Cometa de 1997, fez a sua aparição nos céus açorianos.
Descoberto a 23 de julho de 1995 por Alan Hale e Thomas Bopp, só em janeiro de 1997 se tornaria visível a olho nu. A sua visibiliadade era de tal ordem que lembro-me perfeitamente de o ver momentos antes do nascer do Sol.



O seu aparecimento causou impactos de diversa natureza tanto no meio científico como junto à população, de tal modo que levou ao suicidio em massa de 38 seguidores da seita religiosa ovnilógica dos EUA, conhecida por Heaven`s Gate, alegando que deixavam os seus corpos para seguirem uma nave alíenigena que se escondia por detrás do cometa.

O cometa chegou a mostrar a olho nu as duas caudas iónica e de poeiras e em determinada altura a sua rotação era tão intensa que evidenciava a existência de jatos e géisers de gás que criavam ondas de choque rodeando o seu falso núcleo.




O cometa com as galáxias M31 e M34 mostrando as caudas iónica e de poeiras
Estas duas fotos foram feitas junto ao Charco da Madeira onde era possível ter um céu com 
menos poluição luminosa.


Fotografia feita com a Pentax K-1000 no Maranhão das Capelas



As imagens que aqui publico foram obtidas entre fevereiro e abril de 1997, utilizando diversos "setup`s"  disponíveis na altura e que se resumiam a um ETX90 f/13.8, um dobsoniano de 8 polegadas a f/6, a uma camera ccd CWIP-S da Sirius Instruments e a uma Pentax K-1000 com uma objetiva de 135mm. Fazer longas exposições em modo de guiagem manual era uma "obra de arte"! Foi então que decidimos fazer uma plataforma equatorial tendo encomendado a eletrónica à TL-Systems na Califórnia e onde colocávamos o dobsoniano de 8 polegadas.

Entretanto também concebíamos um Star Tracker para montar a Pentax K-1000 e cujo esquema ainda guardamos e que era operado manualmente a uma volta por minuto ... sem causar qualquer vibração com o parafuso altamente lubrificado, com a latitude do lugar conferida e alinhado o eixo polar à estrela polar.







O telescópio Newtoniano em montagem dobsoniana sobre a plataforma equatorial TL Systems e o Sky Vector 1 com um encoder de Altitude e ainda o esquema do Star Tracker com o que resta hoje em dia do aparelho (tudo isto está em condições de poder funcionar novamente!).
Notar o contra-peso e o nivelador no dobsoniano, Este último era utilizado para colocar em estação todo o sistema com a ajuda de dois encoders óticos em Altitude e em Azimute, controlados por um Sky Vector I adquirido na Eftonscience de Toronto.



O géisers e jatos de gás rodeando o falso núcleo







 Tentando mostrar a estrutura interna do cometa com o software existente na altura
por exemplo o Paint Shop Pro (PSP)







 A fotografia digital ainda não tinha feito o seu aparecimento e utilizávamos filmes muito sensíveis que custavam"os olhos da cara" como o Fuji super G plus 800



 A Internet era recente e utilizada sobretudo na área da astronomia constitui uma recordação inesquecível a partilha e publicação destas imagens em diversos "sites" da NASA e de outros onde se fazia a recolha oficial de informação sobre este acontecimento:

http://www.xtec.cat/~aparra1/astronom/hb/fot3975s.htm

https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto16.html

https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto12.html

https://www2.jpl.nasa.gov/comet/porto4.html

https://www2.jpl.nasa.gov/comet/images970415.html

Este seria o meu segundo cometa a ser acompanhado de forma sistemática depois de em 1996 ter seguido e fotografado o Hyakutake (C/1996 B2).


quarta-feira, julho 04, 2018

Recordar o passado

Agora que Marte se avizinha novamente do nosso planeta, deixo aqui a minha primeira imagem de Marte feita em 1997 com o auxílio da primeira CCD que comprei no Canadá, uma CWIP-S da Sirius Instruments e um ETX90 também adquirido Toronto.

Esta imagem está editada no site da MarsWatch 1996-1997

https://mars.nasa.gov/MPF/mpf/marswatch/mw031897jp.html


Em 1999 a evolução era notória. Utilizávamos outra tecnologia nomeadamente um Meade Maksutov-Cassegrain LX50 e uma ccd SXL8.


As últimas imagens reportam-se a este século e dizem respeito aos anos de 2001 e 2005.
As de 2001 mostram uma tempestade de poeira que envolveu todo o planeta tal como a deste ano.
Notar a diferença no espaço de 15 dias. A ccd utilizada foi uma StarlightXpress MX7c.



Como recordação aqui ficam duas imagens do "setup" totalmente portátil utilizado para acompanhar a atividade solar na banda do espetro visível desde 1997. Este daria origem à publicação de um CD sobre o 23º Ciclo Solar.



A Camara CWIP-S era montada diretamente no porta oculares do ETX90 e ligava a um video gravador VHS onde eram armazenadas as imagens em cassete de fita magnética que posteriormente eram recolhidas e processadas em computador.
Estas imagens foram tiradas pelo Pedro Ré, então em visita aos Açores.